Arquivo para junho, 2025

O JARDIM QUE NÃO FLORESCEU

Posted in Sem categoria on 21 de junho de 2025 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

By NC Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

I

Plantamos juntos o jardim da estima,
Com sementes de riso e madrugadas,
Mas a tua ausência é seca que sublima
As flores que nunca serão acordadas.

II

Reguei esperanças, pesei os ventos,
E clamei à terra pelos teus intentos,
Mas tua mão, que outrora foi sustento,
Hoje não vem, não toca, não alento.

III

O jardim tornou-se campo de pedras,
E as flores dormem sob dores ledas,
Sonhando com o regresso do jardineiro.

IV

Volta, mesmo que como tempestade,
Pois minha alma clama por verdade,
Ainda que venha de modo derradeiro.

(Betto Gasparetto – iii-vi/mcmlxxxiii)

O LIVRO ABERTO DO REMORSO

Posted in Sem categoria on 19 de junho de 2025 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

By NC Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

I

Abri o livro onde escreveste tua ausência,
E em cada página há silêncio em letras.
Ali jazem gestos, feitos em imprudência,
Riscados por mágoas, culpas secretas.

II

Oh! Por que não voltas para reler
As entrelinhas que não quis compreender,
E os parágrafos que eu quis esquecer
Mas guardo como lápides de saber?

III

Este livro é meu perfil que se traduz,
Com versos onde tua lembrança luz
Como sombra imensa e contraditória.

Volta, e juntos reescrevamos a história
Com tinta feita de esperança inglória
E fé redimida na memória.

(Betto Gasparetto – iii/Lxxxiii)

O GRITO NO ESPELHO DA AURORA

Posted in Sem categoria on 18 de junho de 2025 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

By NC Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

I

Acordo e grito teu nome ao espelho,
Mas só minha imagem devolve a dor.
Vejo meus olhos — tão cheios de conselho —
E tão vazios do teu calor.

II

Cada manhã é sentença e relento,
Um corte aberto no firmamento,
E o grito, abafado em meu pensamento,
É súplica ao ausente, em sofrimento.

III

Quem dera pudesses escutar meu ser,
Que implora não por reviver,
Mas por ter chance de compreender.

IV

Por que partiste com a lâmina fria,
Quando podíamos, mesmo em agonia,
Ser templo de um novo renascer?

(Betto Gasparetto – iii/Lxxxiii)

QUANDO A ÚLTIMA PÉTALA SOBREVIVER, UM NOVO SOL BRILHARÁ NO HORIZONTE (17/17)

Posted in Sem categoria on 17 de junho de 2025 by Prof Gasparetto

Jhonnatan F. W. (jan/1978)

Arquivo XVII. A Força do Recomeço

By NC Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

O recomeço é, por sua própria natureza, um ato de coragem. Não há certeza no que virá, nem garantias de que o novo caminho será fácil, mas é uma escolha consciente, uma decisão de olhar para o futuro com os olhos do coração, ainda que manchados pelas cicatrizes do passado. O recomeço não diz respeito ao esquecimento, mas à aceitação. Não é uma tentativa de apagar o que foi vivido, mas de transformar a dor em sabedoria, de usar as quedas como trampolins para a ascensão.

À medida que as pessoas começam a caminhar novamente, um passo de cada vez, elas se deparam com um mundo que, embora marcado pela perda, também oferece infinitas possibilidades de reconstrução. O recomeço é como a terra que, após a colheita, recebe novamente as sementes. Não importa o quanto o campo tenha sido devastado, a possibilidade de replantar sempre estará ali, esperando pela mão que tenha a coragem de semear.

Mas esse recomeço não acontece sem sacrifício. A dor que é deixada para trás, os medos não resolvidos, as perguntas sem resposta, tudo isso se torna parte do processo. O recomeço exige não apenas uma mudança de direção, mas uma mudança interior. Ele exige humildade para aceitar que nada é perfeito, que a vida não oferece fórmulas prontas, mas sim experiências que, quando aceitas com sabedoria, podem levar à evolução.

Ainda assim, mesmo nos dias em que o caminho parecer incerto, em que as dúvidas forem grandes e a tentação de desistir se fizer presente, o recomeço traz consigo a força silenciosa de quem já passou pela tempestade e sobreviveu. A força do recomeço é silenciosa, mas inquebrantável. Ela está presente nos pequenos gestos de cada dia, na persistência de quem se recusa a ser definido pelas adversidades, e na certeza de que, apesar de tudo, a jornada ainda vale a pena. E assim, a cada passo, o novo mundo vai se criando, tijolo por tijolo, até que o que parecia um campo devastado floresça novamente.

______________________________________*_*_*_________________________________________

QUANDO A ÚLTIMA PÉTALA SOBREVIVER, UM NOVO SOL BRILHARÁ NO HORIZONTE (16/17)

Posted in Sem categoria on 16 de junho de 2025 by Prof Gasparetto

Jhonnatan F. W. (jan/1978)

Arquivo XVI. O Retorno da Luz

By NC Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

Após a longa noite de incertezas e perdas, quando o manto da escuridão parecia interminável, a luz começa a retornar lentamente, como um sopro suave que toca os corações endurecidos pela dor. Não é uma luz repentina, nem uma explosão de brilho que ofusca os olhos, mas uma iluminação suave, que penetra nas rachaduras do mundo e se espalha de forma imperceptível, mas constante. Essa luz não vem do alto, mas nasce no interior das pessoas, naqueles que se recusam a sucumbir ao medo, que ainda guardam a chama da esperança mesmo quando tudo à sua volta parece ter sido consumido.

A luz que retorna não é apenas física. Ela não se resume a raios de sol que iluminam os campos e as cidades. Ela é uma luz emocional, espiritual, que se reacende naquelas almas que, embora feridas, não perderam a capacidade de ver o bem no outro, de acreditar que o futuro ainda pode ser melhor. É uma luz que, aos poucos, começa a guiar aqueles que caminhavam cegos pela escuridão, que começa a iluminar as pequenas ações do cotidiano — um gesto de gentileza, uma palavra de apoio, um olhar de compreensão.

Mas essa luz não é garantida, ela precisa ser cultivada. Não se trata de uma dádiva que desce dos céus, mas de uma conquista interna, um esforço coletivo de reconstruir o que foi destruído. O retorno da luz exige vulnerabilidade, a coragem de se expor, de se permitir sentir novamente, de acreditar no outro e em si mesmo. Ela não é perfeita, nem imune ao sofrimento, mas é suficiente para guiar os passos dos que desejam reencontrar a esperança.

À medida que a luz se espalha, o mundo começa a se reconstruir, não como era, mas como poderia ser. O retorno da luz não apaga a escuridão, mas faz com que ela perca sua força. Pois onde a luz chega, mesmo que tímida, a escuridão começa a recuar. E, assim, o homem, guiado por essa luz interna e coletiva, encontra novos caminhos, novas formas de viver, de conviver, de amar. A luz que retorna é a prova de que, mesmo após a maior das noites, o dia sempre volta a nascer.

______________________________________*_*_*_________________________________________