(Betto Gasparetto)
33. Tragédia em Três Atos e Um Adeus

By NC Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning
Ato I: Desejo. Tu em flor, eu em fogo.
Tu em flor, eu em fogo — centelha viva,
Tua presença era sol em meu inverno.
Cada gesto teu, em mim, era diva
A incendiar meu mundo mais interno.
Fui jardim que despertava a aurora,
Pétala a pétala, abrindo por ti.
Tua voz era a luz que me devora,
E me perdi no amor que nunca pedi.

Ato II: Ausência. Silêncio que destrói.
Silêncio que destrói, sem dizer nome,
Vazio que pulsa onde havia festa.
Tua falta me consome e consome
O que restou de mim — dor manifesta.
Rasguei cartas que nunca enviei,
E cada linha era uma despedida.
Tua ausência moldou o que serei:
Alguém que vaga sem ter mais saída.

Ato III: Lamento. Meu coração sem jogo.
Meu coração sem jogo, sem artimanha,
É trapo pendurado no varal da vida.
Fui rei de um trono feito de estranha
Ilusão — tua imagem nunca vencida.
Hoje choro o que nunca abracei,
Murmuro o nome teu entre os escombros.
Quem ama e deixa partir — pagará também
Com noites frias e versos sem ombros.

O Adeus. Sem mais Cartas.
Foste cena que ardeu breve demais,
Um drama de amor sem catarse.
E eu, espectador dos meus vendavais,
Aplaudi meu erro sem disfarce.
Agora, o palco está escurecido,
A cortina não volta, não se ergue aos breus.
Fui poeta do próprio descuido —
E o teu fim em mim ainda se eterniza em adeus.
(Betto Gasparetto – i-mmxxii)



