Arquivo para setembro, 2025

Jardim Estéril

Posted in Sem categoria on 25 de setembro de 2025 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

By Kontext 2v1+InG Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

No meu jardim não brotam mais as flores,
Nem há perfumes, nem restam mais amores.
A terra seca guarda apenas cinza,
E cada semente o tempo logo esfria.

Não mais se ouve o canto da primavera,
Só o silêncio da saudade austera.
O regador derrama lágrimas e pranto,
Mas nada nasce desse solo tanto.

A rosa morta curva o talo em dor,
E a brisa fria a leva sem calor.
Os lírios brancos não mais se levantaram,
E as violetas cedo se acabaram.

O sol, outrora luz que abria as cores,
Tornou-se algoz das sombras e das dores.
E cada folha que do chão se erguer,
Logo se perde, não se deixa ver.

(Betto Gasparetto- v-mmxxi)

Coração Sangrando

Posted in Sem categoria on 24 de setembro de 2025 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

By Kontext 2v1+InG Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

Se ao menos fosse breve a despedida,
Mas é tormento que consome a vida.
O tempo é algoz, cruel e impiedoso,
E faz da espera um sonho tormentoso.

O coração sangrando pede alento,
Mas só recebe o frio do sofrimento.
Assim caminho, prisioneiro da distância,
Perdendo em cada hora a esperança.

Ó noite, leva ao longe meu lamento,
Entrega ao vento o dorso do tormento.
Que a sombra tua ao menos me console,
E no silêncio faça o peito mole.

Pois sei que nunca mais virás a mim,
E resta à vida um término sem fim.
No livro eterno da cruel existência,
Assina a dor: é sombra, é ausência.

(Betto Gasparetto- v-mmxxi)

Sombras da Ausência

Posted in Sem categoria on 24 de setembro de 2025 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

By Kontext 2v1+InG Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

As sombras crescem no silêncio da demora,
E cada hora é navalha que devora.
O coração, que outrora foi claridade,
Agora vive em cárcere de saudade.

A ausência é fogo que não cessa em arder,
É dor que insiste em nunca se perder.
Procuro a face, mas só encontro o nada,
E a noite fria torna-se aliada.

Os passos meus ressoam pela rua morta,
Mas nada vem, ninguém me abre a porta.
A cada esquina espero teu semblante,
Mas só me surge o vento, delirante.

A lua olha em júbilo severo,
E faz de mim refém do próprio zero.
A ausência tua é sombra que me veste,
E o fardo é pedra que no peito reste.

(Betto Gasparetto- v-mmxxi)

Que a Espada Caia

Posted in Sem categoria on 22 de setembro de 2025 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

By Kontext 2v1+InG Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

Ó coração, que tanto resististe,
Agora dorme, ao tango não persistes.
Que a espada caia, e nunca mais se erga,
Que a noite fria tua dor enterra.

Melhor ceder do que morrer tentando,
Melhor calar que sempre estar clamando.
A paz que resta é feita de silêncio,
E nela encontro o consolo mais imenso.

E se algum dia a vida me cobrar,
Que saiba ao menos que tentei amar.
Mas na batalha o amor se fez tirano,
E transformou em pó meu gesto humano.

Agora ergo na escuridão final,
Um cântico breve, triste e sem igual.
É a elegia da rendição cansada,
Que faz da dor a companhia derradeira.

(Betto Gasparetto- v-mmxxi)

Tempo Sem Vitória

Posted in Sem categoria on 21 de setembro de 2025 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

By Kontext 2v1+InG Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

Diante da noite ergo bandeira branca,
A luta cessa, a dor ainda me espanca.
Não mais persigo o sonho que me engana,
Aceito o peso da derrota insana.

Os braços tombam, não há força ou brio,
Só resta o corpo entregue ao próprio frio.
A guerra finda em campo desolado,
E em cada ruína jaz meu tempo.

Busquei nas armas sustentar a chama,
Mas foi a dor quem sempre mais me inflama.
De nada servem lanças ou escudos,
Se o peito é frágil e os golpes são agudos.

A mente cansa, o espírito se rende,
E a esperança em cinzas se suspende.
Já não me ergo, não me cabe mais lutar,
Prefiro a noite ao sol que não vai voltar.

Na rendição encontro algum descanso,
Por mais que seja amarga como o pranto.
Entrego o peito ao tempo sem vitória,
Que escreve em pedra a minha própria história.

Não mais combato, não mais guardo ira,
Pois toda luta só me tira e fira.
Agora aceito o peso que me cabe,
E deixo o sangue secar onde já sabe.

(Betto Gasparetto- v-mmxxi)