Arquivo para outubro, 2025

Testamento da Noite

Posted in Sem categoria on 16 de outubro de 2025 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

By Kontext 2v1+InG Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

No véu da noite, os astros se desfazem,
E em meu olhar, recordações jazem.
O peito clama a paz que não alcança,
E a vida esvai-se em tênue esperança.

O tempo, ingrato, arrasta o coração,
E o deixa nu, sem sonho ou salvação.
Só resta ao homem ceder ao esquecimento,
E ver no nada o próprio testamento.

As lágrimas se escondem no vazio,
E o rosto pálido se torna frio.
No abismo ecoa a voz da desistência,
E o mundo jaz em fúnebre consciência.

O céu, outrora abrigo da esperança,
Agora é manto negro de vingança.
E neste leito, o sono eterno vem,
Aplaca a dor, apaga o que já tem.

Assim termina a chama da ilusão,
No véu da noite jaz a solidão.
E cada estrela apaga em desalento,
Testemunhando o humano sofrimento.

(Betto Gasparetto- v-mmxxi)

Rosa Morta

Posted in Sem categoria on 15 de outubro de 2025 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

By Kontext 2v1+InG Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

No campo seco jaz a rosa morta,
Que outrora abriu-se à brisa que conforta.
Mas hoje é pó, é sombra sem perfume,
É marca vil de um coração sem lume.

Assim é o peito que já tanto amou,
E no abandono lento se apagou.
Do pó da rosa nasce só saudade,
E dela cresce a dor da eternidade.

A lágrima, insistente peregrina,
Refaz o erro em que meu ser se inclina.
E nesta cena, onde a dor é soberana,
O chão do palco range e me profana.

Não mais persigo o sol na claridade,
Basta-me o breu da própria eternidade.
A vida é peça, breve ato sem vitória,
Onde o amor nasce e morre em vã memória.

Doce ilusão, promessa que me engana,
Deu-me ruína, pó, tirânica cabana.
Agora ergo a voz da despedida fria,

Rendo-me ao fado que meu ser esvazia.
Que reste à noite, em tênue e mansa paz,
O eco frágil do amor que não se faz.

(Betto Gasparetto- v-mmxxi)

Espelho da Desilusão

Posted in Sem categoria on 14 de outubro de 2025 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

By Kontext 2v1+InG Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

No espelho vejo um rosto já cansado,
Marcado pelo tempo e pelo fado.
As linhas são histórias mal vividas,
São cicatrizes fundas e sofridas.

O olhar se perde em mares de lembrança,
E busca em vão a chama da esperança.
Mas o que resta é só desilusão,
Que arrasta o corpo à fria solidão.

Mas até lá, só restam aflições,
E sigo preso aos rastros das lamentações.
Talvez um rio lave o chão cansado,
E seja ponte ao lado mais amado.

Até que venha a chuva redentora,
Traçando veios sobre a terra outrora.
Neles verei caminhos diferentes,
Menos sombrios, mais claros e presentes.

E se a paisagem enfim mudar de tons,
Guardarei manso os ecos dos meus sons.
Porque até mesmo o pranto que me guia

Aprende a florescer quando amanhece o dia.
Então os rastros deixam de acusar,
E passam, brandos, só a me lembrar.

(Betto Gasparetto- v-mmxxi)

O Cais da Partida

Posted in Sem categoria on 13 de outubro de 2025 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

By Kontext 2v1+InG Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

O mar revolto canta meu tormento,
E a cada onda aumenta o sofrimento.
O cais deserto é palco de partida,
E nele jaz o resto de minha vida.

As velas partem, levando o meu consolo,
E o coração se perde em pranto tolo.
O mar consome em sal a minha dor,
E afoga em si o que restou do amor.

Queima só mais um instante de memória,
Antes que o breu consuma toda história.
E quando fores pó, fulgor esquecido,
Serei silêncio, sombra, despedido.

No fim, só resta a chama que se apaga,
E a vida cessa em treva que se alarga.
Não mais esperança, não mais claridade,

Só o vazio da cruel realidade.
E nesta noite em que o fim proclama,
Eu me despeço: és tu, minha última chama.

(Betto Gasparetto- v-mmxxi)

Enquanto o Tempo Sopra

Posted in Sem categoria on 12 de outubro de 2025 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

By Kontext 2v1+InG Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

Se algum alicerce ainda me sustenta,
É a lição nua que a ruína apresenta.
Que todo encanto é argamassa instável,
E todo afeto é torre vulnerável.

Mas se o deserto pede voz e abrigo,
Faço do peito um pequeno castigo:
Casa de pedra clara e porta aberta,
Onde a humildade habita, mansa e certa.

E enquanto o tempo sopra e desfaz planos,
Reaprenderei tijolo após meus danos.

Teu nome ecoa em cada rua deserta,
E em mim se abre uma ferida incerta.

A noite guarda o frio da saudade,
E o coração declina à ansiedade.
As sombras dançam, rindo de meu pranto,

E em cada canto ouço o teu encanto.
Mas sei que foste e não vais regressar,
E em mim só resta o árduo de esperar.

(Betto Gasparetto- v-mmxxi)