Arquivo para novembro, 2025

A Névoa Insiste e Tece

Posted in Sem categoria on 20 de novembro de 2025 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

By Kontext 2v1+InG Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

I

Se o mundo é vasto, vasto é teu abraço,
Onde repouso e volto a começar.
Se o mundo é duro, doce é teu espaço,
Onde a coragem sabe me buscar.

Teu nome cabe inteiro na manhã,
Desajeitando toda lembrança-vã.
Eu sigo firme, como quem se esquece,
Do frio que a névoa insiste e tece.

Tudo que pesa aprende a ser semente,
Quando tua calma pousa, transparente.

II

Teus olhos são janelas para um campo
Que não termina em cerca ou em muros.
Neles o tempo deixa o velho pranto,
E o chão produz afetos mais maduros.

Eu me converto ao pacto do cuidado,
Aprendo a escuta, o gesto, a paciência.
No teu olhar, o mundo é decantado,
E resta o que é de fato, não aparência.

Assim, de mãos unidas, pão e lume,
Erguemos nossa casa sem costume.

(Betto Gasparetto- vi-mmxvii)

Afeto Soberano

Posted in Sem categoria on 19 de novembro de 2025 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

By Kontext 2v1+InG Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

I

Eu te conheço antes de te saber,
Como quem acha a fonte num deserto.
Teu passo ensina o meu a renascer,
E tudo o que era longe fica perto.

Não prometemos ouro nem castelos,
Apenas chão, confiança e cotidiano.
Mas nesse pouco moram mil relevos,
De sol, de pão, de afeto soberano.

No livro aberto de uma tarde clara,
Tua presença é a linha que prepara.

II

O beijo é rito novo e ancestral,
Assina a paz depois de cada guerra.
No seu calor, o medo perde o sal,
E a vida aprende a música da terra.

Tua respiração dita a medida
Do passo franco rumo ao porvir.
Sem alarde, costuras minha vida,
Com linha honesta, pronta a resistir.

E cada ponto é voto silencioso,
De um futuro simples, luminoso.

(Betto Gasparetto- vi-mmxvii)

Tratado da Ternura Inacabada

Posted in Sem categoria on 18 de novembro de 2025 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

By Kontext 2v1+InG Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

I

Teu nome é uma brasa que não fere,
Aquece o instante e alonga e emana.
No peito, a antiga dúvida se rende,
E a vida aprende a escrita mais humana.

Teu riso, correnteza que me guia,
Desata os nós do medo e da demora.
Quando me tocas, a noite se ilumina,
E o mundo acha sua voz de aurora.

Teu passo dissolve trânsitos sem fim,
E em mim inaugura um chão de jardim.

II

Teu gesto é o ofício de quem cuida,
Uma ciência antiga e sem alarde.
No fundo dos teus olhos há um porto,
Onde a saudade atraca e se acalma.

Eu guardo em mim o mapa dos teus dias,
E sigo as margens claras do teu rio.
No contorno da alma, doce brisa,
Teu nome é abrigo, pão e desafio.

Se a tarde pesa, o vento te traduz,
E o coração entende a própria luz.

(Betto Gasparetto- vi-mmxvii)

No Contorno da Alma

Posted in Sem categoria on 17 de novembro de 2025 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

By Kontext 2v1+InG Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

I

No rumor do teu colo cabe um mundo,
Com ruas que regressam à ternura.
Teu silêncio é um poema que responde
A toda pergunta antiga e obscura.

Quando te escuto, o tempo se ajeita,
Descobre o compasso de viver.
E o que era ausência vira colheita,
E o que era inverno aprende a florescer.

A casa inteira muda de estação,
No sulco generoso da tua mão.

II

Se a chuva cai, teu nome é cobertor,
Se o sol é forte, és sombra delicada.
Em cada hora, uma língua de amor,
Que aperfeiçoa a fala enamorada.

Teus dedos dizem coisas que não digo,
E o corpo aprende a pausa necessária.
Por ti reviso o mapa do perigo,
E escolho a estrada mansa e voluntária.

Na travessia, leve como um véu,
A esperança escreve azul no céu.

(Betto Gasparetto- vi-mmxvii)

O Medo Aprisiona

Posted in Sem categoria on 16 de novembro de 2025 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

By Kontext 2v1+InG Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

I

Teu nome pousa em meu peito sem ruído,
E a noite aprende a nascer do teu olhar.
A lua inclina o corpo, comovida,
Para escutar teu riso desenhar.

Em ti descubro um mapa de calmarias,
Onde o desejo afina a própria voz.
O vento passa e dobra melodias,
E o mundo fica inteiro entre nós dois.

Meu passo aprende o rito dos teus passos,
E o chão floresce em pólen de ternura.
Teu gesto abre janelas e abraços,
Faz da memória uma casa mais segura.

O tempo, em teu cabelo, desacalma,
E torna a tarde um barco sem partida.
Se tocas devagar a minha alma,
O medo rende os pesos da medida.


No sulco delicado da presença,
A solidão desaprende o seu lugar.
Tudo que um dia foi sombra e sentença,
Vira clarão disposto a perdoar.

II

Teu corpo escreve a paz no meu cansaço,
Com tinta leve e sílaba de sol.
Eu recolho os segredos no teu braço,
E volto a ser menino em caracol.

Se a distância inventasse o impossível,
Teu eco me faria atravessar.
O amor, quando é maduro e indestrutível,
Aprende a ser silêncio sem calar.

Por entre as ruas íntimas do peito,
Caminho em ti como quem vai rezar.
Mas reza aqui é só rumor perfeito:
A respiração do verbo amar.

Teu beijo é madrugada sem fronteira,
Que veste o céu de um azul mais compassivo.
E a vida, que era áspera e inteira,
Aceita, enfim, ser mais que sobrevivo.

No cume delicado da promessa,
Desliza um fio de ouro pela tarde.
A esperança, paciente como teça,
Costura sonhos na medida exata.

III

Quando tu ris, a brisa se perturba,
E o violão desperta no jardim.
O coração, que outrora pouco acurva,
Se inclina inteiro e diz que é sempre assim.

Tuas mãos desenham portos nos meus ombros,
E os mares migram para a luz da pele.
Eu perco o medo antigo dos escombros,
E o tempo aprende a demorar-se e nele.

Teu passo é curso d’água em pedra lisa,
Que encontra brechas, canta, e não se apressa.
Teu olho é farol que tudo avisa,
E acende em mim o lume da promessa.

Se for preciso andar por noite e bruma,
Levarei tua voz por guia e chama.
Pois cada letra tua acende a espuma
De um mar que, em mim, só sabe que te ama.

A vida é breve, dizem, e insistente,
Mas teu abraço alonga muito o dia.
E aquilo que era sombra reincidente
Esquece a dor e aprende a melodia.

IV

Nosso futuro cabe no presente,
Como um jardim guardado dentro da semente.
E cada pétala, cândida e urgente,
Rebrota em nós, suave e permanente.

Se alguma ausência ousar tocar teu rosto,
Serei fronteira em guarda e mansidão.
E o mundo, que era alheio, sem desgosto,
Virará casa em teu coração.

Quando anoitece e a cidade silencia,
O peito acende um lume azul-dourado.
Teu nome volta e canta em sinfonia,
E o medo dorme, manso, adormecido.

Eu te prometo nada além do inteiro:
A febre doce e clara de existir.
Te prometo um caminho verdadeiro,
Onde o afeto é verbo por florir.

E quando a aurora abrir sua cortina,
Hás de encontrar meu ombro ainda ali.
Porque o amor que em nós se ilumina
Aprendeu, cedo, a nunca ter um fim.

(Betto Gasparetto- vi-mmxvii)