O Céu Repousa em Desatino

(Betto Gasparetto)

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I

A varanda se abre em pura entrega,
Com flores que não cansam de florir.
O sol se apoia em tua sombra, e não nega
Ao tempo a arte sutil de te seguir.

A escada do teu riso é caminho,
Que sobe em espiral até o infinito.
No alto, o céu repousa em desatino,
E o coração descansa no bonito.

Teu sonho é arquitetura de esperança,
Feita de fé, de luz e confiança.

II

A cozinha exala aromas de ternura,
O pão do amor fermenta o cotidiano.
E o fogo, em sua chama mais pura,
Queima o egoísmo e o engano.

No canto, o bule assovia memórias,
Enquanto a tarde pousa na cortina.
E o tempo, em calma, escreve histórias
Com letras doces de farinha e sina.

Assim o lar, pequeno e discreto,
É catedral do simples, mas completo.

(Betto Gasparetto- vii-mmxvii)

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