Arquivo para dezembro, 2025

O Céu Repousa em Desatino

Posted in Sem categoria on 16 de dezembro de 2025 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

By Kontext 2v1+InG Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

I

A varanda se abre em pura entrega,
Com flores que não cansam de florir.
O sol se apoia em tua sombra, e não nega
Ao tempo a arte sutil de te seguir.

A escada do teu riso é caminho,
Que sobe em espiral até o infinito.
No alto, o céu repousa em desatino,
E o coração descansa no bonito.

Teu sonho é arquitetura de esperança,
Feita de fé, de luz e confiança.

II

A cozinha exala aromas de ternura,
O pão do amor fermenta o cotidiano.
E o fogo, em sua chama mais pura,
Queima o egoísmo e o engano.

No canto, o bule assovia memórias,
Enquanto a tarde pousa na cortina.
E o tempo, em calma, escreve histórias
Com letras doces de farinha e sina.

Assim o lar, pequeno e discreto,
É catedral do simples, mas completo.

(Betto Gasparetto- vii-mmxvii)

O Tempo se Acomoda

Posted in Sem categoria on 15 de dezembro de 2025 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

By Kontext 2v1+InG Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

I

Teu sonho é a casa onde o amor habita,
Com portas que só abrem de dentro.
O vento, ao passar, saúda e imita
A brisa que te envolve por completo.

Teu corpo é alicerce, muro e ponte,
E o teto é céu de puro amanhecer.
Em cada vão, há luz que me aponte
O rumo exato do melhor viver.

E o chão, tecido em sombra e claridade,
Sustenta o peso leve da verdade.

II

Na sala, mora o riso do descanso,
No corredor, o tempo se acomoda.
O mundo, ao ver teu gesto manso,
Encontra paz e aprende a nova moda.

Nos teus cabelos, rios desenhados,
Correntes de lembrança e claridade.
E os teus olhos, candeeiros delicados,
Iluminam a rota da saudade.

Se o amor tem forma, forma tem teu nome,
Feito edifício que o vento consome.

(Betto Gasparetto- vii-mmxvii)

Quando Te Vejo

Posted in Sem categoria on 14 de dezembro de 2025 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

By Kontext 2v1+InG Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

I

Guardo a distância em caixas de madeira,
Marcadas com a data e com a hora.
Quando te vejo, abro a derradeira,
E deixo o vento livre ir embora.

Não quero o peso triste do que falta,
Quero a leveza clara do que vem.
Teu passo chega e a casa se exalta,
Como se o céu coubesse em nosso bem.

A campainha toca e o sol responde,
E a rua inteira em festa nos esconde.

II

Guardo a coragem ao lado da janela,
Para vestir teus ombros se esfriar.
Se a vida vem com regras e cautelas,
Seremos nós a regra: cuidar.

A manta, as mãos, o chá que te encoraja,
O livro aberto em páginas de calma,
E a voz que lê enquanto a chuva alaga
O medo antigo preso em nossa palma.

E então a noite torna-se caminho,
E o cansaço aprende a ser vizinho.

(Betto Gasparetto- vii-mmxvii)

Silêncios, Madrugadas e Vasos na Varanda

Posted in Sem categoria on 13 de dezembro de 2025 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

By Kontext 2v1+InG Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

I

Guardo o futuro em vasos na varanda,
Com terra boa e água suficiente.
Ali plantamos tudo o que nos manda
O coração — paciente, inteligente.

Crescem manjericões, crescem promessas,
Crescem segredos doces, quase flores.
E cada broto novo nos confessa
Que o tempo sabe cultivar amores.

Eu rego a fé discreta de estar perto,
E o mundo cabe inteiro no concerto.

II

Guardo o silêncio na última gaveta,
Para entregar-te quando te despires.
Ele te veste em paz, e a vida aceita
Que amar também é norma de porvires.

E quando a madrugada for mais clara,
E a casa respirar como oceano,
Saberás que guardar é obra rara:
Não reter, mas cuidar do que é humano.

E assim seguimos, limpos de alarde:
Eu te guardando, e tu, livre de tarde.

(Betto Gasparetto- vii-mmxvii)

O Sol Descansa em Nossa História

Posted in Sem categoria on 12 de dezembro de 2025 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

By Kontext 2v1+InG Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

I

Guardo tua voz nas tábuas do que sou,
Para que a chuva saiba me encontrar.
Ela percorre o mapa que traçou,
E acende a casa, pronta a conversar.

Teu timbre é lã que veste a minha pressa,
E a vida cabe inteira numa sala.
O mundo pede trégua e te confessa
Que só teu colo acalma e não me cala.

O tempo, que fazia linhas duras,
Agora escreve apenas doçuras.

II

Guardo teus passos no pátio do futuro,
Para que a tarde tenha a quem seguir.
A sombra das arcadas fica em ouro,
E a primavera finge não partir.

Nos bancos de madeira o sol descansa,
E a claridade canta no ladrilho.
Eu sento ao teu lado e a esperança
Ajeita a vida em tom de mais brilho.

O piso antigo guarda a nossa história,
E o gesto simples dobra a própria glória.

(Betto Gasparetto- vii-mmxvii)