Arquivo para dezembro, 2025

O tempo se Desdobra em Lâminas

Posted in Sem categoria on 6 de dezembro de 2025 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

By Kontext 2v1+InG Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

I

Teu nome acende ruas na memória,
E a tarde aprende o ritmo do teu passo.
No chão do peito, brota a velha glória,
E o vento afrouxa a tranca do cansaço.

Teus olhos semeiam tardes inteiras,
E o mundo, agradecido, se alinha.
O tempo se desdobra em lâminas primeiras,
E a noite curva a lâmpada que é minha.

Eu te respiro, claro e sem alarde,
E o coração repousa onde te aguarde.

II

Teu riso escreve mapas de ternura,
Com sulcos moles, rios de cuidado.
No gesto teu, a vida se depura,
E encontra abrigo simples, detalhado.

O medo aprende a caligrafia
Que tuas mãos traçaram sobre a pele.
E a dor traduz-se em branda melodia,
Enquanto a paz nos toma e nos repele.

Se te aproximo, o mundo se esclarece,
E até o acaso, dócil, obedece.

(Betto Gasparetto- vii-mmxvii)

O Amor Aceita a Temperança

Posted in Sem categoria on 5 de dezembro de 2025 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

By Kontext 2v1+InG Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

I

Teu passo sobe estrelas no meu rumo,
E os becos da cidade se desfazem.
Eu bebo a luz que em ti encontro, e assumo
Que os dias pesam menos quando me abraçam.

Há brisa no contorno dos teus ombros,
Que guarda o sal do mar que não partimos.
Eu deixo para trás antigos escombros,
E sigo a linha mansa que seguimos.

Em ti descanso, doce e vagaroso,
Como quem volta, enfim, para o repouso.

II

Teu corpo é território de confiança,
E nele erguemos casa sem tristeza.
O chão do amor aceita a temperança,
E o teto azul protege a natureza.

Se chega a chuva, acolho a tempestade,
E em teu calor a tarde se refaz.
O verbo estar, que pede lealdade,
Em tua voz se torna mais capaz.

Nos cantos discretíssimos da pele,
Um lume acende e toda sombra cede.

(Betto Gasparetto- vii-mmxvii)

Teu Silêncio é Verbo Que Me Guia

Posted in Sem categoria on 4 de dezembro de 2025 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

By Kontext 2v1+InG Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

I

Não temas a distância nem a noite,
Nem o esquecimento breve da memória.

O amor, quando é profundo, não se acoite,
Permanece vivo em toda história.

E mesmo se o mundo for ruína,
Restará o nome que te dei:
É palavra sagrada e cristalina,
Que o tempo nunca apagará de lei.

No altar da ausência, deixo esta canção,
Feita de letra, lágrima e oração.

Escrevo ainda, mesmo quando canso,
Pois teu silêncio é verbo que me guia.

II

E o coração, de tanto amor e lanço,
Faz-se poeta em plena profecia.

O vento, cúmplice, recolhe os versos,
E leva ao mar as sílabas que amei.

E o céu responde em tons diversos,
Com ecos doces do que te falei.

Assim, a carta segue, interminável,
Como o amor que a fez inquebrável.

Quando o papel enfim virar cinza,
O céu guardará sua caligrafia.

E o fogo, que consome e eterniza,
Fará do pó uma nova poesia.

E se o destino, um dia, se confessar,
Dirá que o amor é verbo de esperar.

(Betto Gasparetto- vii-mmxvii)

Quando o Adeus se Distancia

Posted in Sem categoria on 3 de dezembro de 2025 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

By Kontext 2v1+InG Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

I

O tempo, velho escriba e paciente,
Assina em nós o pacto do presente.
E o que era sombra torna-se nascente,
E o que era dor aprende a ser semente.

Nos teus olhos, leio a eternidade,
Em caligrafia de luz e de esperança.
Cada linha é uma forma de verdade,
Que o vento sopra e o amor balança.

E se o futuro ainda for distante,
Te espero em verso, firme e constante.

II

No fim da carta, o papel é chama,
E o fogo é o próprio abraço que me resta.
O que não digo, o coração proclama,
Num idioma de ternura manifesta.

Se um dia leres o que não escrevi,
Saberás que as entrelinhas são morada.
Ali escondo o amor que te dediquei,
Em forma pura, imaculada.

E o que arde é mais que emoção:
É prece escrita em nome da razão.

Quando o adeus se distancia,

O amor não mais se fantasia!

(Betto Gasparetto- vii-mmxvii)

A Palavra Amor

Posted in Sem categoria on 2 de dezembro de 2025 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

By Kontext 2v1+InG Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

I

Se o dia chega, apago o que é trivial,
E deixo o essencial permanecer.
Teu riso é tinta em tom universal,
Que cobre a dor e faz o mundo crer.

Há em tua fala o dom da arquitetura,
De transformar em abrigo cada som.
E o coração, liberto de moldura,
Encontra em ti seu verbo e seu tom.

Assim a carta cresce, viva e justa,
E o peito é selo, entrega e confiança.

II

Não há papel que caiba o sentimento,
Nem mão que o verso possa terminar.
Mas há, na alma, o santo fundamento,
De te querer, de novo, sem cessar.

A palavra amor é pouco e insuficiente,
Quando tua imagem vem me visitar.
Por isso o verbo nasce reluzente,
Querendo o mundo inteiro iluminar.

E o que escrevo é mais do que linguagem:
É rito, é fé, é vida em tatuagem.

(Betto Gasparetto- vii-mmxvii)