Monólogo: Até as Sombras Choram

(Betto Gasparetto)

By Kontext 2v1+InG Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

Há noites em que a luz desiste
E as sombras assumem o mundo
Elas crescem nas paredes
E aprendem a sentir
Sombras guardam memórias
Que os corpos rejeitam
Elas escutam tudo
Quando o silêncio domina
Até as sombras choram
Sem lágrimas
Mas com peso
O chão sente
As paredes absorvem
Sombras não mentem
Apenas refletem
O que foi esquecido
Elas se alongam
Quando a dor aumenta
Encolhem
Quando a esperança ameaça voltar
Há sombras que imploram
Outras acusam
Todas testemunham
O que ninguém confessa
Sombras conhecem segredos
Que a luz teme revelar
Elas vivem do resto
Do gesto incompleto
Da palavra engolida
Quando o amor parte
A sombra permanece
Quando o ódio grita
A sombra escuta
Sombras não escolhem lados
Mas sofrem as consequências
Até as sombras choram
Quando o humano falha
Quando o tempo pesa
Quando o perdão não vem
Elas tremem
Ao toque da culpa
E se espalham
Para não desaparecer
Sombras sabem
Que a luz é breve
E que o escuro
Sempre retorna
Por isso choram
Em silêncio disciplinado
Sem plateia
Sem absolvição
Sombras não pedem redenção
Apenas suportam
E guardam
Tudo o que caiu
Do coração dos homens

(Betto Gasparetto – viii-mcmxcvii)

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