O Que Permanece Quando Tudo Passa (08/10)
(Betto Gasparetto)
Reconstruir não foi esquecer.
Foi decidir continuar
sem exigir pureza do passado.
O amor deixou de prometer
e passou a sustentar.
Capítulo VIII — Pós-Guerra e a Reconstrução
Najillah, a Musa — A Escolha Diária

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Com o tempo, ela parou de esperar milagres.
Passou a valorizar pequenas vitórias.
Um sorriso espontâneo.
Uma noite sem sobressaltos.
Um diálogo mais longo.
Ela ajustou expectativas.
Não por resignação.
Por maturidade.
Ela começou a propor novos rituais.
Caminhadas curtas.
Refeições simples.
Silêncios compartilhados.
Ela percebeu que o amor não precisava ser intenso.
Precisava ser constante.
Ela sentiu saudade de quem foi.
Mas não se perdeu nisso.
Ela se tornou mais firme.
Menos romântica.
Mais presente.
A juventude dela não desapareceu.
Apenas mudou de forma.
Ela aprendeu a amar sem exigir explicação.
A acolher sem invadir.
A ficar sem aprisionar.
Ela entendeu que reconstruir
era um ato político e íntimo.
Contra a guerra.
Contra o esquecimento.
Ela escolheu permanecer.
Não por dever.
Por sentido.
Yahzzir, o Menestrel— Reaprender a Viver
Ele começou a perceber mudanças.
Lentas.
Quase invisíveis.
O corpo relaxava aos poucos.
O sono vinha em blocos maiores.
O silêncio deixava de ameaçar.
Ele começou a confiar na repetição.
No cotidiano.
No gesto simples.
Ela estava ali.
Não cobrando.
Não exigindo.
Isso o ensinou mais do que qualquer terapia possível.
Ele percebeu que amar
não era voltar a ser quem foi.
Era aceitar quem se tornou.
Ele passou a falar mais.
Não tudo.
Mas o possível.
Ele começou a habitar o presente.
Sem tanta vigilância.
Sem tanta antecipação de desastre.
Ele entendeu que sobreviver
não era o fim da história.
Era o início de outra.
E isso exigia coragem diferente.
A coragem de permanecer vivo.

(Betto Gasparetto – vi-mcmixvii)























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