Sonetos Imperfeitos: Um Tempo, Meio-Tempo, Um Passatempo Ardil (07/10)
(Betto Gasparetto)

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7. O ARDIL QUE O TEMPO COSTUROU
O tempo inteiro quis te costurar
Às linhas brandas deste coração;
Mas meio-tempo é modo de escapar,
De adiar o lume da decisão.
Teu passatempo é tática e razão,
É fuga disfarçada de ternura;
E o ardil pousa como vil canção,
Que embala a noite e mata a candura.
Até quando essa trama persistirá
Entre teus dedos tímidos e frios?
Até quando o engano reinará?
Se me desejas, rompe os desafios;
Se não me queres, deixa que o mar
Leve o adeus que guardo nos navios.
(Betto Gasparetto – mmxv)
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