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Mudanças: a coreografia de um leigo

Posted in 00 Livressílabos, Crônicas, Poemas, Poesia on 1 de fevereiro de 2008 by Prof Gasparetto

visitando Daysi in Conspirações

Mudei o rosto e o riso
            o olhar
            o gosto e o gostar!
Apenas mudei!

Mudei as palavras e as frases
            o andar
            a paixão e o ódio!
Apenas mudei!

Mudei meu canto em tristeza
            meu choro em cantiga
           assim como sonhos e atropelos!
Apenas mudei!

Mudei minha oração
            minha saudade
           minha aflição!

Tentei mudar meu rumo em qualquer esquina.
            Fiz várias mudanças!

Mudei!

Mas esqueci de lhe mudar!

Fui apenas um inquilino despejado
tendo como aluguel a falsa mudança!

(Jan: 31, 2008)

Poema da Sustentação – VIII

Posted in 00 Livressílabos, Pensamentos, Poemas, Poesia on 31 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

VIII– Os Milagres

Às vezes mais que um simples amante
Que lapida um coração de vidro
E quando trinca perde seu valor cortando
E vai sangrando pelo peito afora!

Precisava de um tempo só pra mim
E na realidade nosso tempo se esgotou,
Fico à margem de um vazio muito triste
Esperando acontecer um só milagre!

Sem mais querer ferir meu coração injusto
De sobrevivência aos teus penhores vãos
Digo que partirei vagando hoje
Pois estou cansado de querer buscar!

Adeus como de despedida de adeus
Num só momento imaginei tão sóbrio
Na seriedade de morrer sozinho
Sem ter alguém que irá morrer tão só!
(Ago: 18, 1981)

Poema da Sustentação – VII

Posted in 00 Livressílabos on 31 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

VII – As Lembranças

Minha boca sente a sede de te ver
Com chama de arder quem chama
Descompassado o coração de leigo
No leito eterno de tua companhia!

Já vejo a hora de partir sem sol
Repousando no poente e pó
Bastava vir meus olhos no horizonte
Serem fisgados por outros anzóis!

E sono é tão resplandecente agora
Que vou soluçando no engatilhar visagem
Não há uma solução que te infinite hoje
Meu vulto deita e não levante mais

Pudera eu voltar aquele encontro
Que ontem se tornou lembranças
Desmaio num olhar que cega
E finda um aperto de mão!
(Mai: 30, 1981)

Poema da Sustentação – II

Posted in 00 Livressílabos, Pensamentos, Poemas, Poesia on 31 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

II – As Distorções

Às vezes vago sempre numa luta
Nos livros teus a ânsia de saber
Procurando-me em realeza oculta
Que se aproxima sempre no querer!

Em tal momento os olhos se cegueiam
Incendiando a ira de ser cego
E no meu peito amores se semeiam
Se arremessando ao abismo incerto!

Esta paixão em nós que se agiganta
Que não avisa aos falsos desalentos
O nó vai apertando na garganta
Vai distorcendo todo o pensamento!

Às vezes fico rindo quando caio
Com olhos cheios de orgulho e pena!
Se acreditasse em todo teu desmaio
Daria à vida toda uma cena!

(Jan: 12, 1981)

Perfumes ao Vento (ou Rastros de Adeus) XIV

Posted in 00 Livressílabos, Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 31 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

XIV – JUÍZOS

I
Creio que me pus em mesa rústica
A gota que faltava do cálice,
Julgando para não ser julgado;
O difícil é abdicar o peso
Pois o peso não te leva e nem trás…
O peso torna-se o dobro a cada caminhada
Sem saber por si quem resiste?

Começo pouco a pouco me transportar
Por esferas polinizadas de perdão…
Não mereço tão sublime verso
Que não cogite teu corpo elementar!
Meu beijo te percorre no etéreo
Ao beijo antes que se pretendia,
Teu mar flutua ao que se pretendia!

Teus olhos, ah! Teus olhos que brisa tem…
O transparece arbóreo que se ata em chama
No fruto que se torna fruto,
Fruto das consciências básicas do outono!
Meu presságio reivindica tudo que é belo.
Mesmo sendo velho como as talhas
Que nasceram “La Pietá”, me sinto agora!

II
Seiva bendita seiva, percorrendo tua carne!
Voz aveludando meus ouvidos quando fujo,
Quando volto me desespero em te sentir,
Como aura que tonteando o ser te diviniza
Pondo-nos no mais perfeito ato.
Ajoelhando posso me sentir ao chão de tuas vinhas,
Beijo-te como se não houvesse horas, nem tempo!

Meu presságio exterioriza em forma agressiva
Cortando minhas palavras, e se tomba o cálice
Atirando-me o vinho, o pão embebecido verte,
O vértice de minha vã filosofia!
Tranco-me nesta batalha irremediável
Mostrando-me falsas armaduras
Scalibur no palco psiquiátrico do ser!

Mãos que se deslizam, desligam
Num abalo sísmico de formas e presságios,
Mais uma vez o cavaleiro golpeia-me
Ferindo a mim e ao meu Kavalluz!
A luta se cronometra por uma reluscência
Justapondo nossas mãos num único aríete.
Bendito por tua voz e única musa!

III
Agora sei porque me distancio de teus rosados,
Maneiras vulgares e vulgarmente me cresci!
Tua pele roçando em meu rosto pálido
Quer decifrar o enigma das supremas cortes,
Aliando-me aos teus veneráveis mestres
Criara o sortilégio casto de maças,
E gradis nos murais floridos dos teus jardins!

Escapa-me agora a sede de falar-te um pouco
Sobre as paixões pintadas pelos corredores,
E pena sonhava no tinteiro o pergaminho
De falar-te em tudo, em tudo que ouvi…
Teus súditos me olhavam víboras repentinas!
E por entre as mãos entrelaçavam os dedos
No anseio de furtar-te ao menos uma noite!

(Jul: 23, 2001)