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Singulares

Posted in 00 Livressílabos, Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 31 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

Nós e nós e
Nós e nós e nada!

Nada e nada e
Nada e nada e afeto!

Afeto e afeto e
Afeto e afeto e não há mãe!

(Mar: 21, 1980)

Sete Silabas de Adeus

Posted in 00 Livressílabos, Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 31 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

I
Quero um dia morar debaixo da terra:
Criar raízes nos corpos carnais,
Encontrar um mundo que cerra
E ficar cego ouvindo meus ais!

Quero ouvir o coro dos vermes
Lamentando o que jaz,
Minha ferida viva, bate, late
E que não se mate a paz…
Retumbam os corações
Decoram as orações
Que não desate mais!
-“Vai seguir teu rumo!!!”

II
Quero um dia morar debaixo da terra:
Como quem explora das ervas os sais
E como etílico se embebedar de trevas
Num tédio das sombras e dos umbrais!

O vento sopra em meu jazido
A lápide negra que se desfaz;
A canção continua, nua, crua nos jazigos,
E juram se desterrar…
O assovio das ruas
Num arrepio de animais…
-“Vai seguir teu rumo!!!”

III
Quero um dia morar debaixo da terra:
Como quem chora e ora coisas banais
Ressuscitando a esperança que berra
Como quem a saciar um copo de água raz;

A paisagem roda me tortura
Quando anoitece os olhos naturais
Por mais que se cubra
A pele toda se escama
Entre tertúlias e pedras
Cobertas pelos mortais!
-“Vai seguir teu rumo!!!”

IV
Quero um dia morar debaixo da terra:
E sentir as snsações de horas finais
Pintar minh’alma na lama das telas
E tê-las como presença demais!
-“Vai seguir teu rumo!!!”

V
Quero um dia morar debaixo da terra:
Lamentando ter sido humano demais,
Sendo ao mesmo tempo ansiedade
Nos seios desta ingrata matéria…
Se a mim, um sim não basta!

Outrora nascesse discurso
E, contudo se hoje me calo
No leito que pisei
E agora são sete segundo
São sete minutos,
São sete horas,
São sete dias,
São sete semanas,
São sete meses,
São sete anos,
São sete séculos,
São sete palmos somente!

Impreterivelmente declaro:
Quis proclamar minha falência
E ninguém me ouviu,
Mas disseram num tom covil:

-“Vai seguir teu rumo!!!”

VI
Quero um dia morar debaixo da terra:
Mas antes,
Quero levar meu cortador-de-unhas!

(Dez: 19, 1978)

Sentenças Explícitas

Posted in 00 Livressílabos, Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 31 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

Eu não tenho tempo
De ser presente no indicativo,

Sou um sujeito oculto
Sem complemento no predicativo!

Sou uma palavra apenas
Sílabas e lábios substantivos!

Satisfaz-me tua oração,
Persigo meu dialeto imperativo
Introduzindo adjetivos!

Perco-me em hipérboles,
Metáforas, métricas
E rasuras!

Somos um pleonasmo Imperfeito!
Qual é a minha sentença?
Qual é a tua sentença?
Qual é a nossa sentença?

Palavras!
Palavras!
Palavras!

É tudo o que me dizes?

Agora refaço uma leitura
E caio na realidade
De ser uma frase apagada
Nas mãos de um analfabeto!

(Out: 02, 1981)