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Separações

Posted in 00 Livressílabos, Acróstico Clássico, Crônicas, Pensamentos, Poemas on 29 de março de 2008 by Prof Gasparetto
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(By George Grie )

Tordesilhamos nossas vidas…
Retiramos as colunas dos átrios…
Abaixo das discussões ficamos!
Tordesilhamos nossos espaços…
Acreditamos em pactos…
Direitos e deveres…
Outorgamos o que entendíamos ser justo!
Separamo-nos em metades, somente!
Elevamos nossas diferenças!

Ditamos regras um ao outro.
Impusemos limites às falas,
Silenciamos no debate!
Criticamos a barbárie,
Olvidamos os ataques.
Retiramos as estratégias…
Divulgamos revoluções…
Arquitetamos territórios…
Nem sequer nos ouvimos…
Criticamos a barbárie!
Imitamos os bárbaros…
Ameaçamos um golpe de estado,
Suspeitamos de nossas tréguas!

Sumariamente suspeitos!
À margem do processo estamos,
Observando algo diferente!

Atentados ao pudos, manifestamos!

Novas trincheiras, novos silêncios!
Ouvimos reconciliação…
Sentimos natos?
Sofrimentos gratos?
Ainda, nenhuma referência…

Suplicamos os feitos!
Entendemos que ora o momento,
Avaliamos os estragos causados,
Retiramos as estratégias,
Ameaçamos indignações…
Como entender tudo isso?
Abandonar simplesmente o posto?
Ou avançar na hostilidade?

Emoções iradas!

Orações pra nada!

Quem sobrevive?
Um ou dois?
E os demais?

Blindados modos de respeito!
Abruptos modos de respeito!
Somos ainda sobreviventes?
Trocamos o tudo pelo nada!
As diferenças é que venceram!

Estamos e somos banidos!

Obrigatoriamente, estamos e somos banidos!

Quiçá, retirássemos as farpas.
Ultimato de identidades
Elimina-nos das coerências…

Bendito sejam os teus dias
Ainda que carregues a soberba como identidade,
Saberei que a batalha findou-se!
Teimamos em construir uma vida juntos,
Agora, temos um MEMORIAL À INSENSATEZ!

Príncipe de Arrimo

Posted in 00 Livressílabos, Crônicas, Pensamentos, Poemas on 29 de março de 2008 by Prof Gasparetto

Sei que não quero abandonar
Por inteiro, ou simplesmente fatias deixar,
De um bolo velho de uma festa triste!

Caso não me encontre ainda em tantos
Caminhos que vejo não são para mim
À verdade que insistes em mostrar!

Valha-me Deus, se estou errado:
Pesos tortos, mente fosca.
Se em minha visão árdua de paixão concreta.
Caí em mim formando o risco em fendas
Ao meu coração articulado!

Pecado não poder aproveitar
Todas essas horas,
Junto com os meus…

O remorso me caleja a alma,
E o amor vai gotejando orvalho
De compaixão e tristeza…

Fora eu deserto, ou ilha,
Que se afoga na imensidão
De tuas noites!

Concepções pegam-se de surpresa,
O nó arrematado e achagado
Em minha fuga,
Vai se tornando parte de mim por inteiro…

Mas eu sou simplesmente, metade de mim!

Fico buscando, não sei o quê!
Canso-me!
A noite vem tão rápida que não quero dormir
Na imaginação de meu sono!

Não sei contar!
Não sei descontar!

Acho tudo tão claro para outrem,
Que fico analisando a mim,
Um pobre ser que não consegue
No caminhar, te ver inteira!

Todos têm a mesma chance
Do primeiro degrau!

É fácil!
Com as duas mãos sobre o joelho esquerdo,
Farão o ato de levantar
Deste chão esquecido
E conduzi-lo…

Não sei se é fácil!
Penitencio-me de tudo!

Eu não sei que sufoco
Esse que perambula minhas artérias,
E demais insignificâncias,
Ante aos patrimônios socráticos que esculpi!

Creio que estou muito longe
Do Criador!
Eu criatura, celulaísta, perseguidor da razão!
Algoz encapuzado de vergonha
Anti viventi, operador das letras mortas
Das línguas viúvas do passado…

Talvez esteja eu
Querendo penetrar no âmago das coisas!

Raras coisas raras…

Responsabilidades persistem!

Seria isso, que minha alma detenta,
Tenta rebelar tais fatias?

Devo estar me considerando
Um foragido dos fatos?

Um termo correto para tudo isso,
Talvez seria chamar este conjunto
De minha maquiavélica vida!

….

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Mulher

Posted in 00 Livressílabos, Acróstico Clássico, Poemas, Poesia on 29 de março de 2008 by Prof Gasparetto
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( Michael and Inessa Garmash)

Méritos, deveríamos dar aos teus esforços…

Utilizaram vossas compreensões
Levando-se em conta a falta de reconhecimento!
Habitávamos nos vossos disfarces para sobreviver!
Entregamos as máscaras por respeito a vós mesmas…
Recompondo a realidade fria que impuseram…

Manifestações aconteceram no passado,
Urbanas formas frágeis gritavam pelas ruas,
Lavraram-se atas questionadoras…
Hastearam-se perseguições profanas,
Entrevistaram-se os marginais pelos seus valores,
Recolhiam-nos os direitos de vossa voz à milícia!

Mesmo com todos os rigores,
Unificávamos vossas vozes e continuávamos lutando!
Líamos vossas cláusulas e cumpríamos…
Humilharam vossos perfis, mas não vos intimidaram!
Entre todos os rigores coercitivos, não perdemos o vosso reinado!
Reinamos e reinaremos com o vosso poder feminino!

(Fev: 28, 2008)

Execução Sumária

Posted in 00 Livressílabos, Crônicas, Poemas, Poesia on 29 de março de 2008 by Prof Gasparetto

Suspenderam todos os motivos!
Iam nos levar aos inquéritos,
Não quiseram que fôssemos a referência!
Tiraram o nosso pão, tiraram a nossa água…
Obrigaram-nos a que nos despojássemos da virtude!

Queimaram nossos livros das estantes,
Urraram pelos corredores,
E estivemos lá, escondidos, em nós!

Em nós atados!!!
Suspensos em forquilhas,
Traumatizando o nosso simples!
Obrigaram-nos a conviver com o silêncio!

Mastigamos as injúrias e as injustiças, cuspimos!
Os nossos ouvidos foram lançados na surdez…
Riamos feitos tolos!
Riamos de insanos!
Envolvíamos em Araks e turbantes…
Nebulosamente esquecíamos de tudo que era ruim!
Dos encontros em bibliotecas fomos perseguidos!
Ou das leituras em parques distantes, éramos clicados!

Eram sempre os mesmos: nós!

Nós que escrevíamos tanto:
Invejaram nossos ideais!
Nós que cantávamos tanto:
Gritavam: -“Silêncio!”
Únicos nas praças!
Entre tantos cegos e pelegos,
Mutilaram a ideologia!

Muitos tombaram,
Entre os muitos, nós!

Os nossos filhos se encheram de lágrimas,
Umedecemos nossas vestes com a vergonha,
Vergonha que na nossa terra os nossos olhos têm!
Existem abortivos modos de matar a liberdade: é negando pão!

(Mai: 16, 1988)

Dragonesa

Posted in 00 Livressílabos, Crônicas, Poemas, Poesia on 29 de março de 2008 by Prof Gasparetto

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(photo by Renso Zevallos)

Teus olhos dragonesa
Dragam-me, me esmagam,
Engasgo olhos de paixão!

Teu ventre te queima em ritos
No cedro do musk ao sândalo
Nos versos olhos dragonesa…
Titilita entre os dentes
O fogo que te envolve,
Nas vírgulas sangüíneas
Das veias deste ébano
Marfinizado de desejos!

Teus olhos, sim, dragonesa…
O gama dos raios me filtra
E dos parapeitos que jogo ao solo
Os tijolos revestem teu piso,
Os jogos ficam soltos com teu piso,
Circunflexo atômico, diria!
Que se delta em minhas
Únicas trinta e três vértebras!

Tuas túnicas de tua razão dragonesa,
Queima nosso leito vertente!

Serpenteias, dragonesa!
Tira tua túnica tragicômica
E queima nosso leito animal!