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Cárcere privado

Posted in 00 Livressílabos, Crônicas, Poemas, Poesia on 29 de março de 2008 by Prof Gasparetto

Fiquei à margem das palavras em tua boca
Criando rimas sem saber poetizar
Não tive outra maneira
Senão virar as páginas que ainda não escrevemos!

Fiquei a observar todos os modos
De como eu iria proceder
Num rito iniciante te abordei ali
Com gestos tão sublimes ficamos parados!

Fiquei em alguns segundos envaidecido
Por ter no teu olhar a minha imagem
Contemplo teu silêncio para por ser sábia
Que meu saber me torna ignorante!

Fiquei nas tempestades naufragado
Uma espécie de um ridículo pescador
Querendo alcançar algumas ondas
E na calmaria içaste-me um olhar!

Fiquei à margem relembrando tua boca
A mastigar sonetos de Vinícius,
E questionei sozinho às estrelas:
Por que lá no passado não te encontrei?

Fiquei perplexo e o mundo em ironia
Respondeu-me como se eu fosse vitimado
Um gesto me marcou solenemente
Que nem acreditei que alguém um dia me amou!

Fiquei a vasculhar pela internet
A sombra, o suspiro de nós dois,
Mas as respostas sempre eram as mesmas:
“NÃO LOCALIZADO”!

Fiquei em minhas noites tão calado
Que o meu coração estremeceu
Algoz dilacerava todo o meu passado
Cremado nas lembranças que eu morri!

Fiquei tão isolado nesta guerra,
Que nas trincheiras todos os meus poemas foram embora.
Olhando pela janela senti tua presença
Que meus projetos todos estavam a me cobrar!

Fiquei, vou te dizer, com muito medo:
Ao amanhecer ficar sem contentamento
Jogado à margem de uma cama de inverno
Encarcerado para sempre na saudade!

Fiquei, confesso com ciúmes,
De ver pela janela assim vários casais…
Murei meu coração feito um túmulo
Martirizando-me em minhas compaixões!

Fiquei, atrás da porta, com muito medo,
Sentindo que a vida se esvaia por completo.
Garrafas, vinhos tingem os tapetes,
Aqueles quais um dia foram testemunhas do nosso amor!

Amor! Sábio quem te criou!

Posted in 00 Livressílabos, Poemas, Poesia on 29 de março de 2008 by Prof Gasparetto

Amor, sentido único de verdade!
Misterioso na natureza humana,
Originário da benevolência espectral,
Recompensa de poucos!

Amor, dissílabo inquestionável de clareza!
Muitos falam teoricamente,
Outros esquecem, na prática!
Ricos os que têm!

Amor, privilégio inevitável aos talentosos!
Muitos não sabem,
Ou não sentem…
Reservado exclusivamente a poucos!

Amor contemplativo da Vida!
Milhares escreveram sobre.
Outros nem leram…
Retiram das estantes sorrateiramente!

Amor, fenômeno que causa revolução!
Muralhas são conquistadas em seu nome!
Os caminhos são abertos a todos que o querem!
Revelações são declaradas aos amantes!

(Nov: 06, 2006)

Amanheceremos

Posted in 00 Livressílabos, Poemas, Poesia on 29 de março de 2008 by Prof Gasparetto

O silêncio
Bate nas janelas
Nas portas que estão fechadas…
– um nevoeiro!

Amanhã quem sabe de manhã
O sol brilhe diferente!
Refletindo no espelho,
O espelho que te reflete!

-O Sol!

-O silencio é um barulho calado,
Foi forçado a calar-se,
Quem sabe amanhã pela manhã
Poderemos chutar
Uma lata no meio da rua,
Gritar, jogar pedras nos telhados de vidro!
Bater nas portas e correr…
… dos vizinhos que não topamos!
Ou será que eles não nos topam?
Bem! É certo que devemos levantar cedinho…
Bem cedinho!
Respirar bem fundo o ar que nos resta!
E tossir desde cedo, aquele “ar” deixados pelos outros!

Tornar-se utópico querer o silencio:
Óculos?
Obstáculos? Pedágios?
Espetáculos? Merendas e bolinhas de gude?

Ridículo!
Maníaco!
Amoníaco pensar assim!

Acúmulo de acústicas palavras
Elásticas fomes dilaceram a sociedade,
E ficamos estáticos pelos banners que nos iludem!
Somos sem etiquetas,
Não temos etiquetas,
Tememos as etiquetas…

Resumindo essa ópera:

Amanhã?
Quem sabe?
Amanheceremos talvez!

(Mar: 18, 1979)

Alma Marinha

Posted in 00 Livressílabos, Poemas, Poesia on 29 de março de 2008 by Prof Gasparetto

O vento vem varrendo nas manhãs
Um gosto teu de andar descalça pela praia,
As ondas quebram o silêncio tão salgado
E tão sublime observo os cirrus,
Que esculpimos!

Deitamos nas areias tão desertas que encontramos
Desenhamos nossos corpos
Construímos juntos teu castelo…

O VENTO VEM…
Estrelas do mar não iluminam nossas pegadas,
Mais sabemos intimamente
Que pisamos úmidos, o nosso espaço!

…VEM VARRENDO…
Surge um arrebol pingente nas encostas
Ditando a nós crepúsculos,
Ou quem sabe em sonetos aos mares
Cremamos-nos!

Mas os faróis nos avistaram em céu aberto,
Na marcha persistente
Do gostar…

O gosto, o beijo insalinado de desejos
Umedecendo o entardecer exato
De nós dois!

…VARRENDO NAS MANHÃS…
Desperto do teu sono a brisa,
O encontro de banhar,
O vento cobre o teu corpo em brisas.
E o momento nos mergulha no querer,
Ilhando os gestos,
Mirando os beijos,
Trilhando nomenclaturas submersas
De amor num só mergulho tua alma!

…NAS MANHÃS UM GOSTO…
Emudecemos as tardes e as manhãs
Envergonhando as noites com gemidos
Naufragados de paixão…

Devoras o sal de minha boca!
Oh1 alma marinha que tão doce
Entregastes teu corpo infinito
De mulher ilhada no prazer!

…UM GOSTO TEU DE ANDAR…

Mergulhados, perdidos em penínsulas,
Descobrimos elos,
Colonizamos ilhas!

… DE ANDAR DESCALÇA PELA PRAIA!
Hoje caminhando pela praia,
Senti teu vento a roçar meu corpo!

Adeus Preconizado de Nós Dois

Posted in 00 Livressílabos, Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 29 de março de 2008 by Prof Gasparetto

I
Estranhos que me estranham em dias
Não sabendo que pelos caminhos todos
Deixamos nossos rastros…

II
Rastros que ficamos rastros
Pelas palavras cruas que fingimos
E que tatuamos nossos corpos…

III
Corpos que esculpimos corpos
Em temas murmurantes e tão frios
No castigo de um único silêncio…

IV
Silencio que gritamos no silencio
Os tangos de um Gardel introvertido
Num salão sem publico presente…

V
Presente que te fiz presente
No meu cantar soprano indiferente
No desafino insulto te dizer adeus…

VI
Adeus que me excluiu adeus
Na sôfrega saudade de amar
Enclausurada morre a nossa alma…

VII
Alma que me fugiu da alma
O toque bárbaro de um banquete
Alimentando nosso ultimo momento

VIII
Momento que se perdeu em um momento
Script ultrajado e cafajeste
Num tempo de Piazzola a torturar…

IX
Sempre torturas que ansiamos em torturar
Os nossos sílabas na pagina arrancada
Também agora o ícone rebelde e covarde…

X
Covarde! Sei que sou mais um covarde
Que seqüestrou teu hímen nas manhas
Na transição do outono para o inverno…

XI
Inverno, o amor se fez inverno!
Criando chagas em um leito desvalido
Que adoece num pensamento ateu!

XII
Ateu não foi o nosso amor ateu!
A morte da saudade que se escreve
Em mão escribas com tinta algoz profana!

XIII
Profana pubiana és profana…
O beijo proibido de andarilhos
Nos palcos de gemidos e rancores…

XIV
Rancores! E nunca beberemos tais rancores!
Entorpecemos nosso sexo em renascença
E não sofremos a priori o mal do século!

XV
Nos séculos nos perdemos mais um século!
Beijamos nus o afresco amor perdido…
Pelos telhados embaçados da paixão!

XVI
Paixão! O que significa tal paixão?
Se nos brindamos virgens em outonos
No gosto imaculado do prazer?

XVII
Prazer que do adeus se faz prazer
O amargo de uma lágrima sofrida
Caindo em ombros tão desconhecidos…

XVIII
Desconhecidos amores desconhecidos
A barbárie dos sentimentos mutilados
Gritávamos aos silêncios vicinais!

XIX
Vizinhos nossos quartos tão vizinhos
Que na lamúria um grito Orpheu desaparece
Retumba pelas grades o desespero…

XX
Desespero, minha vida em desespero…
Extravasa um gesto insano
De um querer bem perto tão somente…

XXI
Somente a solidão! Somente!
Criada na angústia vai morrendo
A dor aprisionada de uma dor…

XXII
Oh dor porque trouxestes tanta dor?
Se fico aqui descalço na varanda
Pelo sereno a percorrer todo o meu rosto?

XXIII
No rosto a tal velhice espanca nossos rostos
Que perco os dias a lembrar
De um rosto que um dia me fez feliz!

XXIV
Feliz? É o que eu sinto agora: feliz!
Por saber que os dias se perderam no passado,
Já não mais pertencem a nós…

XXV
Pertences! Quero estar em teus pertences
E em qualquer da suspirar em teus ouvidos:
-“Sempre te amei e nunca procurei,
Amores vão – estranhos!”

I
Estranhos que me estranham em dias!