Archive for the Acróstico Clássico Category

Fraselidades, Mortalhas e um Grito (Santa Cruz de Páscoa)

Posted in Acróstico Clássico, Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 14 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

Forjaram das correntes um poder irônico:
Remontam na história um poder eclético,
Atravessando mundos a buscar memórias,
Souberam então que tudo era um mercado básico!
Entronizaram reis que eram puros sádicos,
Louvemos! Oh louvemos o poder do império
Ignorantemente nos curvando em átrios,
Dizei-me oh amor de incontáveis vértebras
Andais me provocando com este amor tão rústico?
Dizei-me oh amor de infinitas músicas,
Estais apaixonada pelas dores súditas?
Sonhais oh meu amor, que a minha morte seja súbita!

Poderes que atravessam Oceano Atlântico,
Orgias, caravelas, vão caçando o Báltico,
Riquezas seqüestradas pelos chãos da África,
Queimando e marcando reinos sub-raças?
Usinas e engenhos proliferam súditos,
Enquanto a burguesia vai pensando em fábulas!

Quereis que me ajoelhe, oh insensível mão algoz?
Urrar até perder a liberdade mítica?
Então estais vencido por não ter a tua voz…
Retratos de uma vida não se faz na fábrica,
Ergueram-se muralhas produzindo lógicas
Ignorantemente na verdade são atrozes
Se’um pingo de decência, falecidos éticos!

Trateis com estupidez, um povo que não é bárbaro!
Ou somos todos bárbaros pelos teus desejos?
Dizei-me oh nobre inseto de real astúcia:
Amais todos os seus com esse ar de hipócrita?
Semeias entre eles plantações de angústia?

Atrevo-me a cuspir no teu tapete mágico,
Sujando tuas falas de irreais arcanjos!

Forjaram das correntes pra gozar no pânico!
Retiram-se em bandos como inconseqüentes bêbados
Atravessando lanças pelos peitos núdicos,
Sangrando com euforia na presença in clerus
Elogiando templos a um deus inválido
Sustentam-se na vida na exploração de impostos!

Sejais mais natural em não sejais medíocres
Envies todo o pão ao povo, pra se acabar com a mímica!

Oh realeza fútil estais criando o trágico!

Tememos grandes fornos, como os de Aushiwitz!
Em cárcere privado nossa prole vítima
Urina em causa própria, pelo dia crítico!

Mamães são carregadas pelos matemáticos,
Unidos em saber pelas riquezas púnicas
Nudez se amontoando em banheiras tétricas
Desmancham-se cabelos, carnes pelas túnicas!
Ouvidos não tenhais oh morte cínica!

Escutais a cantoria de uma ode fúnebre!
Silêncios em fumaças, borbulhantes ritos,
Tatuam ao etéreo um grito de justiça!
Á Vida! Eu direi: Há VIDA num instante!

Então tereis em vossas páginas históricas
Mulheres e crianças, vidas tão heróicas!

Falemos então dos velhos anciãos e suas sílabas,
Acordavam de manhã, a construir sabático!
Senhoras e Senhores, não reveleis vossos segredos…
Espereis pelo Supremo que acabará com estes pesadelos!

(Jan: 10, 2008)

O Livreiro e a Calçada Estreita

Posted in Acróstico Clássico, Pensamentos, Poemas, Poesia on 14 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

I – Tremores

Frio! Muito frio! E estou andando pelas calçadas estreitas…
Árvores se agitam com o vento que provoca arrepios!
Tudo parece distante! Os cafés não têm o mesmo gosto de antes!
Irresistivelmente, entro num sebo, como se ali fosse um esconderijo,
Manejo alguns livros amarelados pelo tempo,
Argumento em particular, o que estou procurando…

Transporto-me num tempo distante.
As páginas retiram-me por alguns segundos do chão,
“-Reservo-me o direito de sonhar!”
Disse eu ao livreiro.
“Então continues ai…!” – retruca o livreiro.
Livros livres!
Liberta-me também, e transcreve-me num lugar,
Impossível de se encontrar!!

Entre outras coisas, um vento rápido sacode as galerias…

As páginas alvoroçadas
Sentem medo! Acredito eu!

II – As Impressões

Página por página,
Amareladas ou não,
Livro por livro
Antigos ou não
Valiam peso de ouro!
Ricos tesouros,
Ali nas estantes em silêncio…
Silenciosamente, em silêncio!

“SILÊNCIO!” – diz a placa na sala principal.
Unanimemente todos, sem exceção,
São pensamentos vivos disciplinados…
São pensamentos ativos, rebeldes…
Um a um, foram cuidadosamente tecidos!
Rasgam-se páginas, mutilam-se motivos…
Rasgam-se os escritos, mas não a essência!
A essência começa nos átrio do nascer:
Dádivas dos primeiros aprenderes!
Augusta forma do crescer e aprender!
Sofismático modo de ser sábio!

Ontem, tive a nítida impressão,
Uma impressão que retratava o presente…

III – A Lição

Presente em minhas mãos,
Ainda trêmulas,
Lentas, pelas corridas que o tempo marcou!
Audaciosas, pois sobremaneira tateiam a vida,
Vida que se expuseram em lápis, crayons, em tinteiras…
-“Reservo o direito de ficar aqui!”
Atrevi-me a retrucar ao livreiro, que aparentava beirar um século.
-“Silêncio moço nos teus pensamentos!”

Salpicou o velho livreiro olhando-me por sobre os óculos!
E pude então entender dos porquês dos silêncios!
Minha ignorância fez-me calar a boca, sem precedentes!

Senti que alguns livros,
Entendiam a situação.
Não tive outra reação senão me dirigir até o livreiro.
-“Tens sentimentos, pobre homem?”
Impressionado replica com voz farfalhada:
“-Dos meus anos de vida, todos eles sempre foram meus companheiros!”
O velho então me deu um cartão de sua loja que dizia:

… “Mantenha-se em silêncio por um dia, e falarás com sabedoria para sempre. (pensamento hindu)” . Recolhi-me, e percebi que a minha vida era   uma calçada estreita!

(Jan: 11, 2008)

Chocolates Também Derretem se o Calor for Intenso (ou Embalagem pra Dois)

Posted in Acróstico Clássico, Pensamentos, Poemas, Poesia on 14 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

Muitos dizem pra esquecer
Acontece que, eu não sei esquecer…
Rascunho palavras ao telefone,
Insisto em querer esquecer
Ainda assim, o que fazer?
Emprestei meus ideais,
Lavrei nos cartórios do esquecimento
Imensas atas…
Sensivelmente coloquei-me na fila de espera…
Aguardando ser chamado…

Gotejavam lágrimas de chuvas,
Umedecendo meus pensamentos,
Impossível! Gritei pro meu silêncio…
Muitos dizem para esquecer
Acontece que, eu não sei esquecer…
Rascunhei muitas palavras ao telefone…
Ainda que pudesses, retornarias as ligações???
Enviei-te sonhos de valsa numa embalagem de coração,
Sonhando que, pudesse eu te esquecer!

(Jan: 01, 2008)

Desejos na Madrugada – uma corrida silenciosa

Posted in Acróstico Clássico, Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 11 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

Esqueceram o meu bem-querer num blog qualquer da cidade.
Livros, cartazes, outdoors publiquei…
Inventei notícias, reclames em horários nobres!
Zelosamente, fui ao encontro de fronteiras,

                                                               muralhas, e nada encontrei!
A não ser um perfume etéreo que vinha,

                                                              (de longe ou perto )me avisar,
Noticiar, talvez, que estavas bem perto!
Gritos amarrados na garganta, 

                                                              com emoção prendia!
Era para que ninguém ousasse em querer saber

                                                             o que estava acontecendo…
Livrei-me das interrogações alheias,

                                                             e pus-me a caminhar tranqüilo..
Aumentando cada vez mais meus passos…

Corri, finalmente corri!
Ouvi muitos aplausos pelas galerias…
Silenciei-me então, um pouco mais,

                                                             para voltar minha respiração!
“Tudo bem?” me abordastes graciosamente.
Abracei-te então, tão contente,

                                                            que esqueci de te perguntar:

                                                                                     -“Onde andavas?!!”

(Jan: 10, 2008)