Archive for the Crônicas Category

Pontes Estreitas em Caminhos Distantes – II

Posted in 00 Livressílabos, Crônicas, Minhas Séries, Poemas, Poesia on 6 de fevereiro de 2008 by Prof Gasparetto

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II Parte – O Banquete

O tempo buscou
Do que restava das folhas…

O anseio torturou meus hábitos…
Os registros nos caluniaram…
Os mitos nos fizeram eternos!

Os vagos canteiros que plantamos…
E foram inevitavelmente desaparecendo
De nossas vidas,
E foram lentamente caindo nas saudades!
Plantamos saudades e não sabíamos!
Murmuramos no esquecimento!

Na parede crua de nossas consultas,
Das sombras que me insultas,
De um ser humano como nós dois…
E ninguém disputa!!!

O resto se esmigalhou em fatos falsos!
Somem os profetas e o aplausos!
Surgem os demagogos e os atrasos!
Os pelegos e os egoísmos invadem nossos ideais!
Os aflitos peregrinos gemem parados nos semáforos!
Os ritos bárbaros da plebe se consomem no etílico!
Os medos medievos perseguem nossas galerias!
Os gestos insanos de um artista insano, provocam arte!
E as lutas e os sangues das gangues?
E ninguém disputa!!!

As frutas dos mangues nas mesas paupérrimas do abandono!
Os outros e as outras se digladiam e se xingam pelo espaço!
Os monstros togados julgando nossos silêncios!
As mãos afobadas escrevendo histórias em banheiros públicos!
As mil gargalhadas de espetáculos no trânsito rude!
Os nossos lamentos gagos, querendo dizer a verdade!
E ninguém disputa!!!

O vento retorce as folhas de nossas lembranças!
As folhas despencam do verde intransitivo do semáforo!
O verde desbota no tempo disputado dos românticos,
E desbrotam na dor impaciente dos solitários!

Quem de vós disputa?

(Jan: 26, 2008)

Faz-de-conta

Posted in 00 Haicais Imperfeitos, Crônicas, Poemas, Poesia on 6 de fevereiro de 2008 by Prof Gasparetto

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E todos já sabem:
Vão respirando bem fundo!
E não desagradem!

Sempre que eu contar
“um e dois e três… agora!”
podem se arrumar!

Parecem ventríloquos!
Que não esquecem da cena
D’últimos capítulos!

E foi, simplesmente,
Como pessoa que veio
Embora, descrente!

De mala em mala
Saiu fazendo novelas
Num texto sem falas!

Os outros a viam
Com’uma boba da corte:
Fazendo gracinhas!

Quando se faz pronta,
Atirou pela janela
O seu faz-de-conta!

(Abr: 12, 1986)

Vale dos Ateus: em busca de um retorno amor! – I

Posted in 00 Livressílabos, Crônicas, Minhas Séries, Poemas, Poesia on 6 de fevereiro de 2008 by Prof Gasparetto

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I – Meus presságios

O receio que sinto agora é ficar só!
Pressagio com antecedência meus dilemas….
Do contágio escasso que fizeram,
O escárnio no rosto de pessoas desconhecidas,
Estranhas, quando passo pelas ruas,
Refugio-me nos meus bosques…
Sou escultor de paralelepípedos
Das pedras limosas de tuas praias,
Despe-te de alga-marinha…

Cristalizam tua nudez
E o tempo insiste em gotejar teu corpo imune…

Ilegal os reinos que se fazem por ai,
Os ventos são surdos,
nem trombetas, nem clarins, nem chofares,
irão te revelar!
Que fiquem roucas com o talvez!
Não merecem teu imaculado ósculo…

(Ago: 04, 2003)

Vale dos Ateus: em busca de um retorno amor! – II

Posted in 00 Livressílabos, Crônicas, Poemas, Poesia on 6 de fevereiro de 2008 by Prof Gasparetto

II – Meus adágios

Mas meu presságio quer roubar
O beijo do perdão que me sufoca.

O fogo se eleva em profundas bases;
É claro dizer:
o que eu quero, é o que eu sinto!

Estou no âmago do adágio resoluto!

Teu cheiro de bailarina muskeana
Refaz com nostalgia uma dança em Andantino!

Faz-me sentir nefasto, mesmo no vazio…
Quando não te vejo!
As cordas vocais cerram-se,
as sombras lembram teu suspiro,
os papiros não conseguem te revelar,
e meus presságios aprisionam-me no meu leito vago!

Tento de todas as formas
Sustentar o teu almíscar no teu travesseiro
Que está ao meu lado!

(Set: 21, 2003)

Vale dos Ateus: em busca de um retorno amor! – III

Posted in 00 Livressílabos, Crônicas, Minhas Séries, Poemas, Poesia on 6 de fevereiro de 2008 by Prof Gasparetto

III – Meu Arrependimentos

Corredores vagam por todo meu sentido
Sentando no desespero da cadeira de minha velhice…

Onde me fiz o maior dos seus amantes,
Mostrando-te pinturas e artes sacras,
Que continham a dor e o sofrimento?
Julgo-me por minhas conjugações
Dos meus atos,
Não querendo ser Pilátos, e nem Judas,
Querendo ser teu filtro desprovido de silêncio
E arrancar o sono que me falta hoje…

A vontade é grande de gritar em meio à noite
Que me enche o peito
e a saudade me inflama o peito!

Presentear-te com bolo medieval?
Onde estão as receitas?
Os ingredientes?
Os utensílios?

Mas não, duelávamos enquanto isso
Na cozinha,
Pelos corredores,
Pelas escadas,
Na varanda,
No jardim,
No silêncio…

Vagam-me nas vontades
o enjôo de ter te tornado pretérito!

(Out: 26, 2003)