Archive for the Crônicas Category

Vale dos Ateus: em busca de um retorno amor! – IV

Posted in 00 Livressílabos, Crônicas, Poemas, Poesia on 6 de fevereiro de 2008 by Prof Gasparetto

IV – Meus furtos

E a vontade sem vontade de estar…
Fingindo em nós o estar bem à vontade,
Sem me lembrar que já estou velho!

Remando em teus mares aos mares teus
Furtei-me nos meus presságios repentinos,
A figura do ateu que fita as vitrines
Em busca da real beleza…

Contive todos os silêncios e me esqueci!

E no esquecimento de falar em solidão,
Feri teus modos,
Feri teus gestos,
Feri teus desafios,
Feri teu status,
Feri nossas palavras!

No mar revolto que afoga o sol poente,
O monstro bárbaro das sílabas
Ressurgi qual vidente!
Feriu-te!
E roubou-te um beijo forçado!
Pequei!

(Nov: 15, 2003)

A. SAMMARINI – Quello Che Non Sono:

Vale dos Ateus: em busca de um retorno amor! – V

Posted in 00 Livressílabos, Crônicas, Poemas, Poesia on 6 de fevereiro de 2008 by Prof Gasparetto

V – Meus Lamentos

Não sei o gosto da partida.
Quando em meu leito recebo uma visita,
Alma bela e formosa senhora que me olhas,
Os olhos se dilatam, e minhas horas…
Esgotam-se,
Não preciso de saídas…
Um beijo leve paira em minha face…
Não reconheço, creio ser só uma visita!

Salivas amargas me prendem no vazio,
Criando-me raízes que se proliferam
Na mais inútil fera que me transformei!

Arranca logo minhas vísceras mundanas
Para te esquecer ao vinho o porto que te vi!
Se me puseram horas não tento altera-las
A natureza mudou o curso do esquecimento…

Enchem-me os olhos de visagens,
Contorço-me em engrenagens sílabas,
E o sulco bêbedo que retirei furtivamente,
São rosas coagidas que não serão mais perfumadas…

Vasos se quebraram e tornaram-se lixos,
O chão no rescaldo inválido me atordoa!
Como querer ser um raro amante teu,
E não conseguir,
E não tentar…

Anos que se passam,
E se estampa em minha memória
O logro da aparência espessa de antes,
E teus gestos me contaminavam de paixão
E dançavam a dança dos ateus,
A dança dos ateus intelectuais,
A dança das atéias mundanas,
A dança das pocilgas anfitriãs,
Numa prisão selada por risos sem sentimentos,
E foram-me esculpidas as rugas
Que trago hoje em minha vida!

(Dez: 09, 2003)

Conjugações: Um Gesto Eterno do Amor! – I

Posted in Crônicas, Poesia on 1 de fevereiro de 2008 by Prof Gasparetto

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I – A Escultura de Mulher

Ah! Mulher e musa minha
Que és vida consciente de mulher!
O centro universal das paixões!
Tuas palavras são alimento abençoado e divino!
Surgistes para dar o significado
Aos signos!

A todo instante és refletida
Pelos mais nobres de espírito
Que sonham com tua maneira
De ser e de agir!
E pela vida, vida inteira…
Vão brincando
Vão colhendo dos quintais dos sonhos
As maçãs maduras…
E tu vais te arborizando
Na plenitude do querer!

Chorastes muitas vezes,
Na vigília do pequeno quarto
Com passos responsáveis
De ser única mulher presente!
Com as mãos que cobriam
Os choros sem motivos aparentes!

Os passos desequilibrados
Apoiado por um passo firme…
Senhora que percorre muitas histórias,
Esculpida em minha alma!

No engatilhar de palavras novas
E meus colírios sentimentais
Começam a percorrer minha face…

(Jul: 13, 1999)

Conjugações: Um Gesto Eterno do Amor! – II

Posted in Crônicas, Poemas, Poesia on 1 de fevereiro de 2008 by Prof Gasparetto

II – A Autoridade de Mulher

És o vulto etéreo da pacificação!
És ignorante no ódio e na dor!
E sabes fechar
Com façanha
O tempo nublado…
Proteges-me com sapiência!
Sabes parir!
Sabes parar!
Sabes dar prazer…

Não tenho símbolos,
Por que tu és!

Nômade cigana
Em tendas infantis…
Mostras-te feliz no aconchego,
No colo,
No solo de mulher!
És um país sem fronteiras…
És inteira corpo e alma…
És Vida!
És Temas!
És Poemas!
És Revelações!
Minhas razões,
Meus caminhos!
Ordenastes que os clarins
Se silenciassem,
Pois meu choro se fez cantiga!

(Ago: 27, 1999)

Conjugações: Um Gesto Eterno do Amor! – III

Posted in Crônicas, Poemas, Poesia on 1 de fevereiro de 2008 by Prof Gasparetto

III – A Importância da Mulher

Quero chorar com teu choro
Na música tocante da vida!
Luz ofuscante nas guaridas,
Minha sede se cede
Em teus lábios!
Mulher, Senhora,
Musa das mudas.
De tantos momentos febris
Que se atiravam como pedras
Num rio,
Amparastes-me!

Claridade sublime que me faz
Ter ciúmes do aroma de tua geração!

É mal-dizer com palavras
E símbolos que este tatuar
Frágil de mulher
Um dia terás que ir…
E não vais mais parir…
E então irás parar o tempo…

Irá continuar tua fragrância
Em minha pele,
E a cada dia um ressurgir
De imagens!

O cheiro das manhãs
Me dão saudades,
Porque não retribuo
O quão és importante para mim!
És o meu Pão!
És o meu Vinho!

(Out: 08, 1999)