Archive for the Crônicas Category

Mudanças: a coreografia de um leigo

Posted in 00 Livressílabos, Crônicas, Poemas, Poesia on 1 de fevereiro de 2008 by Prof Gasparetto

visitando Daysi in Conspirações

Mudei o rosto e o riso
            o olhar
            o gosto e o gostar!
Apenas mudei!

Mudei as palavras e as frases
            o andar
            a paixão e o ódio!
Apenas mudei!

Mudei meu canto em tristeza
            meu choro em cantiga
           assim como sonhos e atropelos!
Apenas mudei!

Mudei minha oração
            minha saudade
           minha aflição!

Tentei mudar meu rumo em qualquer esquina.
            Fiz várias mudanças!

Mudei!

Mas esqueci de lhe mudar!

Fui apenas um inquilino despejado
tendo como aluguel a falsa mudança!

(Jan: 31, 2008)

Perfumes ao Vento (ou Rastros de Adeus) XXII

Posted in Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 31 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

XXII – BODAS

I
Enquanto eu puder roubar de ti sorrisos,
O tempo ficará a nossa disposição,
Não importando quando escreveremos nossa história!
É importante sermos tão reais agora!

Na superfície plana de um prazer erótico…
Muitos silêncios se escondem!
É claro que jamais irei fechar a porta,
Enquanto o sol que nós pescamos
Viver em nossa varanda…

Tu bem cedinho levantas,
E vem logo me acariciando!
E eu me jogo sonolento ainda
em teu corpo úmido…
Vai umedecendo a razão
do meu querer eterno,
E como ser eterno?

Interrogastes meus sentimentos
Em buscar de outras verdades,
Não queres que eu seja instrumento,
Não mãos de algum covarde?

O meu chimarrão está pronto!
Fervo minha água com um pouco de funcho…
A cadeira de vime me espera,
Um lenço vermelho no pescoço…
E no trotear do meu pingo encilhado,
Vou decifrando nossas vidas!

O galpão está cheio de causos,
E tu mulher de pele índia, morena,
Com corpo macio altaneiro,
Deita ao meu lado numa rede
Que comprei em lá em Uruguaiana!

II
-“Amado, queres que te cubra de carinho!”
Ela me dizia abraçando-me pelas costas
e a roçar seus seios de campesina atrevida.
-“Me aguardes no quarto,
enquanto chimarreio minha cuia pampeana!”
disse a ela quase me afogando.

Posso ouvir o silêncio dos mates,
Em trocadilhos mateiros:
“ssssssssssssssssssssss! Sssssssssssssssss!”

o guri, da cerca vizinha,
de looooonge vem trazendo uma cordeona!
De 8 baixo talvez!
E um tocador de viola, acompanha o guri!
Pelo jeito vai haver uma tertúlia!!!

“-Vem logo amor!”
estava ela lá no quarto dos fundos
Esperando-me em pele nua
que eu a domasse e completasse
seus desejos!

Fui me preparando,
Piuchado que estava,
Larguei tudo num canto da sala,
Minhas botas “Del Gado”
Atirei de entrevero no corredor,
E me atirei,
Feito peão domador,
Guiando pelas estradas,
Como Índio Velho cheio de amor!

(Set 08, 2001)

Perfumes ao Vento (ou Rastros de Adeus) XVI

Posted in 04 Tetrassílabos, Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 31 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

XVI – HOJE

 I
Me magoei
Fingindo ser
Teu próprio ser…
Se não soubesse
O quanto é dose
Amanhecer,
Queria então,
Jorrar meus prantos
Em tua planta,
Formata-te em sílabas,
Sonhar-te em versos,
E crer no quando…

Criar no fundo
A base toda,
Uma palavras
Me emudece
No teu deserto
Agora úmido…
Se unifica
Nesta erosão
Partindo o peito,
Partindo o gesto!

II
Tento colírios
Vagando à toa,
Sonhadoras,
Somente vás,
Vão caminhando
Comendo ruas,
Na tua face…
Correndo frias
E mais difíceis
Em minha face!

E solto vai,
E vem teu hálito
Que vai fluindo
Intransitivo,
Que cravejando
Àquele álibi
Que ali tentei
Furtar teu fruto…

III
E, não tornou-se
Igual prazer
Sendo tão nômade,
Somente nomes
Vários sinais
Tangendo risos,
Frisos d’olhar!

Meio sonâmbulo
Há tantas coisas
Que não consigo
Despertar medos
Querendo ou não,
Murmuro só!

IV
É tão silvestre
Tua maneira
Que vou sentindo
Um ser selvagem
Dilacerando
As minhas células
Num só rugido! (…)

Rompem manhãs!
Tudo é normal;
O tempo torce
E se distorce,
Formando brisas
De uma garapa
De uma palavras
Que não tem gosto!

V
Tez de maçã
Tão orvalhada
Na própria chuva
Real bebida…
Real cicuta!

VI
Resta dizer
Que docemente
Teu corpo entoa
Aquele sonho
De olhar tristonho,
Que tem garoa
Que tem o vento
Em girassóis
De invernada…

VII
Me dói por dentro
Pelas paredes
A sede áspera
De não beber
Na tua boca
Outras palavras
Que no silêncio
Tu me sussurras:
-“Eu também quero!”

(Ago: 02, 2001)

Perfumes ao Vento (ou Rastros de Adeus) XIV

Posted in 00 Livressílabos, Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 31 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

XIV – JUÍZOS

I
Creio que me pus em mesa rústica
A gota que faltava do cálice,
Julgando para não ser julgado;
O difícil é abdicar o peso
Pois o peso não te leva e nem trás…
O peso torna-se o dobro a cada caminhada
Sem saber por si quem resiste?

Começo pouco a pouco me transportar
Por esferas polinizadas de perdão…
Não mereço tão sublime verso
Que não cogite teu corpo elementar!
Meu beijo te percorre no etéreo
Ao beijo antes que se pretendia,
Teu mar flutua ao que se pretendia!

Teus olhos, ah! Teus olhos que brisa tem…
O transparece arbóreo que se ata em chama
No fruto que se torna fruto,
Fruto das consciências básicas do outono!
Meu presságio reivindica tudo que é belo.
Mesmo sendo velho como as talhas
Que nasceram “La Pietá”, me sinto agora!

II
Seiva bendita seiva, percorrendo tua carne!
Voz aveludando meus ouvidos quando fujo,
Quando volto me desespero em te sentir,
Como aura que tonteando o ser te diviniza
Pondo-nos no mais perfeito ato.
Ajoelhando posso me sentir ao chão de tuas vinhas,
Beijo-te como se não houvesse horas, nem tempo!

Meu presságio exterioriza em forma agressiva
Cortando minhas palavras, e se tomba o cálice
Atirando-me o vinho, o pão embebecido verte,
O vértice de minha vã filosofia!
Tranco-me nesta batalha irremediável
Mostrando-me falsas armaduras
Scalibur no palco psiquiátrico do ser!

Mãos que se deslizam, desligam
Num abalo sísmico de formas e presságios,
Mais uma vez o cavaleiro golpeia-me
Ferindo a mim e ao meu Kavalluz!
A luta se cronometra por uma reluscência
Justapondo nossas mãos num único aríete.
Bendito por tua voz e única musa!

III
Agora sei porque me distancio de teus rosados,
Maneiras vulgares e vulgarmente me cresci!
Tua pele roçando em meu rosto pálido
Quer decifrar o enigma das supremas cortes,
Aliando-me aos teus veneráveis mestres
Criara o sortilégio casto de maças,
E gradis nos murais floridos dos teus jardins!

Escapa-me agora a sede de falar-te um pouco
Sobre as paixões pintadas pelos corredores,
E pena sonhava no tinteiro o pergaminho
De falar-te em tudo, em tudo que ouvi…
Teus súditos me olhavam víboras repentinas!
E por entre as mãos entrelaçavam os dedos
No anseio de furtar-te ao menos uma noite!

(Jul: 23, 2001)

Vitraux em Preto e Branco

Posted in 00 Cressílabos, 00 Decressílabos, Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 31 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

ssa-ii.jpg

Sim
Eu tenho
Muita coisa
O qual pensava,
Murmurava tanto
Que já sem sei o quê!
Dormia profundamente
Numa cama vazia, morna!
O despertador me torturava
Quando o quarto ficava a meia luz…
As saunas, os beijos, as nossas fugidas…
Tiravam fotos das saudades que deixastes!
Barulhos, propagandas eram mais paranóias…
… do que o próprio lazer em ter na mesa: -“Saúde!”
que Deus te abençoe mina amada feita de elegância!
Atiraram pedras em nosso telhado de vidro!
Vitraux em cacos da minhas paredes, eu via!
Um corte contra a honestidade que foi nua…
Um medo que cobiça quem quer falar!
O nosso olhar está desconfortável!
Porém, mais do que um simples fato:
Converter-te numa pessoa
Que analise o amor
Trazendo um precioso
Significado
À nossa vida!
É tão triste
Ouvir:
Não!

(Fev: 16, 2001)