Archive for the Crônicas Category

Vicissitudes, Meus Vícios Retorcidos

Posted in Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 31 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

Sinto a falta de mim mesmo
Quando estou desolado canto do quarto!
Uma retidão de termos…
Sou a própria sílaba vaga!
Meus olhos se enchem de orgasmos
E me sinto fantasma
De minha alma…
Escandaliza-se minha alma
Porque precisa de mim!

Um zodíaco de Bach, Mozart ou Vivaldi
Ficam rondando rondós em loop na vitrola!
Nos discos, as faixas são eternas
E as pessoas não sabem que se vão…

Uma série de repetições fizemos!
Num dos menores
Momentos de minha vida,
A grade isola,
A cadeia sangüíneas compulsivamente
Em danças medievais, agride os sentidos!

Aonde vou?
A procura é utópica!
Fricciona minha face
Pálida sem o valor legal,
Externo dos sentimentos,
Arruinados de construir
A morte em episódios,
E o ódio vira corte
E a cortesã dos meus desejos
(minha tez se rompe
em outra tez)
ajoelha-se na oralidade
do prazer!

Pelo menos
Os ritos
Dos veneráveis
Dos mais venenosos,
Traem-se…

O choro se desbalda
Na crendice do saber
E um vento pela janela
Indica uma pausa…

um silêncio…

tenho que partir!!!

Sei que novo a outros olhos
Sou casa velha!

Não quero despejar
Velhos inquilinos…
O contrato é anulado
E desvirginado está o nosso pacto!

Mas meu Deus!
O que é que pretendo com isto?
Sou apenas um embrião retorcido
Na câimbra humana das virtudes…
Um piano desafinado
Que extinguiu melodias…
Que perderam suas claves
Pelo tempo!

Reflito!

Nasci da união de foi fetos
Evoluídos!
(…)
conscientes ou inconscientes,
nasci!

O que pretendo?
Hoje na morbidez de minhas palavras
Adoento-me no meu corpo
E se sou corpo:
Reprovei!

(Jan: 06, 1981)

Último Capítulo

Posted in Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 31 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

Ore pelo menos
Uma vez ao dia!
Siga os ponteiro do relógio…
Atravesse a rua sem olhar dos lados!
Chore mais, os mesmos ais!
Caíam as vias dolorosas,
Não tinham cheiro
Paladar ou
Faz que chora!

Em um momento
Tão fatal se telefona
E vê que não está em casa!

..ocupado ou na escuta!
Desliga e chama a filha…
E numa folha amarela da lista
Se a vista pálida e tão polida
Face acinzentada como as cinzas
Num cinzeiro trincado que tinha!
Estava lendo o último capítulo
Do “Lar das Mariposas”,
Que comprara num sebo,
Ali na rua perto de sua casa!

E tantas coisas vieram à tona
Nas santas tontas orgias
E quase todas na lona
As donas de todo dia
Um rosto feito mamona
E cara de eucaristia!
Pintava os 7 na zona dos limites
Com a honra que já nem tinha!
Ganhou de seu amante
Um bilhete de loteria!
Ganhou!
Pouco, mas ganhou!
Desiludida da vida
Com dúvidas, dívidas,
E outras coisas que
Não interessam a ninguém…

Passou num bazar
Longe sua casa
Toda orgulhosa como se high society!
Estatura mediana.
Entrou!
Olhou!
Saiu!
… e voltou!

Comprou!
Chorou!
Pagou!
Guardou!

Caminhou!
Olhou…
Chorou…
Parou!

Pegou…
Olhou…
Chorou…
Continuou!

Pensou…
Analisou…
Pegou…
Olhou…

Chorou…
Guardou…
Tremeu!

Correu,
Perdeu,correu!
Caiu!

Feriu-se
Gritou-se
Chorou-se

E ninguém viu!
Ninguém ouviu!

(…)
um silêncio total!
Nem um psiu!

Psssssiu…!
Levantou!
Correu,
Olhou,
Tremeu, chorou!

Dou-se!
Voltou-se!

Passou num bazar longe de sua casa.

Entrou, olhou, não chorou!

Comprou, pagou, guardou!

Caminhou:

Não olhou!
Não chorou!
Não parou!
Não pegou!
Não cheirou!
Não correu!
Não pensou!
Não analisou!
Não pegou!
Não conseguia engolir a própria saliva!!!

Sua testa parecia oceano…

Estonteada, não caiu!
Machucada, nem se feriu!
Afônica, não gritou!
Usava colírio, e não chorou!
Soluçava repetidamente!

Simplesmente, chegou em casa
Pois o fone fora do gancho,
Abriu o pacote,
Pegou o revolver,
Encontrou na fronte,
e…

Click! Click! Click! …

(…)
um silêncio total!

Não havia comprado as balas!!!!

Era o começo!!!

(Jun, 16, 1980)

Singulares

Posted in 00 Livressílabos, Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 31 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

Nós e nós e
Nós e nós e nada!

Nada e nada e
Nada e nada e afeto!

Afeto e afeto e
Afeto e afeto e não há mãe!

(Mar: 21, 1980)

Sete Silabas de Adeus

Posted in 00 Livressílabos, Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 31 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

I
Quero um dia morar debaixo da terra:
Criar raízes nos corpos carnais,
Encontrar um mundo que cerra
E ficar cego ouvindo meus ais!

Quero ouvir o coro dos vermes
Lamentando o que jaz,
Minha ferida viva, bate, late
E que não se mate a paz…
Retumbam os corações
Decoram as orações
Que não desate mais!
-“Vai seguir teu rumo!!!”

II
Quero um dia morar debaixo da terra:
Como quem explora das ervas os sais
E como etílico se embebedar de trevas
Num tédio das sombras e dos umbrais!

O vento sopra em meu jazido
A lápide negra que se desfaz;
A canção continua, nua, crua nos jazigos,
E juram se desterrar…
O assovio das ruas
Num arrepio de animais…
-“Vai seguir teu rumo!!!”

III
Quero um dia morar debaixo da terra:
Como quem chora e ora coisas banais
Ressuscitando a esperança que berra
Como quem a saciar um copo de água raz;

A paisagem roda me tortura
Quando anoitece os olhos naturais
Por mais que se cubra
A pele toda se escama
Entre tertúlias e pedras
Cobertas pelos mortais!
-“Vai seguir teu rumo!!!”

IV
Quero um dia morar debaixo da terra:
E sentir as snsações de horas finais
Pintar minh’alma na lama das telas
E tê-las como presença demais!
-“Vai seguir teu rumo!!!”

V
Quero um dia morar debaixo da terra:
Lamentando ter sido humano demais,
Sendo ao mesmo tempo ansiedade
Nos seios desta ingrata matéria…
Se a mim, um sim não basta!

Outrora nascesse discurso
E, contudo se hoje me calo
No leito que pisei
E agora são sete segundo
São sete minutos,
São sete horas,
São sete dias,
São sete semanas,
São sete meses,
São sete anos,
São sete séculos,
São sete palmos somente!

Impreterivelmente declaro:
Quis proclamar minha falência
E ninguém me ouviu,
Mas disseram num tom covil:

-“Vai seguir teu rumo!!!”

VI
Quero um dia morar debaixo da terra:
Mas antes,
Quero levar meu cortador-de-unhas!

(Dez: 19, 1978)

Sentenças Explícitas

Posted in 00 Livressílabos, Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 31 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

Eu não tenho tempo
De ser presente no indicativo,

Sou um sujeito oculto
Sem complemento no predicativo!

Sou uma palavra apenas
Sílabas e lábios substantivos!

Satisfaz-me tua oração,
Persigo meu dialeto imperativo
Introduzindo adjetivos!

Perco-me em hipérboles,
Metáforas, métricas
E rasuras!

Somos um pleonasmo Imperfeito!
Qual é a minha sentença?
Qual é a tua sentença?
Qual é a nossa sentença?

Palavras!
Palavras!
Palavras!

É tudo o que me dizes?

Agora refaço uma leitura
E caio na realidade
De ser uma frase apagada
Nas mãos de um analfabeto!

(Out: 02, 1981)