Archive for the Crônicas Category

Onde estás?

Posted in 03 Trissílabos, Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 31 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

(América in memoriam)

I
Não m’importo
Que detonem
Dez mil vidas
Dentre a minha!

II
Sou humano?
Quem descobrir
Nas fronteiras
A bandeira?

III
Há sorrisos
Que são falsos?
Há olhares
De pesares?

IV
Tantos quantos!
Quem te quer?
Cantei hinos,
Bebi vinhos…

V
Sonhei sol
C’o meu poso
Pelos tantos
Que são santos!

VI
Hoje escrevo
O teu nome
Sem receio
Porque creio!

VII
Já nos muros
Fome escrita
Nas crianças:
Contaminas!

VIII
De joelhos
Sem ciranda
Sentimento
Suicida!

IX
És escrava
Dos ladrões
Com justiça,
Sem justiça!

X
Grite, não!
Alguém ouve,
Mas adianta?
Te levanta!

XI
Vê se sonhas,
De olh’aberto!
Terr’impura!
Guerr’expurga!

XII
São mentiras?
São adeus?
Deu-nos morte!
Boa sorte!

(Ago: 09, 1981)

O Jogo, o Mosaico e o Tempo

Posted in Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 31 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

Saudades Rainha?
Cadê teu rei?
Resta pouco tempo de jogo…
Antes me deste um en passent
Com um dos seus aldeões,
E concordei!
E agora me despedes…

Duelamos muitas cordas vocais…
Somos pecadores neste tabuleiro
Rasurado de pecados e rancores!
Marfim e Ébano!
Revestida de Marfim, me cobiças…
Dois amores vitrais,
Revestido de Ébano, te cobiço!
Dois amores vitais!

Mas as pessoas não sentem quando
As palavras ressentem,
Magoam…

Entoam de algumas bocas:
-“Desista! Vamos Desista!
O Tempo está acabando…”

Amas-me à distância,
Ando uma casa apenas!
E tu?
Podes ir direto a mim…
Ou retornar se quiseres,
Ou amar-me nas diagonais…

Tudo em razão do tempo!

Há muitas maneiras de se ganhar
Este jogo:
Ou entrego-me totalmente a ti,
Sacrificando os meus súditos,
A minha realeza,
A minha milícia…

Ou estrategicamente,
Matematicamente,
Esquadrinho todas as figuras
Que estão do teu lado!

Um Xeque Pastor talvez tu conheças!
O que seria uma desvantagem para mim:
Primeiro que ganharia o jogo;
Segundo que perderia teu encanto
Presa, ficarias ao lado do meu adversário!

Precisamos urgentemente,
Mudar as regras do jogo!

A Rainha que me acompanha
Confessou-me indignada:
-“Até quando terei que suportar estas
tuas jogadas!!!”

(Mar: 26, 1982)

Meias Revelações

Posted in Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 31 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

Foi você…

  A última canção que eu cantei!
  A última razão que arrasei!
  A ultima palavra que neguei!

Foi você …

  Um resto d’esperança de amor!
  Um náufrago na vida q’afogou!
  Um gesto sem sentido de ator!

Foi você…

  Um rosto rasurado q’inda ri!
  Um coração partido que parti!
  Meu prato preferido que comi!

Foi você…

  Lembranças d’um passado já vazio!
  Retrato amargurado e tão frio!
  Promessa que um dia não cumpriu!

Foi você…

  Toda a minha sede e gota d’água!
  Todo o infinito e estrela d’Alva!
  N’áspera parede em minh’alma!

Foi você…

  A única maneira que não tive!
  A ave presa, agora livre!
  Um pensamento vivo que me vive!

Foi você…

  Cenário que era antes e depois!
  Início de canção que decompôs!
  Final, simplesmente um final!

(Dez: 08, 1978)

Lapidez

Posted in Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 31 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

Aqui
Passam minhas sombras!
Passam meus restos!

Aqui
Pousam minhas asas
Pousam meus pensamentos!

Aqui
Peço minha saída!
Peço meus direitos!

Aqui
Penso no que quero!
Verso no que devo!

Aqui
Surgem meus enganos!
Morrem meus sonhos!

Aqui
Deixei meus passos!
Esqueci minha pousada!
Perdi meu pedido!
Limpei minhas idéias!

Porque aqui
Criei raízes!
Tive frutos!
Vivi estações!

Simples mente!
Passei por aqui!

(Nov: 08, 1980)

Escassidadez

Posted in Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 31 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

Se o homem catou pedras:
Que se cate mais!

Se o homem reinou nas guerras,
Que se reine mais!

Se o homem pensa ser “deus”:
Que se adie mais!

Se o homem tem fome:
Que se vomite mais!

Se o homem tem pressa:
Que se canse mais!

Se o homem tem sido humilhado:
Que se venda a sela!

Se o homem conhece a si próprio:
Que se morra feliz!

Se o homem escreveu poesias:
Que se poema então!

Se o homem crê na vida:
Que se converta!

Se o homem cria armas:
Que se suicide!

Se o homem procura respostas:
Que se pergunte!

Se o homem profana aos seus:
Que se cometa a eutanásia!

Se o homem plantou …:
Que se colha…!

Se o homem amou …:
Que se tenha consciência!

Se o homem formulou leis:
Que se enclausure!

Se o homem pesou-se por estar no mundo:
Está simplesmente ocupando espaço e
roubando o ar que nos resta!

(Dez: 30, 1980)