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Pra não dizer que não falei de Bagdá!

Posted in 07 Redondilha Maior, Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 19 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

Na ponta da carabina
Que eu quero prosear!
Tudo isso contamina,
E eu vou é pra Bagdá!

Desse jeito ta ruim,
Não dá nem pra prosear!
Já tem tanto nefelins,
Que não quero nem contar!

Volta e meia tão falando,
Que é pra gente se abrigar!
Não se sabe até quando,
Quando vou pra Bagdá?

Bang-bang! Bang-bang!
Bang-bang! Sem parar!
Bang-bang! Bang-bang!
Não baqueia
Bagdá!

Pelo menos eu sou digno,
De querer só prosear,
Mas tem um tal de maligno,
Torturando Bagdá!

Crianças não têm escola,
Não podem querer sonhar:
O poder ta nas pistolas,
Quero fugir pra Bagdá!

Mulheres cegas de dor,
Fazem seus filhos lutar!
não quero ser lutador!
eu vou morar em Bagdá!

Bang-bang! Bang-bang!
Bang-bang! Sem parar!
Bang-bang! Bang-bang!
Não baqueia Bagdá!

Fizer’universidades
Pra ensinar governar!
Guerrilhas pelas cidades?
Vamos mudar Bagdá!

Que vale ter um diploma
Se não têm educação!
É preciso homem-bomba?
Vou estudar em Bagdá!

As naves que aqui projetam
Não projetam como lá…
Quero o respeito que injetam
No povo de Bagdá!

Bang-bang! Bang-bang!
Bang-bang! Sem parar!
Bang-bang! Bang-bang!
Não baqueia
Bagdá!

Vou contar-te uma coisa
Atenção favor prestar:
‘qui ta faltando na lousa
É o mapa de Bagdá!

Sou sincero em dizer
Que a paz encontra-se lá,
Num adianta nem querer,
Que eu vou para Bagdá

Encontrei uma donzela
Que tá querendo casar!
Das mulheres a mais bela,
Vou casar em Bagdá!

Bang-bang! Bang-bang!
Bang-bang! Sem parar!
Bang-bang! Bang-bang!
Não baqueia Bagdá!

Lá no norte tão dizendo.
Que o sul tem que pagar!
Bagdá já ta vencendo,
Vença logo Bagdá!

Gastam tanto em quartéis
Inventando o que inventar…
Vou vender os meus pastéis
Num bairro de Bagdá!

De uma briga idiota
Pro petróleo conquistar,
No norte só tem agiota
Vou construir Bagdá!

Bang-bang! Bang-bang!
Bang-bang! Sem parar!
Bang-bang! Bang-bang!
Não baqueia Bagdá!

Espero que as Minhas Vozes
Possam entender meu cantar
Que morram todos algozes
Que viva só Bagdá!

O norte disse ao mundo
Que o mal ele que acabar!
O bem arrasando tudo?
Mostre teu bem Bagdá!

É na ponta da baioneta
Que eu quero prosear
Toquem as suas trombetas
‘tou chegando Bagdá!

Bang-bang! Bang-bang!
Bang-bang! Sem parar!
Já tá chegando o momento
De dar um basta Bagdá!

(Ou: 06, 2003)

Únicas Palavras

Posted in Acróstico Clássico, Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 18 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

Como te esquecer se as palavras devoram?
Risos soltos sem teu perfil, me tornam patético!
Ignoramente, fico aqui a pensar nas
                         minhas insaninadades, onde tu estás!!!
São palavras eu sei!
Todas eu as tenho, menos a ti…
Ignorantemente, fico só!
Na perplexidade da minha ignorância
A de que não me destes uma resposta sequer…

São palavras eu sei!
Antes de se fecharem as portas,
Me gusta hacer una pregunta:
Porque Minhas Vozes
Atordoam tanto o que eu não fiz?
Inda quero, ao menos uma palavra;
Ou aquela que o teu coração não diz!

(Jan: 18, 2008)

Segredos de Pescador

Posted in Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 18 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

Era o sol batendo em nossa janela,
nos convidando para um passeio…

Se saio somente, esbarro nas pedras
encho de conchas, estrelas do mar!

Vou indo pescar levando balaios!
São ondas precisas que vão precisar
de contas de vidro, contos de areia…

É tedioso demais ficar aqui:
não nos falamos, faz uma semana???!!!

(…) 

Fico então jogando Age of Empire,
onde era a nossa sala secreta!

(…)

(…)

Vasculhei os armários da cozinha
pra encontrar o nosso leite diet…

Tive que tomar uma decisão:
falar com a simpática vizinha!

Ela me disse: -“Oi!” E eu disse: -“Oi!”
Ficamos alguns segundos sem ar!!!!

(…)

Ela pediu pra eu entrar! Entrei!

Tinha esquecido o que eu fui fazer…
O leite desesperado fervia!
(Mas como se não tinha na cozinha????!!!)

Pediu-me pra sentar, então sentei…
O tempo tinha para para nós…
Nós eramos os únicos no mundo!!!
E de repente, tudo aconteceu…

(Ela) sumiu do mapa, sem dizer adeus!

-“Amor! Amor!” E eu disse: -“O que foi?
-“Voce esta dormindo e caiu!”

Então comecei a chorar do tombo!!!!

(…)

Ela fez um curativo em mim.

Cantou assim: -“Eu sei que vou te amar…”

Veio silêncio, depois uma pergunta:

-“Meu amor! Voce já foi pescar??”

                                  (Abr: 11, 1998)

Frases, Amores e Sinais

Posted in Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 18 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

Cedilha, amada Cedilha!
Reticenciamos os nossos quereres…
Penitenciamos a espera do querer…
Nossas interjeições ficaram no silêncio…
Reticenciamos apenas!
Poematizamos nossos escritos
em páginas recicladas:

Poemas agressivos!
Poemas evasivos!
Poemas indolentes!
Poemas de repúdio!
Poemas virgularizadas!
Poemas reticentes!
Poemas indigentes!
Poemas eruditos!
Poemas malditos!
Poemas?

Colocastes aspas em mim
Coloquei aspas em ti…
Eram nossos falares,
Nossos pensares!
Nossas aspas entre aspas!
Um de nós entre parêntesis!
Ou nós dois?

Enquanto te cobria de colchetes,
Deixavas-me entre chaves!

E nossos hics?
(…)
quantos?
(…)
muitos?
(…)

Criamos nossos próprios asteriscos!
Sem riscos!
Ariscos?

Teus parágrafos, ah! Teus parágrafos!
Quantas sentenças me destes?!

Interrogativamente, o que queres que eu diga?
Que estou letrado por ti?
Que barra estou enfrentando?
Sabes que eu não quero te perder!
Se te copio, control C!
Se te colo, control V!
Se não me queres, control X!

Salva?
Salva como?

Qualquer nome!

????????

Quando colocaremos nossos pingos nos is?

Cedilha, indignada
Não fraseou mais nada,
Encheu-me de interrogações,
Perdidas exclamações…

… e ponto final!

Não tive outra saída senão
Sair!

(Jan: 14, 2008)

Segredos e Recordações

Posted in Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 18 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

Não devo tratá-los descordialmente!
Não tenho ouro, nem prata, nem diamantes…
O sol vai debruçando fielmente
Num aureolo tatuado de amantes!
Pousa na minha janela um olhar distante…
Em teu retrato, não me vejo mais!
As memórias trazem riquezas e postais…
Um mistério que fica do outro lado do oceano !

Bondade é uma das chaves!
Como consegui-la?
Como resgatá-la?

Em meu baú de recordações
Encontrei um cartão teu
Que me enviastes quando estavas na Europa!
Que me diz:

“Para teres meu coração,
Tu necessitas abri-lo!
Que esperas então,
Se tens o meu brilho?

Generosidade… que nos torna francos em humildade!
Franqueza…que nos entusiasma à felicidade!
Entusiasmo…que nos dá direitos de vencer a luta!
Direitos iguais…que nos compromete em mantermos a conduta!
Compromisso… que nos torna bondosos para com a fidelidade!
Bondade… que nos presenteia com amores plenos!
Amor… que nos faz amantes enquanto eternos!

Cabe à porta, o segredo… e mais nada!
À vontade de descobri-la tens!

De quem te espera. Tua Amada!”

Tuas mãos em minhas mãos,
Ajoelho-me beijando-te a tua foto!

Saúdo-te pela tua humildade!
Lamentando apenas, que meu orgulho interfira…
Minha ordem não se humilha,
Por ser humano, talvez?
Corremos riscos,
Enfrentamos nossos perigos!

Peço socorro!

Que chave me falta?
Deram-me tantas falsas…
A do desprezo?
A do isolamento?
A do querer simplesmente querer?

O que me respondes então?

Sento-me em minha poltrona,
Abro um livro, com tua dedicatória…
Os meus olhos se voltam para a janela!
Olham para o passado!
Ficam assim distantes!

Filmes que em segundos
Passam em minhas telas de vidro!
Suspiro silenciosamente, suspiro!
A noite se aproxima,
Os filmes não terminam!
O cansaço sobrevém,
A janela fica fria…
Anoitece, definitivamente anoitece!
Desprezos, isolamentos, retornos,
Saudades, quereres…
E eu não li teu livro!

Não devo tratá-los descordialmente?
E se tivesse ouro?
Prata?
Diamantes?
O sol estaria ainda se debruçando fielmente
Num aureolo tatuado de amantes?

Sempre, sempre
Pousa na minha janela o meu olhar distante…
Em teu retrato, remoças cada vez mais!
As minhas memórias…
Memórias, eu disse?

Como consegui-las?
Como resgatá-las?

(Jan: 17, 2008)