Archive for the Crônicas Category

Paixão Inacabada de um Amor não Vivido (amores infantis) III

Posted in Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 10 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

As Noites

I
E quando à noite dormia
Meus sonhos eram só dela…
Eu perguntava pra mim:
Será que fujo com ela?
II
Oh lua que estais tão acesa,
Se ela vai me amar!
Que eu possa dar as estrela,
Será que quer se casar?
III
Do que me adiantam sóis
Se estou velho na vida?
Procuro juntar meus nós
E aguardar despedidas…
IV
Velhos bordados de sóis,
Foram rasgados no tempo,
Não existem rouxinóis,
Foi apenas passatempo…
V
Já era tarde da noite
Que eu me fiz a pensar:
Será que fujo com ela?
Será que quer se casar?
VI
Arrasto-me em corredores
Num peito que não mais sente
Tenho remédio pras dores,
E muito café com leite!
VII
Hoje só resta dormir
Sem ter ao menos carinho…
Metade só que partir
E outra vive no asilo…

                         (Dez: 24,2007)

Paixão Inacabada de um Amor não Vivido (amores infantis) II

Posted in Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 10 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

As Tardes

I
São muitas perguntas assim
Que eu não sei responder,
Sempre esperava pra mim
Que curasses meu sofrer!
II
Imaginei que era eu!
Ficando todo empolgado!!!
Eu quero nos braços teus
Ser apenas um bordado!
III
O tempo passou tão depressa
Que eu não pude te ver!
Será que o amor interessa,
Pra aquela que foi meu bem?
IV
A minha casa está velha
E velhos os meus andares,
Será que quer se casar,
Com meus lamentos dos vales?
V
Eu nunca tive amigos
Que me doassem seus ombros,
Plantei, colhi meus castigos,
Vivendo como escombros!
VI
Não tenho mais o meu quarto,
Só vejo gigantes muros…
Queria ter seu retrato
E velhos ficarmos juntos!
VII
Não quero mais as lembranças
Nem quero mais os jardins,
Eram sonhos de crianças…
Foi pelo menos pra mim!

                                 (Dez: 24,2007)

Paixão Inacabada de um Amor não Vivido (amores infantis) I

Posted in Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 10 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

As Manhãs

I
Velhos bordados de sóis
E um sorriso a brilhar
Que cantem os rouxinóis,
Enquanto sonhas amar!
II
Temia muito sofrer
Que o mundo ia acabar!
Não tenho muitos amigos
Preciso te seqüestrar!
III
Se pelo menos sentisses
O que eu sinto por ti,
Eu quebraria as setas
Só pra dizer: eu venci!
IV
Um dia pela janela
Do meu quarto vi passar
A garota dos meus sonhos
Será que quer se casar?
V
Não tinha muito saber
Para saber o qu’eu queria
Temia muito sofrer
E ela sonha em amar!
VI
Nem disse muito obrigado,
E nem sequer um adeus
Um dia eu sonho acordado,
No sonho dos braços teus!
VII
Pela janela eu vi
No teu jardim um bordado,
Talvez desenho de ti,
Talvez desenho do amado! (?)

                   (Dez: 24,2007)

Perfumes ao Vento (ou Rastros de Adeus) XXIII

Posted in Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 10 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

XXIII – ANALOGIAS

I
Vieste num sábado qualquer de junho,
Entregaste-me um cartão, e saíste!
Os olhares te seguiam famintos pelas ruas!
Meus olhares, simplesmente se reservam
No silêncio de entender os por quê!
Amantes ilegais,
Amantes de etc e tais,
Amantes inconstantes,
Amantes, somente amantes
Inconformados letais!
Amantes importantes!
Incrédulos bacantes!
Amantes informais!
Escrúpulos amantes!
Amantes informantes!
Crepúsculos morais!
Entregaste-me um cartão, e saíste!

II
Caminho a passos lentos,
E em cada esquina que conquisto
Observo que em cada olhar de alguém,
Existe um eu esquisito…
Ora, seguindo tua sombra,
Ora, perdendo-me na multidão!
Alguém esbarrou em mim,
Alguém análogo de mim,
Ora, querendo ser simples transeunte,
Ora, perplexo nos outros dias!
Sábado marcado nas folhinhas,
Ditavam algo especial:
Se fui, não sou o que era antes;
Se és, é porque tu me convinhas!
Entregaste-me um cartão, e saíste!

III
Em nanquim te desenhei em vegetais,
Não tinha outra maneira de te converter!
Haviam mil razões de te perder,
Mas registrei-te em meus arquivos de aço,
Com chaves e até senhas…
Amantes arquivados em cartões!
Nas vitaminas e sais minerais
Devorei-te como aquele dia
Que alguém esbarrou em mim:
Num dia distante e simpático;
Silenciei-me como um silêncio sabático!
E tu simplesmente
Entregaste-me num cartão, analogias!

(Set 15, 2001)

Perfumes ao Vento (ou Rastros de Adeus) XXI

Posted in Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 10 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

XXI – CONTRATEMPO

I
O relógio na parede de sala
Marcavam duas e trinta da madrugada…
O silencio percorria nossas falas,
Gracejos e o toque das mãos
Falavam algo que o silencio
Não podia ouvir…
-“O que foi, meu Amor?”
teus lábios carnudos sussurravam
aos meus ouvidos.
-“Não. Estou apenas pensando…” Respondi.
-“Em quê?”
-“Em nós!”
o nosso tempo na parede esta contra nós…
podia sentir em cada segundo nosso.
Não tinha como desmarcar o horário do vôo…
Seriam às sete e ponto final!
As malas sentiam a nossa presença
e ficavam tristes a lembrar de tudo…
por sobre a lareira, nossa foto em preto e branco,
do nosso último encontro,
tinhas colocado junto ao meu blaser.
Me roubou um beijo, e outro, e outro…
… e fugiu para a varando.
O relógio estava avisando que o tempo
Esgotara-se entre nós!

II
Meu relógio, minha pulseira, meus óculos…
Estavam olhando para mim
Num contratempo que não consigo decifrar.
Rapidamente o táxi chegou.
Entrei, e desesperado te busquei
Com meu olhar se estavas me olhando…
A velocidade de tudo vai distanciando
O portão, as flores, as luzes frias,
A tua imagem…
Um grito estava prestes a explodir
Em meu peito, mas me contive!
Sabia eu que lá atrás a minha amada,
Sentada na varanda
Abraçava meu retrato.

III
Na janela as nuvens se aglomeravam,
E cada vez mais distante ficava…
Meus sonhos se tornaram aéreos demais
Pelo o que eu tive!
Visualizava compenetrado tua foto,
Com sorriso brando, maroto e convidativo,
E podia senti-los e beijá-lo…
-“O que foi, meu Amor?”
Os meus reflexos te traziam a minha frente
como intocável forma de mulher.
Quilômetros e quilômetros eu me pedi…
Ficando à margem de nós dois:
A intimidade e os delírios!
As brincadeiras, os travesseiros,
Os balançares na varanda,
E o podar das tosas.
São o nosso tempo real!
Com o amor veio o contratempo de nós dois,
E a tentativa de eliminarmos as distâncias
Tomou conta do nosso tempo!

(Set 01, 2001)