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Perfumes ao Vento (ou Rastros de Adeus) XX

Posted in Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 10 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

XX – DIÁLOGOS

I
O que trazes em teu pensamento?
Vejo pelo visto que os meus pensamentos
Inundaram-se de sonhos…
Persigo meus intentos,
Revejo meus tormentos,
Ou lá no fundo, quem sou?

Sou eu uma indefesa criatura,
Que te invade o pensamento
Em busca de loucura?

Quem senão eu,
Archote em mãos alheias,
Rastro apagado na areia,
Ou intenção que fulgura?

Prezo pelos meus costumes,
A fé quem sabe me desfaça de ciúmes,
A morte um gosto amargo
Em fel, ou ânsia castigada
De rasgado mel?

Não faço tocaias
Em pensamentos teus,
Sou víbora presente nos teus passos,
Ou trago em peito meu
Num coração ateu
A tua forma de ser?

II
Visto retomar altos castelos,
Se desmanchando em areia,
Visão de forte rocha parecia,
Mas a fragilidade existia,
Nos corredores,
Das maldades
E dores, da sua criadagem!
Experimentei, beijos doces,
Apimentados, agridoces,
Insossos, medíocres,
Mas não, os teus,
Favos reais de mulher…
Não rufares, nem clamores,
Ouço apenas, no além vale,
Um começo breve
De falares,
De andares,
Da busca de neves em desertos baldios!
Vejo em meus caminhares,
Que tu pertences a algum nobre,
Que de brasões, lutas contínuas
E tradições, venham a te possuir
Como senhora de algum paço distante!
Não me zombem, oh estúpidos fidalgos,
Que esta mulher, de pele em pêssego,
E face em maçãs, me é por direito,
A costela, o barro perfeito
Que saiu de mim!
Meus ossos clamam
Por seus amores,
E cada pedaço de meu corpo,
Rebelam-se em lutar,
Uma revolução do eu interior
Com os eus covardes sem par!

III
Lês meus pensamentos?
Quais páginas são sobre ti?
Algo proibido?
São mesmos que os teus?
Ou tem algo que é difícil de se interpretar?
É complexo?
Vulgar?
Quantas propostas existem?
Quantas tristezas se escondem?
Quem tem o direito?
Existem problemas
Que dizem meus pensamentos
Sobre as tuas atitudes?
Sou valioso na conquista
Ou necessitas que eu te estude?
Afinal, se lês meu pensamento,
Porque então me manténs cativo
Como fosse um predicativo
Perdido em tuas perguntas?

(Ago: 19, 2001)

Perfumes ao Vento (ou Rastros de Adeus) XIX

Posted in Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 10 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

XIX – EXPRESSÕES

                                                                           I

Ao longo de minha vida,
Viajamos por vários quartos do mundo,
Expondo em cada um,
Nossos assuntos, nossas doutrinas!
Onde estão os discípulos do amor
Dos poemas, dos dias romanescos?
Os poetas mentem em demasia!
Se me coloco numa das margens do rios,
Do outro me questionas:
-“Até quando ficarás ai?
Minha vontade é cruzar meus braços,
Enquanto no penhasco, flutuo ao vento
Da existência,
Aos ventos do exercício de ser teu!
Não te descarto na eugenia,
Dirás a minha prole:
-“Do meu amado, nos fizemos um
como corpo enobrecido,
como sangue viajante,
como duas vidas únicas!
Meu amado, é meu par,
Meu guerreiro medievo!”

II

Supero todos os defeitos,
Supero todas as mazelas,
Supero toas as angustias,
Supero todas as esperas,
Supero todas as viagens,
Supero todas as rotinas,
Supero todas as visagens,
Supero todas os valores,
Supero todas as falsidades,
Supero todos os abstratos,
Supero todos os atores,
Supero todos os contratos,
Supero todas as maldades,
Supero a mim mesmo,
Só não consigo te superar!

III

Cures-me meu amor,
Já não suporto teus predicativos,
Transbordou meu coração com adjetivos
Nunca esperados!
Doce momento,
Invejosa cautela de querer…
Não se termina,
Não completa,
As sentenças
Ficam abertas,
Esperando o que está separado!
Verdades. Onde estão?
Se não consigo
Libertar-me destes inconseqüentes
Perigos…
Os meus projetos se tornam fósseis,
Para os prazeres doentes…
Meu tratamento
É para especialistas,
Curar pensamentos,
Como custar ventos de maio,
Primeiro, intento;
Depois o desmaio!
Qual colo cair?
Qual rosto afagar?
Qual solo servir,
Se não dá pra esperar?!
Se me coloco numa das margens do rios,
Do outro me questionas:
-“Até quando ficarás ai?
E eu respondo:
-“quando pudermos construir
juntos um antídoto,
que justifiquem nossos parágrafos!

(Ago: 14, 2001)

Perfumes ao Vento (ou Rastros de Adeus) XV

Posted in Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 10 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

XV – IMPRESSÕES

I
Outro dia, numa manhã fria,
Ao tomar meu costumeiro café,
Fui até a janela para apreciar
A chuva fria que aspergia
Em nossos jardins!
Foram momentos únicos que me davas,
Beijava-me o rosto
Dizias “bom dia, amado!”
De surpresa, sobre a mesa.
Tortinhas de maçã e erva-doce,
Torradas e geléia…
Adoçavas sempre as minhas manhãs…
Mas o que mais apreciava,
Era sentir em meu corpo todo
Que tu me revestias
Com teu corpo de tecelã!
(…)
Mas, o que eu mais apreciava
Era sentir em meu corpo todo
Quando me lapidavas
Com teus beijos de artesã!

Quando me surpreendias
Com teus banquetes de gentil cortesã!

II
Outro dia, numa tarde tropical,
Ao sair de uma ducha de água fria,
Lembrei-me das brincadeiras
Que fazias, das inúmeras carícias
Que me presenteavas…
Nossos beijos úmidos,
As espumas brancas em teu corpo moreno
Nevavam-te com o mais rico cenário artístico
Que havia visto!
Uma pérola que as águas me revelaram,
Agora em minhas mãos!
Eras tropical para mim,
Assim como continuas sendo.
A todos os meus desejos respondias:
-“Sim!”
e as fantasias?
E as surpresas?
E os muitos beijos?
-“Não temais meu amado!
Não tenhais medo,
Estarei sempre do teu lado!”

III
Outro dia, já à noitinha,recolhidos em nosso leito,
Os lençóis e os travesseiros
Como uma paixão de eternas ventanias,
Ficaram no chão!
E nós, vítimas persistentes do romance,
Nuns abraços fortes e resistentes,
Ríamos de nossas rimas,
Ouvíamos galopes vindos do coração…
E de todas as obras-primas,
Tu estavas em minha própria galeria,
Como o meu grã-tesouro: guardada!
Como a minha pérola: escondida!
Como o meu único segredo: selado!
Como minha única mulher: a amada!
De todas as amantes: a querida
Como meu sustentáculo de vida: o derradeiro!
Como um sonho real
e de verdadeiro império de impressões digitais!

(Jul: 30, 2001)

Perfumes ao Vento (ou Rastros de Adeus) XIII

Posted in Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 10 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

XIII – LÁBIOS

I
Partem-se os lábios, beijos divididos
E um sôfrego desejo
De nos possuirmos!
Carne, minha carne! Por que sofres?
Não foi teu contentamento o despejo?
Que morada tu terias se não fosse aquele beijo partido?
Tens que se aprumar ao vento das Palavras Sussurradas…
E por estréia de um beijo,
almejar ser entre os atores
O que reage aos rancores!
De ser entre os pintores,
O criador da beleza das cores!
De ser mais que os imperadores,
Ser o senhor dos senhores!
De ser mais que todos os sabores,
Ser o licor dos licores!
De não mais os dissabores,
Mas ser teu , somente teu,
De todos os amores!

II
Sem gestos, ou sombras como hálibis,
Caímos indefesos em nossos atos!
O vento te descortina em nudez serena,
Teus olhos, seios, bocas e desejos,
em peito meu, coração se transbordava inteiro…
Tu és aquela que meu reino tu veneras,
Na busca alteza de impérios
Construindo num beijo
Trágico os dilemas!
Morde meus lábios, desesperas!
Rompe no silêncio o despertar de feras!

III
O ato imaculado vocifera
Pelos cantos da sala,
Corpos salsa e merengue,
O vento sopra e não se cala,
Me beijas enquanto, saio,
se atiras em saias
enquanto entregue,
beijas (a) fala, beijas (o) falo!
as bocas úmidas se seguem
vertiginosamente em atos inteiros,
contemplando o que nunca fomos,
o que nunca fostes,
o que eu nunca fui numa era!

(Jul: 09, 2001)

Perfumes ao Vento (ou Rastros de Adeus) XI

Posted in Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 10 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

XI – NOTURNOS

 I
Abençoadas camas,
Abençoada amas,
Abençoadas damas,
Quem reclama?
Eu proclamo?
Digo noites ,
Dizes dias!

A arte de completa em vigília,
Transcende-se em harmonia,
Se remoça
Alimenta-se,
Fome instintiva de querer mais,
É um não saciar,
É ser nômade,
É ser sedentário!

É viver no paleolítico,
É prazer no neolítico!
Platão me descreve em cavernas,
Homem confuso,
Nas descobertas…

Eu te descrevo: moderna;
Mulher de corpo e alma,
E de belas pernas!

II
A vida lhe confia um segredo,
Eu sou aquele que te desvenda…
Com tuas garras me prendes,
Enclausurado em tuas fendas,
Me beijas,
Me cobres,
Com tendas de nobres,
Esparrama-me em teu corpo macio,
Como uma loba no cio,
Arranhas meu ser,
Arrancas poder
Eu te podo,
E pedes que eu te podes
E eu, feito presa,
Amarras-me em tuas teias
E num pulsar de veias
Ateias fogo,
Ateias chamas,
Chamas nuas,
E brindamos alcatéias
Em nossas camas!

III
Os sábios servem o povo!
Tu me serves,
E eu, teu servo!
Não seremos ser os últimos sábios,
Nem seremos os primeiros servos…
Fazemos do nosso silêncio a retórica,
Dos nossos gemidos a lei!
Temos nossas igualdades,
Criticamos os estultos,
Amamos a liberdade,
depois de aventurarmos para além do oceano,
estendemos nosso reconhecimento a humanidade:
“Sede a fraternidade!”
Ouve-se um grito,
Um temor estranho!
Uma voz labuta:
-“Vem meu amor, entrais em minha gruta,
e esquentai meus sentimentos!
Sentes o que eu sinto?”
E homem selvagem e faminto,
Na poesia lapido,
De uma maneira tão bruta,
Como um viajante, ou mendigo,
Um rei sem emprego, maldito,
Que espera o momento da luta…
Que nas caminhadas, medito…
Que de tanta fome, não resisto,
Feito guerreiro espartano,
De entrar em tua gruta
E num desesperado grito,
Dizer-te: “Te Amo!”

(Jun: 17, 2001)