Archive for the Crônicas Category

Misere

Posted in Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 9 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

Sem-tetos pelas minguantes noites,
Buscam leito em macios lugares,
Como fossem dos bedéis os únicos,
Defectíveis com todos os pares!

Ficam a contar passos inteiros
Todo dia em busca de presentes,
Levantes com vizinhos meeiros,
ideais insanos dos doentes!

Justiça não há nestes lugares!
Debochando de quem quer ser dono,
Retornes enfim pra não voltares!

Supliquem a volta, não se zanguem….
Hasteiem bandeiras com seus sonhos…
És tu, Vermelho! És tu, meu sangue!

(Mar: 26, 2000)

Parto Oriente!

Posted in Crônicas, Música, Pensamentos, Poemas, Poesia on 9 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

Só vadiava horas em busca de um leito,

Alguém que por mil réis proporcionasse amor!

Só vadiava horas porque tinha medo,

De perder seu emprego de um tal doutor!

Como se fosse dama, enfeitou seus beiços

Com 24 horas de baton vermelho!

A lingerie na bolsa, tod’os adereços!

Se via uma princesa no trincado espelho!

Quem disse que voltava cheia de esperanças?

Não sabem que o cliente era serial killer!

Dançava Michael Jackson, imitando Thriller!

                                  E ela só sonhava em dançar (Moonlight Serenade) Glenn Miller

E todo seu decote esparramou no thinner!

Guardava na barriga, infeliz criança!

(Nov: 19, 1999)

 Michael Jackson, Thriller: 

 

Glenn Miller, Moonlight Serenade:

  

Girassóis

Posted in Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 9 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

(à nandajimenez) 

 

Velhos bordados de sóis,
numa toalha sem par,
queria ser girassóis,
Corpo Dourado de mar!

As ondas querem dizer
pra de manhã namorar…
como como posso viver,
Corpo Dourado sem par?

Ventos tentam sozinhos,
as brisas acompanhar…
eu quero tanto um carinho,
Corpo Dourado amar!

Se hoje falo de mares,
porque estive por lá…
já tive tantos amores…
Corpo Dourado, vem cá!

Tu és tão linda sereia,
eu já não sei navegar…
eu fis castelos de areia,
Corpo Dourado morar!

Tenho surpresas prati
de como eu posso te amar,
não quero nunca partir,
Corpo Dourado casar!

Corpo Dourado, molhado!
Corpo Dourado de mar!
Corpo Dourado, malhado!
Corpo Dourado de amar!

(Jan: 09, 2008)

Perfumes ao Vento (ou Rastros de Adeus) IX

Posted in Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 8 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

IX – AS PROMESSAS

I
Vocifera meu âmago contra tudo
Contra a bestial mecanização do mundo!
Vences-me com uma força dionisíaca,
capaz de me afastar da monotonia apolínea
instaurada na Europa.
Depois me dissestes que prenderias

o abominável espírito do ciúme…
Me torno tédio entediado de mim mesmo…
Os dias distantes embruteceram meu coração
Me perdi no essencialismo

de cultura superior que está em ti!
Fico perdido!
Tua figura me conduz a estoicismo grego
De paixão e dor,
que justifica as ações dos homens
de acordo com a tua virtude.

II
Vejo-te todo em crepúsculos,
Analisando-te como conseguistes

penetrar no coração

dos nobres amantes…
Combatias instintivamente para me conquistar,
Entre os gregos e os romanos,
Um sonho erótico,
Para mim, um conquistar de menestrel…
Sobressaio aos gládios,
Afastei-me da luz da razão,
E fui de encontro as tiranias…
Tua sombra gentil
E a minha,
Afastaram-se para nos interpretar
Como notícias alvissareiras…

III
Condeno tua ausência,
Condeno tuas tristezas,
Condeno nossos emudeceres,
Condeno a falta de risos,
Condeno olhares ao léu,
Condeno olhares marejados,
Condeno a falta de vinho,
Condeno minhas ausências,
Condeno minhas tristezas,
Condeno minhas tiranias
Condeno-me por te magoar assim,
Condeno-me, por não honrar minhas promessas…
Condeno os condenados como eu,
A amar para sempre!

(Jun: 12, 2001)

Perfumes ao Vento (ou Rastros de Adeus) VIII

Posted in Crônicas, Pensamentos, Poesia on 8 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

VIII – QUEBRA-NOZES

I
Imaginação, o que está além de ti?
Todos os seus atos e os seus gostos?
As suas cadeias e os seus limites?
Quero poder fazê-lo abolir os teus limites,
Aceitá-la como uma interpretação diferente,
Não vulgar,
Não efêmera,
Simplesmente, simples, como és!
Não posso exigir tal transformação de ti,
apesar das tuas sempre frases pomposas,
tua eterna idade de menina,
ou de teus quereres furtivos…
tanta graça em teus passos,
sapatilhas, gestos, sombras,
unges teu corpo em óleo perfumado
de íntimo amor…
não queria os tesouros da terra,
nem todas as pérolas do mar,
da minha carne crua,
a minha graça te dava,
e não alimentavas
com tua paixão só tua…
e fiz-me então um plebeu,
atrás das muralhas me escondo,
e sondo os teus afazeres…
olhai, quão perdido estou,
com pedras, armaduras
tão fugas,
tão capaz,
de mostrar aos teus zelos
que não importam
se grandes muralhas,
ou portas fechadas,
eu seguirei triunfante,
a te buscar amante,
se ainda quiseres ser minha,
somente!

II
Escondestes-me no engenho,
Como uma cana malhada
Não o sol nascer, nem lua dormir…
Por tempos, fiquei ali,
Encolhido por espanto,
No anonimato esplendor,
De ter triturada as palavras
De um oculto escritor!
Sou desconhecido poeta,
Que no engenho de açucares,
Fiz do nossos lugares, melaço…
Fiz dos teus acordes, inchaços,
Não queria mais doer,
Nem queria mais sorrir…
Eram chibatas dançando,
Nos beirais dos casarões…
Nozes,
Amêndoas,
Castanhas…
Felizes os gentios
Que vasculham nas cegueiras, a luz…
Que rompem dos silêncios, a voz…
Que vigiam seus senhorios…
Nos teus engenhos, aprendi
Que por mais que eu lute por teu amor,
Não terei razão de continuar…
Se continuar, quebrarão meus braços
Com todos os cansaços a não te abraçar!
Vedarão meus olhos,
Que felizes te viam
E te seguiam como uma menina,
Convertida em uma bela bailarina…
Pararão meu coração,
Para estancar as paixões que tive
Nos momentos venosos da vida!
Farão de tudo,
Mas não abrirão de mim
Segredos do que é o amor!

III

Me fizeram soldado
Por uma luta sem tréguas,
Me proibiram armas,
Me retiram cantis,
Das amêndoas ficaram os aromas,
Das nozes somente o prazer de juntá-las,
E nunca prová-las…
Meu corpo guardam cicatrizes,
De todas as vezes que eu queria te ver…
Porém com brutal insistência,
Te criei paciência,
Pra sentir teu bailar,
De sentir teu prazer,
De um dia provar,
O que eu não pude provar:
Perfumes ao vento,
Abelha rainha!

(Jun: 09, 2001)