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Perfumes ao Vento (ou Rastros de Adeus) VII

Posted in Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 8 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

VII – RETRATOS

I
Envelheci pelas saudades!
Pelos carinhos que me destes, remocei!
Minhas mão, agora trêmulas
Não sentem tuas mãos,
Não acaricia mais o teu corpo
De eterna musa!
Preciso de ti meu amor!
Onde andas o nosso pôr-do-sol
Que te furtava sorrisos,
Que te brilhavas inteira
Quando estavas comigo??
O chocolate quente
Com pimenta e canela
Esfriou assim tão de repente,
Sem o teu calor de quimeras!
A cadeira de balanço,
Balança minhas saudades…
Na varanda, no farfalhar das pétalas,
Onde bailavas com excitante corpo,
Minha bailarina o que fizestes
Como o sol de nossa mocidade?

II
Preparavas meu chimarrão,
Tal qual te ensinara!
Puxavas a cadeira de vime,
E ao meu lado sentavas!
Proseávamos madrugada a dentro,
Acompanhando o vento
Nas nossas divagações…
Apertava-me junto ao teu peito,
Fazendo-me sentir amante completo!
Depois, num gosto noturno,
Compreendi que o mundo
Ficaria completo
Se entendessem o nosso amor!

III
Na minha carteira de couro uruguaio,
Que me presenteastes quando do meu retorno,
Esconde teu retrato
São elementos naturais,
e junto voamos quais águias,
e combatemos os vôos das serpentes;
dos invejosos, dos ímpios,
dos medíocres, dos larápios…
Os discursos se enchem de meles,
As bocas, de ataques,
As vidas de rastejos!
Quando interrogamos: o que é o Amor?
Afastam-nos das verdades,
Dos aspectos interessantes do mundo,
Dos interpretações míticas do mundo,
Do senso comum das negações!
Não terminastes meu quadro,
Ficando só o rascunho,
Leves traços,
Tintas foscas, tela francesa,
O sombreamento confirma meus atos,
E com teu dom artístico,
Apagastes de mim a ignorância do dogmatismo,
Que fazia com que eu acreditasse nas coisas fúteis
E vazias!
Teces em mim cores pastéis, aquarelas, nanquins…
Escultora de mim,
Escritora de mim!

(Jun: 03, 2001)

Perfumes ao Vento (ou Rastros de Adeus) VI

Posted in Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 8 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

VI – SUPLÍCIOS

I

Era chuva de maio, e os ipês amarelos
Desmanchavam-se em flocos
Pela nossa rua arbórea!
Não fazia idéia de que ventos de maio
Trouxessem-me tantas recordações,
Que me igualei às pétalas de maio…
Foi apenas por um instante que me transportei
Aos ipês que tu admiravas com emoção ímpar
E de real fulgor!

Desmanchavam-se em flocos…
Meus ideais caiam com chuva também,
A namoradeira no canto direito da sala,
Está vazia!
Está perplexa com o abandono!
A sala contristada, ou algumas peças de Mozart,
Mas, desmancham-se de indignações,
Minha saudade,
Meus desejos…

II

Considero teus atos divinos,
Me traz entendimentos sobre-humanos..
Toda tua natureza deveria ser experimentada
Minha amada!
Governas em meu coração como espírito guerreiro,
Me preparando a viver em estado de guerra…
Resisto,
Resisto,
E não me sais da memória
Sou crítico, e coloco-me no mundo
Como reflexo de tua coragem!
Não sou escravo, nem vencido…
Recompensastes-me com o desejo de vencer,
E neste vale de lágrimas,
Tua virtuose se sobrepões as todas as naturezas…
Transmutes meu coração com o teu brilho,
Para que eu possa lutar
Com revigoração tua cultura de mulher!

III

Minha tarefa é solitária.
Tua tarefa é solitária!
Somos eruditos em nossas responsabilidades.
Lutamos contra os defeitos,
Queremos a perfeição…
Questionamos a natureza e somos questionados!
Nosso amor está escasso num universo
Esgotista e frívolo!
Tu me enxergastes quando eu estava cego
À realidade do mundo;
Eliminastes minhas dúvidas
Quando pensei ser um herói solitário!
Afastaste de mim os tempos perdidos,
Que esquartejavam meus sonhos!
As montanhas movem-se aos teus pés,
Como submissas
Como Gólgotas,
Como pedras filosofais,
Como conquistar milhões de livros,
Em bibliotecas nas Alexandrias perdidas…
Assim, suplico que venhas
E nos debrucemos ante as Escrituras Sagradas,
Para entendermos o Princípio
E o Fim…

Teremos mais chuvas,
A cada ano Maio,
Mas os ipês,
Não temos certeza!

(Mai: 24, 2001)

Perfumes ao Vento (ou Rastros de Adeus) V

Posted in Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 8 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

V – NOSSOS TEMPOS

I
Vejo rascunhos, e telefones anotados,
Mas não vejo nome, teus detalhes!
Busquei uma caneta esferográfica,
E desesperadamente, tentava alcançar
Tua imagem holográfica
Em minha memória…
Mas, apenas um suspiro
Imediato de nós dois!
A cortina levitava-se como mensageira:
-“Aguarda! Não te desesperes!’
e naquele momento sublime
um telegrama gritava à minha porta!
Desci sem ter noção do que estava acontecendo,
Temendo que fosse uma mensagem qualquer,
Um erro pra qualquer um…
Ufff! Valeu a pena!
Eras tu minha amada e eterna mulher,
Que me alimentavas com água e mel,
O meu eterno jejum!

II
Valseamos pelas varandas, pelos quintais
Nossos muros, nossas muralhas…
Nossos sorrisos, nossos segredos…
Vestias tons de rosa e cereja,
Abrilhantava tanto que até o sol
Se pôs atrás das nuvens de algodão
Embevecida em lágrimas…
Valseamos tardes e noites,
E pelas manhãs descansávamos,
O vento roçava arrepios em nossos madrigais,
E a chuva?
Só ela sabe de nossas malícias (legais)!

III
As horas voavam em meu Cartier,
Quartos de horas semeados em séculos!
Valeu-me ser um desafortunado?
Aquele que querendo escrever-te
Não precisou o teu tempo!
As tuas jornadas passaram pelos meus pensamentos,
E aquela ampulheta que me destes partiu-se em dois,
Um, desejoso de retornar às brincadeiras;
Outro, perpetuando um tempo dado entre nós!

(Mai: 20, 2001)

Perfumes ao Vento (ou Rastros de Adeus) IV

Posted in Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 8 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

IV – UNÂNIMES

I
Mandei-te flores numa manhã de inverno!
Temia que elas fossem murchar,
E ao recebê-las, tivesse a sensação de uma tristeza!
As flores têm vida, e vida cheia de cores…
Exalam perfumes, que às vezes desconhecidos,
Nos tragam num romanesco estado de delírio!
Cativas meus frutos, meus temas,
Como cravo e canela, temperamos os nossos dias!

II
-“Que tens meu amado, que por segundos
não te tenho ao meu lado?”

Teus segundos me questionam,
e eu não sabia responder!
É claro que sabia, nem tudo é eterno,
Não podia simplesmente, sair em retirada,
Tinha meus afazeres, tu sabias
E éramos quereres…
Quereres em tudo!

III
O vaso de cristal indiano que te dei,
Com delicado nome teu, trincou-se…
Assim como trincou o tempo,
A chuva, o vento paisano;
Que batia à nossa porta
Soprava em falsetes:
-“Sois o conjunto perfeito, uma parceria:
à noite um luar resplandecente ilumina os passos;
de dia, um sol, que se faz escaldante, atravessa desertos,
e pousa atrás dos vales!
Sois riquezas extremas: o ouro e a prata!
Do que vale um piano sem o marfim e o ébano?
Não contestais oh! nobre casal vosso futuro…
Sejais unânimes nos vossos quereres,
E se crerdes, tereis mirras

e Boucheron, Byzance, Cabochard,
e vossos vasos puros de alabastro!”

(Mai: 19, 2001)

Passional, opus 38 – para piano e oboé.

Posted in Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 7 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

3 momentos!
8 carinhosos sonetos!

3 motivos!
8 surpresas de arquivos!

3 lembranças!
8 emoções digitais!

3 bouquets!
8 canções do Bee Gees (Immortality)

3 perfumes!
8 ciúmes medíocres!

3 alegrias!
8 tristezas de míope!

3 sentimentos!
8 desgostos!

3 horas,
8 minutos!

3 de março!
8 ameaças vitais!

3 testemunhas
8 silêncios fatais!

3 estilhaços!
8 vizinhos suspeitos!

3 gemidos no quarto!
8 jantares desfeitos!

3 longas horas – um parto!
8 eternos minutos!

3 eram estranhos!
8 eram felizes!

3 poucos anos!
8 sofridos meses!

3 …
8 …

nenhum amigo!
Amén!

(Dez: 14, 2007)