Lamento furtar todo teu ardor
Havendo chagas no passado meu
Jurei não mais te esculpir no futuro.
Lamento furtar todo teu final!Meio sonolento, meio sonâmbulo,m
Destruo na sarjeta dos remédios
A pílula inocente do amargor:
A sílaba estúpida do adeus!!!
O grito surdo arde na garganta
Poente de adagas e brasões,
Protestam os fados e os leões…
Recalcado com o cenário frio
Soltastes a fera presa que te endividara.
Vasculho entre a razão e o meu choro
Que estou murchando como
Que na velhice junto com os velhos,
Que quando velho se sente jovem
E quando jovem se entende
É porque no pretérito me esculpi
Em furtos e finais
Ervas medicinais e tédios…
… haverá chagas no passado meu?
Jurei não mais te esculpir no futuro?
Futuro?
Tenho que ir agora…
… minha gaveta está aberta!
(Abr:09, 1994)