Archive for the Crônicas Category

Silábica Mente

Posted in Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 3 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

Lamento furtar todo teu ardor
Havendo chagas no passado meu
Jurei não mais te esculpir no futuro.
Lamento furtar todo teu final!
Meio sonolento, meio sonâmbulo,m
Destruo na sarjeta dos remédios
A pílula inocente do amargor:
A sílaba estúpida do adeus!!!

O grito surdo arde na garganta
Poente de adagas e brasões,
Protestam os fados e os leões…

Recalcado com o cenário frio
Soltastes a fera presa que te endividara.
Vasculho entre a razão e o meu choro
Que estou murchando como

Que na velhice junto com os velhos,
Que quando velho se sente jovem
E quando jovem se entende
É porque no pretérito me esculpi
Em furtos e finais
Ervas medicinais e tédios…

… haverá chagas no passado meu?
Jurei não mais te esculpir no futuro?
Futuro?

Tenho que ir agora…
… minha gaveta está aberta!

(Abr:09, 1994)

Saudades Partidas XIII

Posted in Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 3 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

(Propósitos labores)

Frutos d’imagem que se amadurecem
Entre os anseios perdidos no tempo,
Vou encontrando em tuas mãos que tecem
Maneiras de tê-la em meus pensamentos…

Os obstáculos já não importam:
Sabendo que tu estás na espera,
‘guardando-me feliz em tua porta
Com olhares e lábios de donzela!

Valioso silencio em nosso encontro,
Salta do absoluto beijo teu,
Que vai nos projetando em mar revolto
Por teu acorrentado Prometeu!

Ah! Jovem musa que se vangloria
Cultives do teu bendito labor
Boas noticias de te ver um dia…

Imponhas no silencio a vaidade,
Para eu poder sentir o teu amor!
Te quero, tu bem sabes, e mais nada!

Eu, saudade por uma paixão anunciada!
E tu, paixão por uma saudade premeditada!

(Nov: 17, 1984)

Terceira Idade (ou, Degraus do Tempo)

Posted in Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 3 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

Pelas escadas exercia a dor senil,
Que infantilmente descarregava
Nos degraus do tempo!
Vorazmente, enfeitava-se de feiras,
Balinhas de hortelã na bolsa…
Um banquete preparava aos seus vizinhos,
Um ou outro aparecia,
Mas isso a contentava,
Pois sabia que não ficaria só!
Desejos de saborear quitutes nos armazéns do bairro,
lhe traziam felicidade…
… estava só!

As pessoas olhavam com desdém,
Fitavam suas compras,
Seus cabelos longos, com laços de menina,
Ofuscava a todos com seus bordados
Em lantejoulas e madrepérolas…

Mas o que mais encantava
Era seu colar de pérolas!

Passo a passo, o tempo se faz lento,
E é mais uma conquista quando se vence um degrau!

Num dia qualquer, de um ano qualquer
Limpava sua casa, seus lustres,
Suas jóias…
Na escada frente a janela com persianas,
a labirintite maldita lhe deu uma rasteira.
Estava só!
Pois sabiam que ficaria só!

As porcelanas, os bibelôs, seus inesquecíveis camafeus…
Sua Bíblia de luxo, por sobre o balcão de jacarandá,
aberta em Hebreus grifado capítulo 4 versículos 12 e 13..
Fotografias de ilustres desconhecidos…
Ficaram só!
A sala ficou só! Os cômodos ficaram só!
As feiras continuam…só!
As balinhas de hortelã perderam seu sabor!
Tudo ficou só, nos degraus do tempo!

(Ago: 20, 1982)

Sublime Noturno nº 1: a espera!

Posted in Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 3 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

I
Quando vou te ver
Sem me esconder
Como pessoa cativa?

II
Vestes a saudade,
Nesta mocidade,
De querer só me querer!
 

III
Quero demonstrar
Pelo nosso amar
Que tu podes ser só minha!

IV
As minhas palavras
Só te deixam salvas
Tornando-te tão querida…

V
No querer podemos
Todos os segredos
Como se revela a vida!

VI
Se vivermos sós
Vem da nossa voz
Um grito de despedida?

VII
No adeus somente
Plantam-se sementes
De uma saudade partida…

VIII
Parte-se o amor
Crava-se a dor
Duma explosão contida!

IX
Contém de nós dois,
Antes e depois
Uma situação varrida?

X
Se sofrer amor
Recolhes a dor,
Em toda alm’invadida!

XI
Invade teu corpo
Com todo meu sopro
Buscando curar feridas…

XII
Me feres com um canto,
Trazendo-me espanto
Quando não encontro saída!

(Dez: 01, 2007)

Almacídio: Sonho dos Inocentes

Posted in Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 3 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

(à Carlos Marighela)

Sonhava num quarto, com binóculos na janela
E por meses realizava seus jejuns…
Empardecia seu judiado rosto.

Era a primeira vez!

Um dos últimos a saber
Era uma rebelião caótica
Que peregrinavam nas imediações!

Cogitavam ameaças substantivas
Num tanto temos que fervilhavam
Túnicas, togas
Num mel partidário de discórdias e ideologias…

Docemente gritou:
-“Quem?”

era a primeira vez.

Única vez que se retalhava nu
Diante da vergonha!

Alcovas intelectuais,
Iscariotes ambulantes disfarçavam-se de discípulos.

Tocaias?
Emboscadas?
Gólgotas urbanas dos desvalidos
Marcados por bandidos mercantis…
Choros Brutus infantis!

Era a última vez!
Uma última ceia!
Última cela!

Seu nome?
-“Não importa agora!”

quem assina?
-“…”

-“A propósito:
marquemos nosso encontro
na próxima esquina!”

(Jun: 07, 1982)

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