
II Parte – O Banquete
O tempo buscou
Do que restava das folhas…
O anseio torturou meus hábitos…
Os registros nos caluniaram…
Os mitos nos fizeram eternos!
Os vagos canteiros que plantamos…
E foram inevitavelmente desaparecendo
De nossas vidas,
E foram lentamente caindo nas saudades!
Plantamos saudades e não sabíamos!
Murmuramos no esquecimento!
Na parede crua de nossas consultas,
Das sombras que me insultas,
De um ser humano como nós dois…
E ninguém disputa!!!
O resto se esmigalhou em fatos falsos!
Somem os profetas e o aplausos!
Surgem os demagogos e os atrasos!
Os pelegos e os egoísmos invadem nossos ideais!
Os aflitos peregrinos gemem parados nos semáforos!
Os ritos bárbaros da plebe se consomem no etílico!
Os medos medievos perseguem nossas galerias!
Os gestos insanos de um artista insano, provocam arte!
E as lutas e os sangues das gangues?
E ninguém disputa!!!
As frutas dos mangues nas mesas paupérrimas do abandono!
Os outros e as outras se digladiam e se xingam pelo espaço!
Os monstros togados julgando nossos silêncios!
As mãos afobadas escrevendo histórias em banheiros públicos!
As mil gargalhadas de espetáculos no trânsito rude!
Os nossos lamentos gagos, querendo dizer a verdade!
E ninguém disputa!!!
O vento retorce as folhas de nossas lembranças!
As folhas despencam do verde intransitivo do semáforo!
O verde desbota no tempo disputado dos românticos,
E desbrotam na dor impaciente dos solitários!
Quem de vós disputa?
(Jan: 26, 2008)