Navego numa história de poesias clássicas
Ouvindo teus chamados de cantares lindos
Sonatas e sonetos num acorde único
São únicos poemas que me trazem lúdico
Aos poucos atravesso infinitas músicas…
Verdades que me dizem de maneiras bárbaras
Denotam a sutiliza de amar em público
Entrego-te um pouco da loucura minha
Reservo-me o direito de andar nas nuvens
Andando nas calçadas sinto teu aroma
Diante do teu mar um grão de areia sou
Entregues-me um pouco deste mar telúrico…
Entregues-me um pouco deste sal homérico…
Aos poucos atravesso os teus planos místicos
Louvando nas palavras meu sentido crítico
Irei nas correntezas a buscar teu vulto!
Negaste-me noturnos, tantas árias deste-me,
Entregues-me um pouco deste corpo sísmico!
Lavando minha alma com tu’alma estética
Inovo meus quereres te amando enfim
Molhando no meu corpo teu olhar em mim
A única verdade seja dita: eu te amo!
Perfume raro! Fragrância rara!
Ah! Tuas noites! Ah! Teus sonhares!
Me sondas noturnamente, trata-me com zelo…
Não me deixas ir… … indo, quando voltarei?
Manhãs parecem longas… manhãs são tuas costas
Ao beijar-te me encontro! Ah! Manhãs…
Seguras minhas mãos… Ah! Tuas mãos!
Não fico triste. Pergunto a ti:
Amaste-me ontem? Amas-me hoje?
Qual o teu perfume ? Revela-me teu corpo, por favor…
…não pela metade! Entregues meu coração
que sussurra ao frio… calor necessito!
Imploro-te calor Imploro-te amor!
Não negues a porta… deito em tua boca
Um beijo insaciável do desejo! Aquele que me tomaste um dia!
Grito às fragrâncias… … Todos os perfumes que me escutem:
A minha musa, onde estás? Articulas palavras sem sentido?
Não! Se tenho rascunhos, reino em teu reino!
Se dialogo com o vento, dialogo com os caminhos,
As folhas caem, ventos e pensamentos se seguem…
Não mais as lágrimas! Longe estão os caminhos perdidos…
Perto estão as varandas… lentamente o perfume teu se dissipa…
Ambientando meus pensares, imaginando as tuas raridades de mujer!
Curar-te como?
és a própria cura!!!
Me procuras???
Luna de meus dias…
Sol de minhas noites…
Curar-te como?
Deste-me um pouquinho
do estar sozinho,
destes frios caminhos
quais trilhos pela tua luz…
Curar-te como?
És as minhas 4 estações de Vivaldi,
fico a te observar pela minha janela,
os cirros que transmutam nosso emblemas…
pelas varandas, sinto a brisa
das ruas ervas….
Curar-te como?
Reconcilio-me com minhas distâncias,
espectro fico a murmurar insanas músicas,
delírios em chás verdes me afogam,
gotas de orvalho em minha face
desmaiam por ser covarde simplesmente!!
Curar-te como?
Se és de tudo que escrevi
o elo que parti dessas algemas incuráveis
insensíveis,
impossíveis de eu somente eu rompê-las…
Curar-te como?
Juro-te não haverá mais brigas,
estonteantemente tuas palavras
me avisam pra curar-te…
Com palavras?
Com segredos?
Com distâncias?
Com medievos sonhos poéticos?
Sou um mortal que persiste em trair a morte
com sonetos, poesias…
Não andeis assim,
Retornes com o teu fulgor real,
retires do âmago o torpor da ânsia!!!
Curar-te como?
Mostras-te me o cálice do estusisasmo,
transbordastes em mim a realeza
de não me sentir mais mortal,
e sim, imortal…
que procura imortalizar os belos
momentos que passeamos juntos
pelas nossas calçadas.
Estendo-te meu travesseiro,
aliás, as minhas mãos!!!
Não conseguiria cingir palavras
Em tom de alegria,
Porque a minha saudade é triste!
Relembro o dedilhar de lamentações
de um ‘não’ revoltado,
peças ruas as bocas famintas,
os pés explorados,
as mãos mutiladas,
os olhos ardentes,
os sonhos abortados!
Tudo isso por um
‘Pelo amor de Deus!”
meu quarto, as paredes
choravam de melancolia…
choraram prantos,
tantos quantos dos operários…
trouxeram certa vez,
uma correspondência
deslacrada
com digitais de milícias
ao meu quarto!
Era um dia nublado onde relampejava
Sobre as pradarias
O crepúsculo de um dia
Que desvirginava pelas galerias
Dos déspotas
O momento livre!
Minhas mãos tremulavam,
Segurando a correspondência…
Sem remetente,
Sem data,
Num momento saudoso!
Quando estava no colégio
E via ao longe teus símbolos,
Nossa querida marca,
Sendo içada aos sete ventos latinos,
No gorjeio de cantos:
Democracia! Democracia! Si! Democracia!
O que restava da civilização, choramingava
Pelas sarjetas carimbadas
Pelos tributos feudais,
Pelos abusos dos senhores da lei,
Pelos togados enteados na nação!
Oriundos de genitores de aluguéis…
Cortejavam no vício do câncer feudal
O ser ou não ser da liberdade!
O século virou, e com ele as décadas vieram,
O cenário mudou,
Os personagens mantêm-se no podium!
Patronatus Profanus,
Invólucros paternuum,
Célebros elitistas,
Méritos escárnios,
Prostibulus clerus,
Meros fundadores da poção canônica
De serem puros filhos….
Labuta! Labuta!
Não me satisfaço em ler esta correspondência,
A primeira depois de ouvir
Que as flores podadas,
Que as cores foram furtadas,
Que as dores foram atadas,
Mas Violeta canta! Mesmo assim, canta!
Canta!
Estronda na platéia operária
As vozes roucas
E soturnas de homens, mulheres, crianças,
E logo surgem das mãos de um oficial
Um cale-a-boca chileno,
Emudecendo assim o grito de basta!
Não findou da Violeta felina sei dedilhar,
Na guitarra latina, o eco de libertas!
Do meu quarto salpico
Pelas janelas as correspondência,
Sem remente,
Sem data,
De alguém que algum dia
Cortejava em temor servil:
“Gracias a la Vida!”