Archive for the Pensamentos Category

Poema da Sustentação – V

Posted in 10 Decassílabos, Pensamentos, Poemas, Poesia on 31 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

V – O Álibi

Hoje me perco doentio na espera
A quem quiser as minhas horas vãs
Se hoje sofro, sofro por quimeras
Nas falhas minhas, as minhas manhãs!

Às vezes nasço sempre num poema
Teimando às vezes o temor do frio
A febre cobre todo meu sistema
Que me acoberta a morte por um fio!

Não forço nem ao coração que ataque
Pelo sofrer me trouxe cicatriz
És testemunha deste meu embarque
Te prenderia às garras que te fiz!

Volte-me como volta de passagem
Largando as malas todas pela estrada
Leve-me então contigo de bagagem
Que num contágio a alma se faz grata!

(Mar: 26, 1981)

Poema da Sustentação – IV

Posted in 10 Decassílabos, Pensamentos, Poemas, Poesia on 31 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

IV – As Pedras Atiradas

Dissolvo as palavras neste ato
Comendo silab’as minhas razões
Um grito em muitos fez-me um teatro
A me perder entre as multidões!

Às vezes quando olho minha foto
Envelhecendo apenas o papel
E no meu rosto tua imagem noto
Que os nossos sonhos foram tudo ao léu!

Ah! Se voltasse em mim a tua imagem
E acabasse com a impiedosa ida
Nós dançaríamos numa viagem
A volta ao mundo pelas nossas vidas!

Haviam sombras nas janelas tuas
Quando uma pedra atirei contente
Uma mensagem com palavras nuas
A despertar a esse amor dormente!

(Fev: 17, 1981)

Poema da Sustentação – III

Posted in 10 Decassílabos, Pensamentos, Poemas, Poesia on 31 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

III – As Propostas

Meus lábios vão amordaçando público
Tentando beijos longos numa festa
Todo o silêncio nos tornando únicos
E nesta minha vida, teu amor!

Longe de tudo e também do ontem
Na busca incansável de buscar
Meu desespero peço que desconte
E em teus braços quero descansar!

Me maltratei por ter sonhado sonhos
Sumindo assim sem me lembrar de ti
Migalhas, tenho tantas que proponho
Unirmos tudo, antes, de partir!

Se resta um pouco de fiel no doce
A imagem se distorce no espelho
As mãos tremiam juras que não trouxe
O medo impera ante o desespero!

(Jan: 29, 1981)

Poema da Sustentação – II

Posted in 00 Livressílabos, Pensamentos, Poemas, Poesia on 31 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

II – As Distorções

Às vezes vago sempre numa luta
Nos livros teus a ânsia de saber
Procurando-me em realeza oculta
Que se aproxima sempre no querer!

Em tal momento os olhos se cegueiam
Incendiando a ira de ser cego
E no meu peito amores se semeiam
Se arremessando ao abismo incerto!

Esta paixão em nós que se agiganta
Que não avisa aos falsos desalentos
O nó vai apertando na garganta
Vai distorcendo todo o pensamento!

Às vezes fico rindo quando caio
Com olhos cheios de orgulho e pena!
Se acreditasse em todo teu desmaio
Daria à vida toda uma cena!

(Jan: 12, 1981)

Perfumes ao Vento (ou Rastros de Adeus) XVII

Posted in 07 Redondilha Maior, Pensamentos, Poemas, Poesia on 31 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

XVII – GIZ

I
Sofrer, porque sofrer?
Retiras teus gostos, sofrer!
Se sofro não por querer,
Valei-me quando eu quiser…

Diante das amarguras,
Alianças fizeram pra mim,
Penúrias, oh quantas penúrias,
E eu distante de ti!

Por eu querer tanto assim
Das tuas verdades d’e-mails,
Trancaram as mensagens q’eu fiz

No alto de muitas colinas,
Icei-te para não te perder,
Icei-me aos ventos, como resto de um giz!

II
Não quero riscar o teu céu
 com tantas perguntas que tenho,
se sofro é por tua ausência,
se morro é pelo veneno…

Criei em mim um momento
que até duvido que viva,
o giz se perdeu pelos ventos,
os ventos levaram-me a vida!

Se creio é porque há uma certeza:
Que aparando teus riscos
Talvez me tragam a beleza…

Se lamento, é porque sou humano,
Se sofres, eu vivo teus riscos,
Se foges, eu sofro um engano!

III
Difícil quebrar tais motivos
Se não se consegue amar,
Não se consegue um alívio,
Amor não consegue se amar?

Meus atos são todos incertos,
Prendo-me em sofreres alheios
Não consigo manter-me desperto,
Talvez sejam meus meros anseios!

Tem coisas que podem romper
Com todos estes pretextos,
Primeiro elimina-se o sofrer

Segundo, o que o meu provérbio me diz:
“Tudo o que um giz tenha feito
Um simples apagador já causa muito efeito!”

(Ago: 07, 2001)