Archive for the Poemas Category

Vale dos Ateus: em busca de um retorno amor! – V

Posted in 00 Livressílabos, Crônicas, Poemas, Poesia on 6 de fevereiro de 2008 by Prof Gasparetto

V – Meus Lamentos

Não sei o gosto da partida.
Quando em meu leito recebo uma visita,
Alma bela e formosa senhora que me olhas,
Os olhos se dilatam, e minhas horas…
Esgotam-se,
Não preciso de saídas…
Um beijo leve paira em minha face…
Não reconheço, creio ser só uma visita!

Salivas amargas me prendem no vazio,
Criando-me raízes que se proliferam
Na mais inútil fera que me transformei!

Arranca logo minhas vísceras mundanas
Para te esquecer ao vinho o porto que te vi!
Se me puseram horas não tento altera-las
A natureza mudou o curso do esquecimento…

Enchem-me os olhos de visagens,
Contorço-me em engrenagens sílabas,
E o sulco bêbedo que retirei furtivamente,
São rosas coagidas que não serão mais perfumadas…

Vasos se quebraram e tornaram-se lixos,
O chão no rescaldo inválido me atordoa!
Como querer ser um raro amante teu,
E não conseguir,
E não tentar…

Anos que se passam,
E se estampa em minha memória
O logro da aparência espessa de antes,
E teus gestos me contaminavam de paixão
E dançavam a dança dos ateus,
A dança dos ateus intelectuais,
A dança das atéias mundanas,
A dança das pocilgas anfitriãs,
Numa prisão selada por risos sem sentimentos,
E foram-me esculpidas as rugas
Que trago hoje em minha vida!

(Dez: 09, 2003)

Vale dos Ateus: em busca de um retorno amor! – VI

Posted in 00 Livressílabos, Poemas, Poesia on 6 de fevereiro de 2008 by Prof Gasparetto

VI – Meus Arames

Lugares tornaram-me culpado por coisas que nada fiz,
O ventre de minha amada,
Faz os meus versos ejacularem-se no passado!
Isso me impressiona!
Com expressões de um futuro imaculado
E em julgamento, aquilo que criaram,
De um filósofo das sombras…
Sou um, dentre os loucos
Que vaga em busca de uma vaga
Em teu amor!
Em busca de razões,
Em busca de rasuras que cometi!

O tema absoluto me achaga minhas chagas…
Tornando uma úlcera de sentimento cardíaco…
Os magos deliciam-se em tubos de ensaio!
Os loucos tentam decifrar os códigos
Nos pergaminhos,
Escondem-se em bibliotecas,
E se tornam ácaros intelectuais…
Tento por todas as maneiras conter meu choro
Por não saber quão débil me criei,
Filosofo rastejante de passados
Para entender o que é ser humilhado!

E vão me tecendo em arames,
Farpeando as licenças que obtive
Retendo o princípio paterno de tudo,
Tristes vidas,
Trechos tristes,
O que significa conceber em cartas?
Quantas cartas melancólicas,
Fizeram-me emudecer em beijos alheios
e sentir-me anônimo no anonimato?!

(Jan: 17, 2004)

Vale dos Ateus: em busca de um retorno amor! – VII

Posted in 00 Livressílabos, Poemas, Poesia on 6 de fevereiro de 2008 by Prof Gasparetto

VII – Meu Preço

Cavas minhas covas,
Que me pertencem?
Não tenho a terra,
Não tenho enxadas,
Não tenho grades…
Somente enchentes…

Temo o calor de tuas palavras,
Pedra que te procurei pedra,
Apodreci no leito teu,
E me embriaguei no teu leite!
Ah! Quão belo é o teu corpo,
E quando nos amamos,
Quanto tempo faz?

Quase todos os meus objetos me conhecem,
E nem uma página sei dos teus objetos…
Meus presságios se engaiolam
E me exalo em desculpas
E me exilo em mentiras,
E me asilo em recalques…

Ator que rebeldia meu guardião latente,
Faz-te contente por não sentir o que sinto
O que sinto por não te sentir…

Afasto-me por lugares e amplitudes serenas,
Em busca da ilha orgânica do basta!
Tecendo as velas do naufrágio breu,
Na angústia braçal de escapar ileso,
As farpas que abraçam os meus céus
Que um dia se tornaram a referencia
Do teu entusiasmo,…

Tudo recomeça,
Eu sei que tudo recomeça,
Eu sei quem eu sou,
Mas infelizmente não me destes a chance
De te conhecer melhor!

Enclausuro aqui minhas palavras!
Esse é o meu preço!!!

(Fev: 05, 2004)

Conjugações: Um Gesto Eterno do Amor! – II

Posted in Crônicas, Poemas, Poesia on 1 de fevereiro de 2008 by Prof Gasparetto

II – A Autoridade de Mulher

És o vulto etéreo da pacificação!
És ignorante no ódio e na dor!
E sabes fechar
Com façanha
O tempo nublado…
Proteges-me com sapiência!
Sabes parir!
Sabes parar!
Sabes dar prazer…

Não tenho símbolos,
Por que tu és!

Nômade cigana
Em tendas infantis…
Mostras-te feliz no aconchego,
No colo,
No solo de mulher!
És um país sem fronteiras…
És inteira corpo e alma…
És Vida!
És Temas!
És Poemas!
És Revelações!
Minhas razões,
Meus caminhos!
Ordenastes que os clarins
Se silenciassem,
Pois meu choro se fez cantiga!

(Ago: 27, 1999)

Conjugações: Um Gesto Eterno do Amor! – III

Posted in Crônicas, Poemas, Poesia on 1 de fevereiro de 2008 by Prof Gasparetto

III – A Importância da Mulher

Quero chorar com teu choro
Na música tocante da vida!
Luz ofuscante nas guaridas,
Minha sede se cede
Em teus lábios!
Mulher, Senhora,
Musa das mudas.
De tantos momentos febris
Que se atiravam como pedras
Num rio,
Amparastes-me!

Claridade sublime que me faz
Ter ciúmes do aroma de tua geração!

É mal-dizer com palavras
E símbolos que este tatuar
Frágil de mulher
Um dia terás que ir…
E não vais mais parir…
E então irás parar o tempo…

Irá continuar tua fragrância
Em minha pele,
E a cada dia um ressurgir
De imagens!

O cheiro das manhãs
Me dão saudades,
Porque não retribuo
O quão és importante para mim!
És o meu Pão!
És o meu Vinho!

(Out: 08, 1999)