Archive for the Poemas Category

Apocalipsia

Posted in Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 31 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

I
Deixe que o sino se estronde mais uma vez,
E mesmo que esteja em silencio com o teu corpo,
Não há motivos de se caminhar em vão…
Pelas paredes, velhos retratos, vivi!

O nó se aperta na garganta ao fim do mês…
O dia se aproxima de amargurado desgosto,
Querendo exaltar todas as musas,
Então, num sopro breve. No qual eu sempre previ!

II
Meus olhos se cegueiam ao vulto etéreo
Que todo o respeito simulado rosto,
Disfarça em risos e sombras de meu chão…
… de estúpida vidência desta ausência em mim!

Os poros se dilatam em hemorragia,
Estilhaçando os ossos que me são inocentes;
No peito explode um simples rufar de tambores,
Que pára no tempo, para nunca parir!

III
Condenado em formação de carne, descreio:
Em todo que é sagrado: Pai, Mãe e até Filho…
O asfalto nem sentiu meus pés pisarem fortes!
E nem sequer tenho meu nome p’ra se ouvir…

E, quando aos goles de embriagantes tintos,
Era começo de um meio fio de abandono,
Quis gritar: -”Mamãe!…” Mas era tarde demais,
Desmaiei no colo de alguém que nunca vi!

Minha presença tornou-se inválida aqui…
Emudecendo sinos, desempilhando tijolos;
Seria ladrão se roubasse minha vida…
Não houve orações… nem cantigas… Dormiram-me, apenas!

(Set: 27, 1979)

Amordaçado Amor

Posted in 02 Dissílabos, Pensamentos, Poemas, Poesia on 31 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

___________I___________
Andou
Pedindo
Comida

Fizeram
Caretas,
Saíram!

Buscaram
Polícia
Blindada!

Ameaças!
Torturas,
Perícias…

Juiz
Ficou
Calado

Até
Sair
O corpo
Da casa!

_______II_______

Mandou
Pedido
De compra

Foi tarde
Demais
Ta morto!

Fingiram
Silêncio
Conjunto!

Nem pai!
Nem mãe!
Nem filha!

Estava
Somente
Pedindo

Um prato
Somente
Comida

Mais nada
Somente
Um pão!

Tão ricos…
Tão pobres…
D’espírito!

(Abr: 11, 1981)

Adágio Inacabado para Um Amor Completo

Posted in 12 Alexandrinos, Pensamentos, Poemas, Poesia on 31 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

I
Tudo começa com borbulhar constante,
E no constante a roda gira muito mais…
Espada presa em suas garras diz: -“Vitória!”
Ilumina com fogo árduo seu semblante,
Tônica do Verbo na coifa interior:
U’a esperança que desperta do vazio
O completar de luz e olhos infinitos!

II
Fontes claras jorram da íris em compasso,
No martelar constante, constante, constante,
Qual pêndulo lapidado em cristal azul,
Goteja o eco pelo tempo sem temer
Que em pouco tempo a energia se transmuta…
Esvoaçantes teus espaços se condensam em mel!

III
E alquimistas, e resplandecentes águias voam
Num vôo rasante vão pairando encontros turvos,
Ilhando o âmago passivo dos mistérios
Na infinita e suprema natureza…
Lutas, lutas rompem com estampir do medo
O súbito suspiro do silêncio óptico
N’astúcia das cruzadas e palavras sábias…

IV
Nas sombras vertem sopros calmos de manhãs!
Não há ruídos, nem estrelas penduradas…
Teus passos poucos se entrelaçam nas vidraças
Mesmo no átomo repleto de coragem
A fúria do Pégaso Sereno se acalma,
Na multidão das Ondinas e dos Lagartos…
Nunca tentaste despertar meu sonho vítreo!

V
Sono que deleita Via Láctea noturna,
Ressoam com clarins a vastidão do mar
No estrondo fulminante de gritar no alto:
Teerã à vista! Terra à Vista! Celestial…
Murmurantes passos se estendem nas colinas,
Quando chuvas tombam e vão molhando corpos…
Lanças cravejam nos dragões, atando súplicas;;;

VI
Porões reais amotinando os poros todos
Telhando nuvens de algodão e lã-de-vidro
No monumento Arcano da União das Sombras,
Refletindo o acorde dissonante dos sonhos.
Moços, quase todos, deixam-Te fugir bela,
Mas não sabem que tua imagem vai além,
Escorrendo pelas mãos toda uma história…

VII
Andei quilômetros em busca de Deméter,
Caindo em vão, caindo em vão, caindo em vão…
Retirei-me nas horas vagas, como poucos,
E fui colhendo nos pomares de turquesas,
Sem saber que a safra te prenderia ao furto!
O chacal dos chacais com cintilante toga
Areja as folhas no tanger sublime mérito!

(Fev: 11, 1983)

Amor, Amores, Perplexos Amares!

Posted in Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 25 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

Visitando Minhas Vozes in Amar

Ficamos perplexos quando encontramos
O algo diferente que nos faz
Interagirmos com o nosso profundo querer…
Realmente, felizes são o que conseguem
Dar suas interpretações ao mundo
Às coisas que nele encontra-se,
São realidades!
Umas ilusórias…
Outras desdenhadas de prazeres descartáveis!

Porém, não ouso em dizer que o amor,
Em suas múltiplas facetas
Nos coloca em xeque!
Estamos preparados?
Ilusões! O que são as ilusões
Senão um conta-gotas da emoção…

Fico arquitetando modus de me apaixonar
Definitivamente,
Com palavras, gestos e realizações,
Mas os poetas revelam-me
Que o alimento preciso do querer
Está em sermos discretos
Em nossas ações!

Estamos preparados?
Qual seria a razão fundamental
De juntarmos tantos ingredientes
E quando reunimos todos,
Faltam ainda alguns detalhes,
Detalhes que irão dar o verdadeiro sabor
Ao que estamos querendo realizar!

O sabor de sal…
O sabor de mar…
O sabor de amar…

E qual seria este recipiente
Perfeito ao que queremos?

Estamos preparados ou então…

Bem, o que importa
É que o amor
pode significar sermos ousados em afeição,
complexos na compaixão,
indignados na misericórdia,
ou ainda, inclinação ao querer mais,
atração aos quereres,
apetite ao perfeito,
paixão pelo encontro,
querer bem o tão perto,
mergulhar na satisfação,
ser conquistador dos atos nobres,
desejar ser desejado,
libido de ser autênticos!

(Jan: 25, 2008)

Pontes Estreitas em Caminhos Distantes – I

Posted in Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 25 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

I Parte – O Monólogo

Vasculho tantas palavras
Que me sinto um rastreador de letras…
Pontes distantes,
O seixo é avistado do alto, bem do alto!
A ponte pende de um lado para o outro…
Sou um foragido dos kibutzim
Que nas gramíneas vi seixos
Não tão perfeitos como aquele
Que avista do alto da ponte!

Pergunto-me:
Quais seixos andarilhos
Percorreram sorrateiros
Tantos caminhos diferentes?

Haverá uma ponte
Que não seja tão estreita,
Ou que me torne um pêndulo
Desarrazoado nas alturas?

Andei por caminhos
Deveras formatadas e vazias…
Provei dos saquês colinescos,
Passei pelas tendas e dunas
Sentindo-me um Grão-Vizir,
Banqueteando tabules o sauce blanche,
Vinhos, frutas…
Nevei meu coração pelos desertos,
Ainda possuo na lembrança
O calor que minha amada me deixou!!!

É insisto em perguntar:

Porque estou tão distante
Ouvindo dos lugares ermos
Sons de um silêncio meu?
Sons de um silêncio meu!
Isso me faz pensar
Valeu-me tantos quilômetros
E não chegar a um ponto exato?
Leviano fui em pensar nisso!

Quem mais senão eu
Urrando pelas muralhas
Enviar-te uma mensagem?

Eu somente eu
Único entre os escombros…

Nem Parmênides de Eléia me julgou
Ante a minha inércia
Outorgada no meu impensável ser!

Socorro! Grito aos túneis da escuridão
Encontro outros gritos
Jazigos pensares funestos e vazios,
Ativos gritos do torpor…

Findam-se os dias
E com eles a coesão dos encontros…
Lendo Platão, teorizando idéias!
Idéias! Caio num esquecimento profundo
Zéfiros me acordam…

Numa simples recordação
Encontro-me em anamnesis.
Sou portanto, insensível aos atos…
Tolo por querer ser o que não posso ser:
Ator de um palco congelado
Vazio de pecados e sem fortunas
Idéias tão remotas dos meus caminhos,
Digo-lhe, portanto:
Ando condenado à sombra de um Mundo de Idéias!

Vasculho tantas palavras
Que me sinto um rastreador de letras…
Pontes distantes,
O seixo é avistado do alto, bem do alto!
A ponte pende de um lado para o outro…
Entre a mudança
E o movimento!

Pedras que precisam ser lapidadas
Por mãos que tragam mudanças na vida…

Pedras que precisam ser observadas
Por olhos que vejam o movimento da vida!

(Jan: 25, 2008)