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Em algum lugar da Estante

Posted in Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 9 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

(by Fátima Tardelli – Páginas Ilhadas de Um Livro Raro)

Quem são estes livros?
Não são dois livros!
Se um é o livro,
é o outro a pena que escreve,

Se um é a fome,
é o outro o alimento,

Se um é a sede,
é o outro a fonte,

Se um é a doença,
é o outro a cura,

Se um está só,
o outro o completa,

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Quem são estes livros?

Oceanos Vitrais IV

Posted in Crônicas, Pensamentos, Poemas on 9 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

Básico Instinto

                                           I
Ventavam os mares! Gritavam os barcos!
Gigantes se levantavam alvoroçados…
Tinha apenas uma flecha e um arco,
De repente, tombavam os desalmados…
                                           II
Por todos os lugares eu te ouvia,
Como ventos fortes que arrastam tendas…
Conquistei sozinho todas as colinas…
E eu só te peço que me compreendas!
                                           III
Senti-me gigante enfrentando bárbaros,
Naveguei planetas sendo o teu espaço,
Caminhei todos os dias nos teus sábados…
Então compreendi o que é um abraço!
                                           IV
Revolto meu amor todas as galés,
Querendo ser uma pedra lapidada
Exposta no chão a contemplar teus pés….
Acariciando assim tuas pegadas…
                                           V
Não basta ter um sonho, senão lutar.
As profundezas são pra todos os mares,
Os lugares são para se conquistar,
Do que vale teu amor senão me amares!
                                           VI
Fiz viver Alexandria nos teus livros,
E acabei preso em uma estante,
Um tanto quanto morto, um tanto vivo…
Mas jamais te esqueci um só instante!
                                           VII
Fui contratar ourives da Macedônia,
contratei do alto Líbano, artífices,
trouxe vitórias-régias da Amazônia,
Esculpir-te (em) vitrais! Da vida exige-se!

(Jan: 08, 2008)

Oceanos Vitrais III

Posted in Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 9 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

Habeas Corpus:

                                     I
São miríades, miríades de distância,
O sol esbofeteia meu rosto pálido,
Retornando a minha cálida infância…
Eu luto por ti, por me sentir tão magno!
                                     II
Longe ouço corais gospel no deserto,
Que por certo querem me sentir jihad,
O sol derrete minhas lembranças, certo?
E teus desertos me descobrem de verdade!
                                     III
Fogueiras à noite, e o vento uiva…
Não há sonhos, há pesadelos que rondam,
Eu sempre me perdi minha musa…
Pergunto aos ventos, por quê? Não respondam!
                                     IV
Calei-me assim como calam algozes,
Perdi todas as malas em Istambul,
Por que segui o que diziam as vozes:
_”Teu amor é infinitamente Azul…!”
                                     V
o Expresso da Meia-Noite, não passou,
e pelas ruas vazias da Turquia,
foi um vazio que me condenou,
Jogaram-me chaves, e fugi pras vias…
                                     VI
A única passagem que eu tinha,
Levava-me apenas a Constantinopla…
Sentia-me um amante clandestino,
Daqueles que foge de toda manobra!
De repente, retornei ao meu caminho!
                                     VII
Arrastei-me nos oceanos a fora,
Sentindo-me um ateu Excalibur,
Eliminando dragões por tod’ Europa,
Com seus paupérrimos corações inválidos!

(Jan: 07, 2008)

Oceanos Vitrais II

Posted in Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 9 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

Mare Nostrum

                                     I
A tarde vai descendo como mistérios,
Iguais teus olhos quando querem seguir,
Vou caminhando pelos carinhos sérios,
quando te revelas, tenho que partir…
                                     II
nas areias sou fragmentos sem cor,
a águas vão arrastando qualquer um,
depois retornam oferecendo dor,
fragmentando-me por ser tão comum!
                                     III
Pensava eu ser um gigante guerreiro,
E pelo mundo inteiro buscar teu rosto!
Mas vi que há muitos vales estreitos,
Que me deixam covarde em me desgosto!
                                     IV
Damascos colhi para fazer licores,
Preparei festas, com músicos distantes,
Tentei cobrir teu leito com alfajôres,
E dançarmos feito jóias, diamantes!
                                     V
Que me perdoem todos os sheiks árabes ,
Mas eu roubei camelos, ouros e tendas…
Quero te dar muitos amigos em ágapes,
Pelo nosso amor, eu quero que me entendas!
                                     VI
Pelas areias, pelas tuas pegadas,
Só o sofrer pode estar nas poesias…
Eu tinha sede e fui até Granada,
Eu me perdi no mundo, e tu sabias…
                                     VII
Que as tuas mãos se estendam para mim,
Convidando-me tão longe a beijar,
Mediterrâneos encharcam meus caminhos,
Caravanas sabem que eu vou te encontrar!

(Jan: 06, 2008)

Oceanos Vitrais I

Posted in Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 9 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

Palavras Úmidas:

                                      I
Eu que pensava ser gigante de pedra
E nos vales de pedras poder te esculpir,
A tua escultura tirou-me das trevas
Então fugiram do teu grande luzir!
                                    II
A luz faz-se intensa com grande esplendor,
Esplendor de musa que me faz cativo
Eu por num instante com grande temor,
Não percebi que ao teu lado estava vivo!
                                   III
Venho de longas distancias te dizer,
Que és mais que tudo qu’eu imaginava…
não mandei notícias minhas por querer:
é que nos vales distantes eu sonhava…
                                   IV
se luzes representam formatura tua,
lua esplendorosa não é natural!
Pois teu brilho é natural oh minha musa…
E fico a pensar, no mais alto grau!
                                   V
Não é preciso questionar em estar só!
São teus os meus caminhos que trilhamos,
Por que então as estrelas viram pó?
Não me respondas agora, pois brilhamos!
                                VI
Olhos que me observam em cristais líquidos,
Mãos que se mouseam pela tela, rotas…
Por ter no teu querer um amor tão vívido,
Digitas calma, e em minh’alma brotas!
                               VII
Por ser perplexo, vou questionando tudo,
Virar o mundo
ante tua presença,
Não poder haver conversa boa no mundo,
Que supere teus beijos e me convença!

(Jan: 05, 2008)