Archive for the Poesia Category

Poema da Sustentação – III

Posted in 10 Decassílabos, Pensamentos, Poemas, Poesia on 31 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

III – As Propostas

Meus lábios vão amordaçando público
Tentando beijos longos numa festa
Todo o silêncio nos tornando únicos
E nesta minha vida, teu amor!

Longe de tudo e também do ontem
Na busca incansável de buscar
Meu desespero peço que desconte
E em teus braços quero descansar!

Me maltratei por ter sonhado sonhos
Sumindo assim sem me lembrar de ti
Migalhas, tenho tantas que proponho
Unirmos tudo, antes, de partir!

Se resta um pouco de fiel no doce
A imagem se distorce no espelho
As mãos tremiam juras que não trouxe
O medo impera ante o desespero!

(Jan: 29, 1981)

Poema da Sustentação – II

Posted in 00 Livressílabos, Pensamentos, Poemas, Poesia on 31 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

II – As Distorções

Às vezes vago sempre numa luta
Nos livros teus a ânsia de saber
Procurando-me em realeza oculta
Que se aproxima sempre no querer!

Em tal momento os olhos se cegueiam
Incendiando a ira de ser cego
E no meu peito amores se semeiam
Se arremessando ao abismo incerto!

Esta paixão em nós que se agiganta
Que não avisa aos falsos desalentos
O nó vai apertando na garganta
Vai distorcendo todo o pensamento!

Às vezes fico rindo quando caio
Com olhos cheios de orgulho e pena!
Se acreditasse em todo teu desmaio
Daria à vida toda uma cena!

(Jan: 12, 1981)

Perfumes ao Vento (ou Rastros de Adeus) XVII

Posted in 07 Redondilha Maior, Pensamentos, Poemas, Poesia on 31 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

XVII – GIZ

I
Sofrer, porque sofrer?
Retiras teus gostos, sofrer!
Se sofro não por querer,
Valei-me quando eu quiser…

Diante das amarguras,
Alianças fizeram pra mim,
Penúrias, oh quantas penúrias,
E eu distante de ti!

Por eu querer tanto assim
Das tuas verdades d’e-mails,
Trancaram as mensagens q’eu fiz

No alto de muitas colinas,
Icei-te para não te perder,
Icei-me aos ventos, como resto de um giz!

II
Não quero riscar o teu céu
 com tantas perguntas que tenho,
se sofro é por tua ausência,
se morro é pelo veneno…

Criei em mim um momento
que até duvido que viva,
o giz se perdeu pelos ventos,
os ventos levaram-me a vida!

Se creio é porque há uma certeza:
Que aparando teus riscos
Talvez me tragam a beleza…

Se lamento, é porque sou humano,
Se sofres, eu vivo teus riscos,
Se foges, eu sofro um engano!

III
Difícil quebrar tais motivos
Se não se consegue amar,
Não se consegue um alívio,
Amor não consegue se amar?

Meus atos são todos incertos,
Prendo-me em sofreres alheios
Não consigo manter-me desperto,
Talvez sejam meus meros anseios!

Tem coisas que podem romper
Com todos estes pretextos,
Primeiro elimina-se o sofrer

Segundo, o que o meu provérbio me diz:
“Tudo o que um giz tenha feito
Um simples apagador já causa muito efeito!”

(Ago: 07, 2001)

Perfumes ao Vento (ou Rastros de Adeus) XXII

Posted in Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 31 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

XXII – BODAS

I
Enquanto eu puder roubar de ti sorrisos,
O tempo ficará a nossa disposição,
Não importando quando escreveremos nossa história!
É importante sermos tão reais agora!

Na superfície plana de um prazer erótico…
Muitos silêncios se escondem!
É claro que jamais irei fechar a porta,
Enquanto o sol que nós pescamos
Viver em nossa varanda…

Tu bem cedinho levantas,
E vem logo me acariciando!
E eu me jogo sonolento ainda
em teu corpo úmido…
Vai umedecendo a razão
do meu querer eterno,
E como ser eterno?

Interrogastes meus sentimentos
Em buscar de outras verdades,
Não queres que eu seja instrumento,
Não mãos de algum covarde?

O meu chimarrão está pronto!
Fervo minha água com um pouco de funcho…
A cadeira de vime me espera,
Um lenço vermelho no pescoço…
E no trotear do meu pingo encilhado,
Vou decifrando nossas vidas!

O galpão está cheio de causos,
E tu mulher de pele índia, morena,
Com corpo macio altaneiro,
Deita ao meu lado numa rede
Que comprei em lá em Uruguaiana!

II
-“Amado, queres que te cubra de carinho!”
Ela me dizia abraçando-me pelas costas
e a roçar seus seios de campesina atrevida.
-“Me aguardes no quarto,
enquanto chimarreio minha cuia pampeana!”
disse a ela quase me afogando.

Posso ouvir o silêncio dos mates,
Em trocadilhos mateiros:
“ssssssssssssssssssssss! Sssssssssssssssss!”

o guri, da cerca vizinha,
de looooonge vem trazendo uma cordeona!
De 8 baixo talvez!
E um tocador de viola, acompanha o guri!
Pelo jeito vai haver uma tertúlia!!!

“-Vem logo amor!”
estava ela lá no quarto dos fundos
Esperando-me em pele nua
que eu a domasse e completasse
seus desejos!

Fui me preparando,
Piuchado que estava,
Larguei tudo num canto da sala,
Minhas botas “Del Gado”
Atirei de entrevero no corredor,
E me atirei,
Feito peão domador,
Guiando pelas estradas,
Como Índio Velho cheio de amor!

(Set 08, 2001)

Perfumes ao Vento (ou Rastros de Adeus) XVI

Posted in 04 Tetrassílabos, Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 31 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

XVI – HOJE

 I
Me magoei
Fingindo ser
Teu próprio ser…
Se não soubesse
O quanto é dose
Amanhecer,
Queria então,
Jorrar meus prantos
Em tua planta,
Formata-te em sílabas,
Sonhar-te em versos,
E crer no quando…

Criar no fundo
A base toda,
Uma palavras
Me emudece
No teu deserto
Agora úmido…
Se unifica
Nesta erosão
Partindo o peito,
Partindo o gesto!

II
Tento colírios
Vagando à toa,
Sonhadoras,
Somente vás,
Vão caminhando
Comendo ruas,
Na tua face…
Correndo frias
E mais difíceis
Em minha face!

E solto vai,
E vem teu hálito
Que vai fluindo
Intransitivo,
Que cravejando
Àquele álibi
Que ali tentei
Furtar teu fruto…

III
E, não tornou-se
Igual prazer
Sendo tão nômade,
Somente nomes
Vários sinais
Tangendo risos,
Frisos d’olhar!

Meio sonâmbulo
Há tantas coisas
Que não consigo
Despertar medos
Querendo ou não,
Murmuro só!

IV
É tão silvestre
Tua maneira
Que vou sentindo
Um ser selvagem
Dilacerando
As minhas células
Num só rugido! (…)

Rompem manhãs!
Tudo é normal;
O tempo torce
E se distorce,
Formando brisas
De uma garapa
De uma palavras
Que não tem gosto!

V
Tez de maçã
Tão orvalhada
Na própria chuva
Real bebida…
Real cicuta!

VI
Resta dizer
Que docemente
Teu corpo entoa
Aquele sonho
De olhar tristonho,
Que tem garoa
Que tem o vento
Em girassóis
De invernada…

VII
Me dói por dentro
Pelas paredes
A sede áspera
De não beber
Na tua boca
Outras palavras
Que no silêncio
Tu me sussurras:
-“Eu também quero!”

(Ago: 02, 2001)