Posted in Sem categoria on 26 de agosto de 2025 by Prof Gasparetto
(Betto Gasparetto)
By NC Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning
Beijei teus lábios feitos fogo e inverno, E recebi do mel o dardo eterno. No claro altar das juras que disseste, O ouro era cobre e a rosa não agreste.
Tuas palavras, vestes de nobreza, Botões de seda ocultos na aspereza, Tinham nos fios rendas de serpente, Brocado belo, mas de fel ardente.
Coroa pus na fronte da esperança, E era de espinhos toda a aliança.
Velou-se o céu no instante em que mentiste, O templo ruiu no gesto em que sorriste.
Posted in Sem categoria on 25 de agosto de 2025 by Prof Gasparetto
(Betto Gasparetto)
By NC Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning
No olhar da noite, ao fim, me reconheço: Escravo eterno de um amor que não mereço. O tempo avança a foice indiferente, Ceifa o que resta do meu ser penitente.
Os sonhos voam como folhas ao relento, E o luto cresce à força do mau vento. A solidão, consorte fiel, severa, Entorna fel nas veias, noite inteira.
O leito frio prende em sombra a nostalgia, Pois guarda um perfume que me assedia. Não há remédio que esta chaga encerre, Que toda cura reacende o que mais fere.
Posted in Sem categoria on 24 de agosto de 2025 by Prof Gasparetto
(Betto Gasparetto)
By NC Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning
Ó doce amor que outrora foste chama acesa, Hoje és punhal que corta a frágil natureza. Das tuas mãos restou-me a rúptil despedida, Que rasga o peito em cicatriz não esquecida.
Teu riso, outrora o sol da minha esfera, É tempestade que a minh’alma desespera. A cada passo ouço os ecos da partida, Que eternizam a morte em minha vida.
Busquei no alto o lume das constelações, E neles vi guardadas velhas orações. Os astros frios, em sua régia distância, Selaram com silêncio a minha ânsia.
Posted in Sem categoria on 23 de agosto de 2025 by Prof Gasparetto
(Betto Gasparetto)
By NC Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning
O palco é vasto, o coração declama dores, Vestido em luto pelas cinzas de amores. A lua fria, em júbilo indiferente, Assiste ao pranto de uma alma penitente.
Nas galerias do silêncio ecoa a mágoa, O vento sopra, e em sua lida traz a chaga. De cada sombra surge o vulto da lembrança, Que fere a carne e sepulta a esperança.
A noite estende o manto em véus de agonia, E o peito clama por algum sopro de dia.
Mas nada veio além da treva fatigada, Que fez de mim sua presa desolada.
Posted in Sem categoria on 22 de agosto de 2025 by Prof Gasparetto
(Betto Gasparetto)
33. Tragédia em Três Atos e Um Adeus
By NC Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning
Ato I: Desejo. Tu em flor, eu em fogo.
Tu em flor, eu em fogo — centelha viva, Tua presença era sol em meu inverno. Cada gesto teu, em mim, era diva A incendiar meu mundo mais interno.
Fui jardim que despertava a aurora, Pétala a pétala, abrindo por ti. Tua voz era a luz que me devora, E me perdi no amor que nunca pedi.
Ato II: Ausência. Silêncio que destrói.
Silêncio que destrói, sem dizer nome, Vazio que pulsa onde havia festa. Tua falta me consome e consome O que restou de mim — dor manifesta.
Rasguei cartas que nunca enviei, E cada linha era uma despedida. Tua ausência moldou o que serei: Alguém que vaga sem ter mais saída.
Ato III: Lamento. Meu coração sem jogo.
Meu coração sem jogo, sem artimanha, É trapo pendurado no varal da vida. Fui rei de um trono feito de estranha Ilusão — tua imagem nunca vencida.
Hoje choro o que nunca abracei, Murmuro o nome teu entre os escombros. Quem ama e deixa partir — pagará também Com noites frias e versos sem ombros.
O Adeus. Sem mais Cartas.
Foste cena que ardeu breve demais, Um drama de amor sem catarse. E eu, espectador dos meus vendavais, Aplaudi meu erro sem disfarce.
Agora, o palco está escurecido, A cortina não volta, não se ergue aos breus. Fui poeta do próprio descuido — E o teu fim em mim ainda se eterniza em adeus.