AZ 3 MARIAZ

(AZ 3 MARIAZ              ou                   A.Z. MARIAZ ZAIRAM Z.A.)

ALBA, ALAIDE, ANTÔNIA

Trouxeste-me toda formosura nas canções.
Arranquei estrelas nas noites pra te dar!
Fiz o que pude!
Ensinaste-me a dançar,
E a tocar alaúde, a ser poeta!

Mas não te ensinei a AMAR!

BRANCA, BONITA, (BENAZIR), BENEDITA

Por entre os orvalhos meditamos
Muitas pétalas,
Fomos cientistas dos astros,
Exploradores dos perfumes…
Tuas prosas são mananciais jorrando em mim
Bendizeres…
Ensinaste-me bem das tuas fontes!

Mas não te ensinei a AMAR!

CRUZ, CRISTINA, CLEMENTINA

Quantas vezes supliquei aos céus
Que me perdoasses… meus erros, meus enganos,
Meus pecados…
E tu, olhos castanhos amendoados,
Me dizias: TA PERDOADO!
E eu voltava a pecar
Como se fosse um viciado!
Por tantas clemências, aprendi!

Mas não te ensinei a AMAR!

DAYSI, (DALYLA), DOLORES, DORALICE

Lembrasse dos caminhos que tomamos?
Dissestes-me: PEGUEMOS UM ATALHO!
E lá fomos, cheios dos quereres noturnos,
Das construções de mundos e maravilhas…
Então sussurrastes pacienciosa:
DORAVANTE, ÉS MEU AMANTE!

Mas não te ensinei a AMAR!

ÉLIDA, EMÍLIA, ETELVINA

Que belo corpo flamenco
Tenho em meus braços!
Me criastes teatros, gestos, peças,
Atores, sapateados, palcos
E elencos…
Anfiteatros!
Criatura de sangue e areia!
Ensinaste-me a decorar-te!

Mas não te ensinei a AMAR!

FÁTIMA, (FERNANDA), FRANCISCA, FILOMENA

Preciosas mãos e de beijinhos tão doces!
Cabelos de anjo!
Beijei-te em pleno céu de brigadeiro…
Fiz parte do teu mundo suave
E encantador e de encantador quindim!
Ofereceste-me os melhores ingredientes da vida!

Mas não te ensinei a AMAR!

GRAÇA, GENIRA, GENOVEVA

Mulher encantadora entre as flores,
Delicada por natureza e de estações precisas!
Corpo tropical sereno, cai em tua presa…
E tempos depois
Deste-me a soltura…

Mas não te ensinei a AMAR!

HILDA, HAMARYZ, HILDALETE

Teu coração campesino invadiu
O meu feito posseiro!
E por cinco anos inteiros,
Requerestes usucapião sobre mim!
E este lavrador e peão apaixonado
Conheceu de ti as boas colheitas!
Alforriei-me em outras fronteiras,
Como cigano sem terras!

Mas não te ensinei a AMAR!

ÍTALA, IRIANA, ISOLETE

Chove como chove em meus choros!
Me semeastes brandura,
A remover as ervas-daninhas,
As ataduras… os absurdos!
Me isolei por trás das chuvas
E acabei te isolando!

Mas não te ensinei a AMAR!

JULIA, JAMYRA, JANUÁRIA

Longas tranças de amêndoas,
Provocavam ciúmes e soslaios carentes,
E tuas mãos roçavam meus sonhos,
E teus beijos justificavam o querer mais…

Mas não te ensinei a AMAR!

KARMEN,KARINE, KAROLINE

O gelo desliza em meu peito,
Na malícia do teu olhar de Líbano!
Navego em teu mediterrâneo,
Com minhas frotas, procurando me ancorar em teu cáis!
Teus cabelos úmidos ao vento me dizem
Que está na hora de eu partir…
E arrependida do adeus,
Faz içar minhas velas
E sobre elas, como mar revolto,
De sóis e brisas, vai sugando
Minhas brisas como selvagem sereia
E domada ao Porto,
Desmaia em meu corpo!

Mas não te ensinei a AMAR!

LÍDIA, (LEYLA), LORENA, LAURENICE

Li teus recados, teus processos,
Tuas réplicas, teus poemas…
Com todos os direitos, dizias
Que tinhas direito sobre mm!
Pelos banhos, quartos, escadas dos fóruns,
Estacionamentos e praças…
Inda sonhas comigo
como se fosses minha dona…

Mas não te ensinei a AMAR!

MIRTHES, (MELÂNYA), MARYELLA, MARGARETH

Bem-me-quer, mal-me-quer…
Homem, mulher, um jogo apenas!
Vindo das margaridas, pequenas talvez,
Mas com beleza ímpar!
Tu simplesmente foste embora,
Deixando-me a desfolhar margaridas
Sobre teus jardins!

Mas não te ensinei a AMAR!

NÁDIA, NATÁLIA, NATALINA

A porta se abriu num mês de maio,
Um primeiro olhar de querer imediato
Pousou em nós!
E nós nascemos um para o outro,
E tu, me convenceste:
Que devemos nascer a cada instantes!

Mas não te ensinei a AMAR!

OLGA, OLÍVIA, OCYNARA

Te amei como todos os compassos e solfejos,
Tua voz encantadora
E a ópera walkiriana nas ribaltas,
Emocionaram-me depois às escondidas…
Em teu corpo, me convidava a fazer cenas:
Nos bastidores das Belas Artes!

Mas não te ensinei a AMAR!

PERLA, PATRÍCIA, PARECIDA

Tarde?
E me olhaste com suspiros!
Ao tocar tuas mãos tão leves,
Pude ter o privilégio de ter
Encontrado algo distantes, um segredo,
Relevado, um olhar apaixonado de uma tecelã!
Milímetro por milímetro me conheceste entre noites e manhãs!

Mas não te ensinei a AMAR!

QUÉSIA, (QTÂNYA), QUITÉRIA, QUERUBINA

Quando perdi meu sono e na varanda
Meditei por entre as serras,
Senti teus lábios,
Flutuando em meus ombros,
Num arrepio contínuo e angelical,
Me entreguei!
Percebi muitas distâncias entre nós: Céu e Mar!

Mas não te ensinei a AMAR!

RITA, RENATA, (ROZÁLWA), ROSALINDA

Onde estão os teus aromas que me possuíram
Em noites sem abrigo?
Nos labirintos dos teus castelos não tive opções
A não ser seguir teu vulto e me abrigar
Em teu leito!

Mas não te ensinei a AMAR!

SÂMIA, SAMARA, (SAMYRA), SULAMITA

À margem dos rios descansei meu corpo,
Imaginando que lá atrás
Depois de muitas pontes, me enamorei de ti!
Com teu corpo sereno,
Onde os campos foram nossa pousada,
Foram nossos refúgios!
Me enamorei apenas
Com o teu copo moreno,
Com as tuas noites pequenas!

Mas não te ensinei a AMAR!

TÁBATA, TAMIRIZ, (TALITA), TEREZINA

Quem nunca sentiu um luar tão puro,
Daqueles que viajamos até saturno?
Verdade!
Roubei todos os anéis,
Todos os cavalos, todos os verões,
Todos s lençóis, todos os prazeres,
Pra te oferecer
Num dia qualquer do mês de junho!

Mas não te ensinei a AMAR!

ÚRSULA, UHBÂNYA, URSALINA

Beijos de amora nos encontram na estrada,
Próxima à “Porteira do Luar”…
Pirilampos ofuscavam as estrelas do nosso calor,
Emanavam mares e marés,
Tu me beijavas o corpo inteiro, da cabeça aos pés,
E eu era o teu único…

Mas não te ensinei a AMAR!

VÂNIA, VALÊNCIA, VICENTINA

Quando? Não percebes que te amo?
Tu me disseste num telefonema,
Teu travesseiro ficou só ao meu lado!
Teu xampu e tuas cartas estão na gaveta…
… teu chimarrão ficou amargurado!
“Nunca ames, nunca prometas!”

Mas não te ensinei a AMAR!

WILMA, WALMIRYZ, WALKYRIA

O vento uiva e nos arrepiam
Em noites longas de inverno!
Cavalgadas, lareiras, cafés, descansos,
Cochilos e galopes…
O vento cessa-se por um instante.
A lareira escurece-se…
E gosto do café tropeiro fica em nossas bocas…

Mas não te ensinei a AMAR!

XIIHA, XAMEL, (XHIRLEY), XEHRAZADE

Teus dançares, teus corares, teus cetros,
Meus amares, teus luares,
Nossos mitos, os teus cios…
Rios bonitos!
Utensílios prediletos…
Muitos filhos?
Adeus! Imaginei que estava certo!

Mas não te ensinei a AMAR!

YNGRID, , YASMIN, YOLANDA

Por sobre a mesa, meus discos,
Livros, tuas fotos,
Nossas sombras e perfumes
Ficamos estendidos nus num tapete persa,
Disperso na sala de jantar!
De beijo francês à espanhola, nos amamos,
Criamos nosso tango com Astor Piazzola…

Mas não te ensinei a AMAR!

ZÉLIA, (ZAMYRA), ZENILDA, ZEFERINA

Estavas zangadas comigo,
Peguei o barco e o resto das malas,
E atravessei a margem!
E lá estava ainda a ouvir,
O teu coração bater:
Tum-tum, tum-tum, tum-tum…
Acelerado, acelerado estava o meu!
Pulei com todo o medo do mundo…
Pulei! Sabendo que não teria mais retorno!
Pulei por que criei absurdos…
Pulei! Por que roubaram de mim
Meus tronos!
Agora é tarde:

Pois não me ensinaram a nadar!!!

(Jul: 26, 2006)

5 Respostas to “AZ 3 MARIAZ”

  1. Então um homem que conhece o amor com tanta verdade, observação, com a propriedade dos mestres e dos apolos, que toma o cuidado de navegar em todas as iniciais – do A ao Z, tomando o cuidado de distribuir tês lindos nomes para cada letra, se confessa no final dos versos que não apredendeu a nadar…
    É tão romântico, tão amoroso que dá vontade de pegar este poeta pelas mãos e mostrar-lhe o quão amante foi e como foi perfeitamente o amor de cada uma de suas mulheres.
    Não há como expressar a emoção que teus versos passam, é impossível detectar nas entrelinhas o cuidado de um poeta muitas vezes arrependido, mas em todas as vezes reconhecedor do valor de suas musas.
    Que lê estes versos, se afoga de emoção, quem os lê se vê irreversivelmente apaixonado pela vida e pelo amor.
    E é o poeta quem precisa ensinar-nos a nadar por que eu, por mim, afoguei-me em tanta maravilha de paixão, dor, saudade, e principalmente a alegria de poder entender um pouco mais da benevolência de um cantador.
    Nós mulherres agradecemos por tua existência.
    Parabéns!

    Beijo tuas mãos que escrevem e teu coração que sente.

  2. Ah, mais uma coisa…

    Como é fácil amar, quem disse que não ensinas? este teu lirismo conotando solidão, sei não, poeta!

    O alfabeto deveria ter, no mínimo, o dobro de letras pra conter teu coração hehe.

    Beijos

  3. Olá

    Preciosas mãos e de beijinhos tão doces!
    Preciosas seriam as daquele,
    Que as deitassem em mim para afagar-me
    Isso seria ensino de amar….

    Cabelos de anjo!
    Seriam daquele, que me permitissem tocar,
    (cafuné)
    Isso seria ensino de amar….

    Beijei-te em pleno céu de brigadeiro…
    Não o fizeste,
    (irás fazê-lo?)
    Se tivesses feito….
    Isso seria ensino de amar….

    Fiz parte do teu mundo suave
    Não, isso também não fizestes,
    Se tivesses entrado em meu mundo,
    Farias parte de mim,
    (E não permitiria sua saída)
    Isso seria ensino de amar….

    E encantador e de encantador quindim!
    Doces,
    Quero um vendedor de doces,
    Um certo livreiro/doceiro que conheci,
    Se eu o tivesse,
    Ele teria me ensinado a amar….

    Ofereceste-me os melhores ingredientes da vida!
    Ofereci?
    Tu aceitastes?
    Tu recusastes?
    Não me lembro….
    Esta parte perdi…..
    Isso seria amar….?

  4. Mergulha fundo, poeta! Talvez nunca seja preciso voltar…

  5. parabéns! vc sabe escrever. já publicou? é escritor profissional?

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