(Síndrome de Estocolmo)Atravessamos todas os luares sem excitação.
Caminhamos mãos dadas pelas ruas,
Teu olhar transparecia felicidade…
De repente, me seqüestras!
Me levas a lugares ermos,
Fico atônito com a surpresa…
Imperas um longo e desejoso beijo!
Tua pele de bronzeado eterno
Me faz cativo por horas e horas.
O suor espalhasse em tua geografia
E em tua ilha me acolhes…
Vendaste-me os olhos!
Tão precisos os teus fôlegos
Que arrepios nos invadem os corpos,
Em suspiros, sussurrares tontos,
E em tuas costas vou desenhando
Mapas, rotas, trilhas,
Como a cavalgar em teus oceanos!
Me miras depois pelo espelho,
Tatuando meu corpo com teu baton vermelho,
Ensaias mil planos:
Sem contatos, sem e-mails, sem resgates…
Um seqüestro de uma apaixonada dama,
Que perdida, naufraga em nossa cama,
Esperando ser resgatada…
Como tigresa, como sereia,
Sei lá!
Me sinto preso em tua teia,
Em tuas façanhas,
E a galopar me arranhas,
E ao meu ouvido pleiteias
Que seja eu teu amor,
Apenas o teu seqüestrador!
Somos o que somos!
Eu, sou todas as síndromes!
E tu, tu és Estocolmo!
(Nov: 08, 1984)