Arquivo para 3 de janeiro de 2008

Diários

Posted in Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 3 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

Como estão os teus diários?
Telefones ocupados?!
A tua agenda está completa?
Deixo apenas um recado:
Por favor minhas gravatas!
Me devolva por favor!
Quero os meus carnês quitados…
… nome sujo é passado!

Sobre o jantar de ontem,
O garçom veio dizer
Que o cartão ta bloqueado!

E o maitre quer saber
De quem é o celular??
Desta vez não tem desculpas:
Roupa suja é pra lavar!
Tudo bem, já levei multa!!!

Por favor minhas gravatas
Pra mim são importantes!
Assim como aprecias
Lavar prato em restaurante!

(Mar: 22, 2000)

Colagens (Overdose Land)

Posted in Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 3 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

(à R. S. – ex-menino de rua – in memorian)

Duas vezes o guri cheirou cola
Atras da funilaria…
A senhora, mãe dele, ora!

Menino sem estudo que tinha,
Lamenta o leite que bebeu…
Borbulha os dentes na sola
Do bastardo patrão que ria!

-“Não pedi pra vir ao mundo!”, dizia.

Lá pelas tantas,
A mãe, coitada, chorou,
Regouo todas as plantas do pés,
Do coitado guri.

Piá, sem saber que eram santas,
Todas as lágrimas, gemidos,
Ficou na orgia, cheirou,
Negou todas as entranhas…

E naquele mundo de colagens,
Resolver botar os pingos nos is,
Tinha em sua camiseta a foto do OZZY,
Lamentou pra mãe suas viagens,
Cantou uma canção da ELIS,
E embarcou pra Overdose Land.

(Jun: 24, 1983)

Saudades Partidas XII

Posted in Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 3 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

(Síndrome de Estocolmo)Atravessamos todas os luares sem excitação.
Caminhamos mãos dadas pelas ruas,
Teu olhar transparecia felicidade…

De repente, me seqüestras!
Me levas a lugares ermos,
Fico atônito com a surpresa…
Imperas um longo e desejoso beijo!
Tua pele de bronzeado eterno
Me faz cativo por horas e horas.
O suor espalhasse em tua geografia
E em tua ilha me acolhes…

Vendaste-me os olhos!
Tão precisos os teus fôlegos
Que arrepios nos invadem os corpos,
Em suspiros, sussurrares tontos,
E em tuas costas vou desenhando
Mapas, rotas, trilhas,
Como a cavalgar em teus oceanos!

Me miras depois pelo espelho,
Tatuando meu corpo com teu baton vermelho,
Ensaias mil planos:
Sem contatos, sem e-mails, sem resgates…
Um seqüestro de uma apaixonada dama,
Que perdida, naufraga em nossa cama,
Esperando ser resgatada…

Como tigresa, como sereia,
Sei lá!
Me sinto preso em tua teia,
Em tuas façanhas,
E a galopar me arranhas,
E ao meu ouvido pleiteias
Que seja eu teu amor,
Apenas o teu seqüestrador!
Somos o que somos!

Eu, sou todas as síndromes!
E tu, tu és Estocolmo!

(Nov: 08, 1984)

Saudades Partidas XI

Posted in Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 3 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

(Presságios)

Tão graciosamente teu sorriso me encantou
E pelas ruas cheias, eu busqei teu todo.
Correndo galerias tuas vinhas de Moet Chandon,
Retratos de Bourbon pintados no teu corpo!

Não é surrealismo todo esse encanto,
Que fica nos meus sonhos o teu jeito clássico…
E no Taj Mahal que te cantei um canto:
Nos discos de Shankar, o teu delírio Íntimus!

Eu nesta euforia feito paranóia,
Pensando em teu sorriso sensual histórico,
Gracejas teus desejos em paisagem erótica,
Se revelando musa no meu mundo sórdido!

Enquanto teu sorriso se fizer memória,
Percorrerei o mundo pra ficar bem próximo…
Te resgatar distante feito na história:
O único seqüestro de amor insólito!

Eu, apenas lápidus!
E tu, sorriso íntimus!

(Out: 14, 1984)

Sublime Noturno nº 2: o aviso!

Posted in Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 3 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

                           I
Tenho tantos planos
E se eu não me engano,
Faz parte da minha vida!

II
Quero ter certeza
Desta fortaleza
Que é o nosso amor!

III
Procurei saber
Como escolher
Um diferente perfume!

IV
Ciúme talvez
D’um era uma vez
Ficou preso no passado!

V
Passaram-se os dias
E com galhardia
Furtava-me então um beijo.

VI
Beijaste-me o rosto
Com todo o seu gosto
De ser só minha mulher.

VII
E como escolher
Num sonho querer
Teu corpo todo em meus braços?

VIII
Teus paços tão nobres
Com beijos me cobres
Com avisos de sonhadora…

IX
Adoras o sol
Como um rouxinol
Preparas o nosso ninho…

X
Caminhos distantes
Não somos amantes
Que possam se retratar…

XI
O brilho dos olhos
E todos os poros
Nos querem fazer amantes!

XII
Agora consigo
Ter-te como abrigo
Posseiro nas tuas terras!

(Dez: 02, 2007)