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Perfumes ao Vento (ou Rastros de Adeus) IX

Posted in Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 8 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

IX – AS PROMESSAS

I
Vocifera meu âmago contra tudo
Contra a bestial mecanização do mundo!
Vences-me com uma força dionisíaca,
capaz de me afastar da monotonia apolínea
instaurada na Europa.
Depois me dissestes que prenderias

o abominável espírito do ciúme…
Me torno tédio entediado de mim mesmo…
Os dias distantes embruteceram meu coração
Me perdi no essencialismo

de cultura superior que está em ti!
Fico perdido!
Tua figura me conduz a estoicismo grego
De paixão e dor,
que justifica as ações dos homens
de acordo com a tua virtude.

II
Vejo-te todo em crepúsculos,
Analisando-te como conseguistes

penetrar no coração

dos nobres amantes…
Combatias instintivamente para me conquistar,
Entre os gregos e os romanos,
Um sonho erótico,
Para mim, um conquistar de menestrel…
Sobressaio aos gládios,
Afastei-me da luz da razão,
E fui de encontro as tiranias…
Tua sombra gentil
E a minha,
Afastaram-se para nos interpretar
Como notícias alvissareiras…

III
Condeno tua ausência,
Condeno tuas tristezas,
Condeno nossos emudeceres,
Condeno a falta de risos,
Condeno olhares ao léu,
Condeno olhares marejados,
Condeno a falta de vinho,
Condeno minhas ausências,
Condeno minhas tristezas,
Condeno minhas tiranias
Condeno-me por te magoar assim,
Condeno-me, por não honrar minhas promessas…
Condeno os condenados como eu,
A amar para sempre!

(Jun: 12, 2001)

Perfumes ao Vento (ou Rastros de Adeus) VIII

Posted in Crônicas, Pensamentos, Poesia on 8 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

VIII – QUEBRA-NOZES

I
Imaginação, o que está além de ti?
Todos os seus atos e os seus gostos?
As suas cadeias e os seus limites?
Quero poder fazê-lo abolir os teus limites,
Aceitá-la como uma interpretação diferente,
Não vulgar,
Não efêmera,
Simplesmente, simples, como és!
Não posso exigir tal transformação de ti,
apesar das tuas sempre frases pomposas,
tua eterna idade de menina,
ou de teus quereres furtivos…
tanta graça em teus passos,
sapatilhas, gestos, sombras,
unges teu corpo em óleo perfumado
de íntimo amor…
não queria os tesouros da terra,
nem todas as pérolas do mar,
da minha carne crua,
a minha graça te dava,
e não alimentavas
com tua paixão só tua…
e fiz-me então um plebeu,
atrás das muralhas me escondo,
e sondo os teus afazeres…
olhai, quão perdido estou,
com pedras, armaduras
tão fugas,
tão capaz,
de mostrar aos teus zelos
que não importam
se grandes muralhas,
ou portas fechadas,
eu seguirei triunfante,
a te buscar amante,
se ainda quiseres ser minha,
somente!

II
Escondestes-me no engenho,
Como uma cana malhada
Não o sol nascer, nem lua dormir…
Por tempos, fiquei ali,
Encolhido por espanto,
No anonimato esplendor,
De ter triturada as palavras
De um oculto escritor!
Sou desconhecido poeta,
Que no engenho de açucares,
Fiz do nossos lugares, melaço…
Fiz dos teus acordes, inchaços,
Não queria mais doer,
Nem queria mais sorrir…
Eram chibatas dançando,
Nos beirais dos casarões…
Nozes,
Amêndoas,
Castanhas…
Felizes os gentios
Que vasculham nas cegueiras, a luz…
Que rompem dos silêncios, a voz…
Que vigiam seus senhorios…
Nos teus engenhos, aprendi
Que por mais que eu lute por teu amor,
Não terei razão de continuar…
Se continuar, quebrarão meus braços
Com todos os cansaços a não te abraçar!
Vedarão meus olhos,
Que felizes te viam
E te seguiam como uma menina,
Convertida em uma bela bailarina…
Pararão meu coração,
Para estancar as paixões que tive
Nos momentos venosos da vida!
Farão de tudo,
Mas não abrirão de mim
Segredos do que é o amor!

III

Me fizeram soldado
Por uma luta sem tréguas,
Me proibiram armas,
Me retiram cantis,
Das amêndoas ficaram os aromas,
Das nozes somente o prazer de juntá-las,
E nunca prová-las…
Meu corpo guardam cicatrizes,
De todas as vezes que eu queria te ver…
Porém com brutal insistência,
Te criei paciência,
Pra sentir teu bailar,
De sentir teu prazer,
De um dia provar,
O que eu não pude provar:
Perfumes ao vento,
Abelha rainha!

(Jun: 09, 2001)

Perfumes ao Vento (ou Rastros de Adeus) VII

Posted in Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 8 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

VII – RETRATOS

I
Envelheci pelas saudades!
Pelos carinhos que me destes, remocei!
Minhas mão, agora trêmulas
Não sentem tuas mãos,
Não acaricia mais o teu corpo
De eterna musa!
Preciso de ti meu amor!
Onde andas o nosso pôr-do-sol
Que te furtava sorrisos,
Que te brilhavas inteira
Quando estavas comigo??
O chocolate quente
Com pimenta e canela
Esfriou assim tão de repente,
Sem o teu calor de quimeras!
A cadeira de balanço,
Balança minhas saudades…
Na varanda, no farfalhar das pétalas,
Onde bailavas com excitante corpo,
Minha bailarina o que fizestes
Como o sol de nossa mocidade?

II
Preparavas meu chimarrão,
Tal qual te ensinara!
Puxavas a cadeira de vime,
E ao meu lado sentavas!
Proseávamos madrugada a dentro,
Acompanhando o vento
Nas nossas divagações…
Apertava-me junto ao teu peito,
Fazendo-me sentir amante completo!
Depois, num gosto noturno,
Compreendi que o mundo
Ficaria completo
Se entendessem o nosso amor!

III
Na minha carteira de couro uruguaio,
Que me presenteastes quando do meu retorno,
Esconde teu retrato
São elementos naturais,
e junto voamos quais águias,
e combatemos os vôos das serpentes;
dos invejosos, dos ímpios,
dos medíocres, dos larápios…
Os discursos se enchem de meles,
As bocas, de ataques,
As vidas de rastejos!
Quando interrogamos: o que é o Amor?
Afastam-nos das verdades,
Dos aspectos interessantes do mundo,
Dos interpretações míticas do mundo,
Do senso comum das negações!
Não terminastes meu quadro,
Ficando só o rascunho,
Leves traços,
Tintas foscas, tela francesa,
O sombreamento confirma meus atos,
E com teu dom artístico,
Apagastes de mim a ignorância do dogmatismo,
Que fazia com que eu acreditasse nas coisas fúteis
E vazias!
Teces em mim cores pastéis, aquarelas, nanquins…
Escultora de mim,
Escritora de mim!

(Jun: 03, 2001)

Perfumes ao Vento (ou Rastros de Adeus) VI

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VI – SUPLÍCIOS

I

Era chuva de maio, e os ipês amarelos
Desmanchavam-se em flocos
Pela nossa rua arbórea!
Não fazia idéia de que ventos de maio
Trouxessem-me tantas recordações,
Que me igualei às pétalas de maio…
Foi apenas por um instante que me transportei
Aos ipês que tu admiravas com emoção ímpar
E de real fulgor!

Desmanchavam-se em flocos…
Meus ideais caiam com chuva também,
A namoradeira no canto direito da sala,
Está vazia!
Está perplexa com o abandono!
A sala contristada, ou algumas peças de Mozart,
Mas, desmancham-se de indignações,
Minha saudade,
Meus desejos…

II

Considero teus atos divinos,
Me traz entendimentos sobre-humanos..
Toda tua natureza deveria ser experimentada
Minha amada!
Governas em meu coração como espírito guerreiro,
Me preparando a viver em estado de guerra…
Resisto,
Resisto,
E não me sais da memória
Sou crítico, e coloco-me no mundo
Como reflexo de tua coragem!
Não sou escravo, nem vencido…
Recompensastes-me com o desejo de vencer,
E neste vale de lágrimas,
Tua virtuose se sobrepões as todas as naturezas…
Transmutes meu coração com o teu brilho,
Para que eu possa lutar
Com revigoração tua cultura de mulher!

III

Minha tarefa é solitária.
Tua tarefa é solitária!
Somos eruditos em nossas responsabilidades.
Lutamos contra os defeitos,
Queremos a perfeição…
Questionamos a natureza e somos questionados!
Nosso amor está escasso num universo
Esgotista e frívolo!
Tu me enxergastes quando eu estava cego
À realidade do mundo;
Eliminastes minhas dúvidas
Quando pensei ser um herói solitário!
Afastaste de mim os tempos perdidos,
Que esquartejavam meus sonhos!
As montanhas movem-se aos teus pés,
Como submissas
Como Gólgotas,
Como pedras filosofais,
Como conquistar milhões de livros,
Em bibliotecas nas Alexandrias perdidas…
Assim, suplico que venhas
E nos debrucemos ante as Escrituras Sagradas,
Para entendermos o Princípio
E o Fim…

Teremos mais chuvas,
A cada ano Maio,
Mas os ipês,
Não temos certeza!

(Mai: 24, 2001)

Perfumes ao Vento (ou Rastros de Adeus) V

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V – NOSSOS TEMPOS

I
Vejo rascunhos, e telefones anotados,
Mas não vejo nome, teus detalhes!
Busquei uma caneta esferográfica,
E desesperadamente, tentava alcançar
Tua imagem holográfica
Em minha memória…
Mas, apenas um suspiro
Imediato de nós dois!
A cortina levitava-se como mensageira:
-“Aguarda! Não te desesperes!’
e naquele momento sublime
um telegrama gritava à minha porta!
Desci sem ter noção do que estava acontecendo,
Temendo que fosse uma mensagem qualquer,
Um erro pra qualquer um…
Ufff! Valeu a pena!
Eras tu minha amada e eterna mulher,
Que me alimentavas com água e mel,
O meu eterno jejum!

II
Valseamos pelas varandas, pelos quintais
Nossos muros, nossas muralhas…
Nossos sorrisos, nossos segredos…
Vestias tons de rosa e cereja,
Abrilhantava tanto que até o sol
Se pôs atrás das nuvens de algodão
Embevecida em lágrimas…
Valseamos tardes e noites,
E pelas manhãs descansávamos,
O vento roçava arrepios em nossos madrigais,
E a chuva?
Só ela sabe de nossas malícias (legais)!

III
As horas voavam em meu Cartier,
Quartos de horas semeados em séculos!
Valeu-me ser um desafortunado?
Aquele que querendo escrever-te
Não precisou o teu tempo!
As tuas jornadas passaram pelos meus pensamentos,
E aquela ampulheta que me destes partiu-se em dois,
Um, desejoso de retornar às brincadeiras;
Outro, perpetuando um tempo dado entre nós!

(Mai: 20, 2001)