IX – AS PROMESSAS
I
Vocifera meu âmago contra tudo
Contra a bestial mecanização do mundo!
Vences-me com uma força dionisíaca,
capaz de me afastar da monotonia apolínea
instaurada na Europa.
Depois me dissestes que prenderias
o abominável espírito do ciúme…
Me torno tédio entediado de mim mesmo…
Os dias distantes embruteceram meu coração
Me perdi no essencialismo
de cultura superior que está em ti!
Fico perdido!
Tua figura me conduz a estoicismo grego
De paixão e dor,
que justifica as ações dos homens
de acordo com a tua virtude.
II
Vejo-te todo em crepúsculos,
Analisando-te como conseguistes
penetrar no coração
dos nobres amantes…
Combatias instintivamente para me conquistar,
Entre os gregos e os romanos,
Um sonho erótico,
Para mim, um conquistar de menestrel…
Sobressaio aos gládios,
Afastei-me da luz da razão,
E fui de encontro as tiranias…
Tua sombra gentil
E a minha,
Afastaram-se para nos interpretar
Como notícias alvissareiras…
III
Condeno tua ausência,
Condeno tuas tristezas,
Condeno nossos emudeceres,
Condeno a falta de risos,
Condeno olhares ao léu,
Condeno olhares marejados,
Condeno a falta de vinho,
Condeno minhas ausências,
Condeno minhas tristezas,
Condeno minhas tiranias
Condeno-me por te magoar assim,
Condeno-me, por não honrar minhas promessas…
Condeno os condenados como eu,
A amar para sempre!
(Jun: 12, 2001)