Oceanos Vitrais III

Habeas Corpus:

                                     I
São miríades, miríades de distância,
O sol esbofeteia meu rosto pálido,
Retornando a minha cálida infância…
Eu luto por ti, por me sentir tão magno!
                                     II
Longe ouço corais gospel no deserto,
Que por certo querem me sentir jihad,
O sol derrete minhas lembranças, certo?
E teus desertos me descobrem de verdade!
                                     III
Fogueiras à noite, e o vento uiva…
Não há sonhos, há pesadelos que rondam,
Eu sempre me perdi minha musa…
Pergunto aos ventos, por quê? Não respondam!
                                     IV
Calei-me assim como calam algozes,
Perdi todas as malas em Istambul,
Por que segui o que diziam as vozes:
_”Teu amor é infinitamente Azul…!”
                                     V
o Expresso da Meia-Noite, não passou,
e pelas ruas vazias da Turquia,
foi um vazio que me condenou,
Jogaram-me chaves, e fugi pras vias…
                                     VI
A única passagem que eu tinha,
Levava-me apenas a Constantinopla…
Sentia-me um amante clandestino,
Daqueles que foge de toda manobra!
De repente, retornei ao meu caminho!
                                     VII
Arrastei-me nos oceanos a fora,
Sentindo-me um ateu Excalibur,
Eliminando dragões por tod’ Europa,
Com seus paupérrimos corações inválidos!

(Jan: 07, 2008)

Uma resposta to “Oceanos Vitrais III”

  1. I
    A distância machuca, eu sei,
    Já fui (sou) vítima de tal algoz,
    Se tua face é assim esbofeteada,
    É o meu coração por ela despedaçada
    II
    Se o Minuano te trouxer
    Não serão as monções que te irão arrebatar,
    Se chegares a garoa sentir,
    Por certo a floresta de pedra
    prenderá a ti,
    III

    Aqui nestas terras, em meu reino,
    São as fogueiras mais quentes, mais belas,
    O vento não atrapalha nem apaga
    O doce calor d’alguns braços,

    Perderás tua musa para sempre,
    Se a ela não fores seguir,
    Dos céus profecia ‘rrebenta,
    Ela clama por ti!

    IV
    Cala-te, menino!
    Não fales…
    Deuses invejosos podem escutar,
    A inveja do amor os consome,
    E podem nosso encontro obstar,

    V
    Velha à cavalo, de trem ou à pé,
    Mas venha, querido, me buscar…
    Não pedirei duas vezes, meu jovem,
    Os olhos já estão a lacrimejar…

    VI
    Diga ao trocador o meu nome,
    Por certo, a passagem lhe franqueará
    Nestas minhas terras, sou eu conhecida,
    Sou a Rainha/Princesa, meu belo
    Tu serás o rei,
    Nada hão de te negar!

    VII
    Teu arrasto só pode ocorrer,
    Se meus pés for para beijar,
    Depusestes tuas armas, dissestes,
    És meu agora,
    Vou te prender!

    :::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::

    🙂

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