Arquivo para 9 de janeiro de 2008

Oceanos Vitrais I

Posted in Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 9 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

Palavras Úmidas:

                                      I
Eu que pensava ser gigante de pedra
E nos vales de pedras poder te esculpir,
A tua escultura tirou-me das trevas
Então fugiram do teu grande luzir!
                                    II
A luz faz-se intensa com grande esplendor,
Esplendor de musa que me faz cativo
Eu por num instante com grande temor,
Não percebi que ao teu lado estava vivo!
                                   III
Venho de longas distancias te dizer,
Que és mais que tudo qu’eu imaginava…
não mandei notícias minhas por querer:
é que nos vales distantes eu sonhava…
                                   IV
se luzes representam formatura tua,
lua esplendorosa não é natural!
Pois teu brilho é natural oh minha musa…
E fico a pensar, no mais alto grau!
                                   V
Não é preciso questionar em estar só!
São teus os meus caminhos que trilhamos,
Por que então as estrelas viram pó?
Não me respondas agora, pois brilhamos!
                                VI
Olhos que me observam em cristais líquidos,
Mãos que se mouseam pela tela, rotas…
Por ter no teu querer um amor tão vívido,
Digitas calma, e em minh’alma brotas!
                               VII
Por ser perplexo, vou questionando tudo,
Virar o mundo
ante tua presença,
Não poder haver conversa boa no mundo,
Que supere teus beijos e me convença!

(Jan: 05, 2008)

Páginas Ilhadas de Um Livro Raro – (Em algum lugar da Estante)

Posted in Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 9 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

(o que os olhos não vêem, as palavras sussurram…)

Frisaram em quase todas as bibliotecas
                                              que ficássemos lá:
Arquivados em estantes de aço, madeiras,
                                             blindados, nós dois!
Tratados como livros esquecidos,
                                             num acervo esquecido pelo tempo…
Impossibilitados de criarmos nossas páginas,
                                            nos transcreveram em diversos tipos…
Medievais, talvez ou transportados pelos escribas perseguidos…
As nossas capas, foram feitas com cuidado;
                                            artesanalmente fomos brindados!

 

Todos os outros livros, ali na nossa frente,
                                           ao lado, os que estão nos fundos,
                                          esquecidos,
Articulam em suas línguas, que somos diferentes de todos!
Relem, alguns como psicólogos,
                                          ou estudam nossos comportamentos,
                                          calculam-nos, traduzem-nos…
Didaticamente, apreciam nossos fonemas,
                                          somos poemas quem sabe,
                                          até coletâneas…
Esboçam surpresas, quando academicamente
                                         nos elogiam…
Ciúmes?
Leituras distantes, antigas, modernas,
                                         contemporâneas…
Leituras de amantes, amigas, eternas,
                                         momentâneas…
Incrivelmente, somos a raridade, cobiçados por muitos,
                                        e muitos livros querem ser assim:
                                       completos!

(Dez: 31, 2007)

Liberdade, Igualdade, Fraternidade

Posted in Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 9 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

(Tratamento de Iguais)

Chega de protocolos!
Chega de formalidades!
Chega de tratados, de acordos…
Chega de contratos!

Chega de livros ata! Das emendas!
Chega de cerimônias! Dos cartórios!
Chega dos diários!
Chega de senhas! De honorários!
Chega de ser otário!
Chega de gravatas! Dos espólios!

Chega de tanta multa!
Chega de cobranças! Dos ágios!
Chega de plágios!
Chega de consultas malfeitas!
Chega de pedágio! Chega de picaretas!

Chega de ser cobaia!
Chega de malha fina!
Chega de invadir sua praia!
Chega de votar na latrina!

Chega dessa tal magistratura!
Chega dessa farsa democrática!
Chega de bancar ditadura!
Chega dessa fé fanática!

Chega dessas criaturas!
Chega de pixar palácios!
Chega dessas viaturas!
Chega de ser operário!

Chega de pedir esmolas!
Chega de vender indulgências!
Chega de colar na escola!
Chega dessas aparências!

Chega de passar roletas!
Chega de aeroportos!
Chega de comer polenta importada!
Chega de abastecer nos postos!

Chega de autorizações, dos passaportes!
Chega de recursos! Dos tributos!
Chega de permissões, de vistorias!
Chega de concursos públicos!

Chega das certificações, das auditorias!
Chega dos pedidos! Dos boletins de ocorrências!
Chega de ouvidorias! Das Audiências!
Chega de salários mínimos!
Chega de concordatas, e das falências!
Chega de ser síndico!

Chega dos ofícios!
Chega de tudo isso!

Chega de perguntar: por quê?

Eu só queria humildemente,
Tratar-te simplesmente de VOCÊ!

(Jul: 03, 2003)

 

Misere

Posted in Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 9 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

Sem-tetos pelas minguantes noites,
Buscam leito em macios lugares,
Como fossem dos bedéis os únicos,
Defectíveis com todos os pares!

Ficam a contar passos inteiros
Todo dia em busca de presentes,
Levantes com vizinhos meeiros,
ideais insanos dos doentes!

Justiça não há nestes lugares!
Debochando de quem quer ser dono,
Retornes enfim pra não voltares!

Supliquem a volta, não se zanguem….
Hasteiem bandeiras com seus sonhos…
És tu, Vermelho! És tu, meu sangue!

(Mar: 26, 2000)

Parto Oriente!

Posted in Crônicas, Música, Pensamentos, Poemas, Poesia on 9 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

Só vadiava horas em busca de um leito,

Alguém que por mil réis proporcionasse amor!

Só vadiava horas porque tinha medo,

De perder seu emprego de um tal doutor!

Como se fosse dama, enfeitou seus beiços

Com 24 horas de baton vermelho!

A lingerie na bolsa, tod’os adereços!

Se via uma princesa no trincado espelho!

Quem disse que voltava cheia de esperanças?

Não sabem que o cliente era serial killer!

Dançava Michael Jackson, imitando Thriller!

                                  E ela só sonhava em dançar (Moonlight Serenade) Glenn Miller

E todo seu decote esparramou no thinner!

Guardava na barriga, infeliz criança!

(Nov: 19, 1999)

 Michael Jackson, Thriller: 

 

Glenn Miller, Moonlight Serenade: