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Perfumes ao Vento (ou Rastros de Adeus) XXIII

Posted in Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 10 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

XXIII – ANALOGIAS

I
Vieste num sábado qualquer de junho,
Entregaste-me um cartão, e saíste!
Os olhares te seguiam famintos pelas ruas!
Meus olhares, simplesmente se reservam
No silêncio de entender os por quê!
Amantes ilegais,
Amantes de etc e tais,
Amantes inconstantes,
Amantes, somente amantes
Inconformados letais!
Amantes importantes!
Incrédulos bacantes!
Amantes informais!
Escrúpulos amantes!
Amantes informantes!
Crepúsculos morais!
Entregaste-me um cartão, e saíste!

II
Caminho a passos lentos,
E em cada esquina que conquisto
Observo que em cada olhar de alguém,
Existe um eu esquisito…
Ora, seguindo tua sombra,
Ora, perdendo-me na multidão!
Alguém esbarrou em mim,
Alguém análogo de mim,
Ora, querendo ser simples transeunte,
Ora, perplexo nos outros dias!
Sábado marcado nas folhinhas,
Ditavam algo especial:
Se fui, não sou o que era antes;
Se és, é porque tu me convinhas!
Entregaste-me um cartão, e saíste!

III
Em nanquim te desenhei em vegetais,
Não tinha outra maneira de te converter!
Haviam mil razões de te perder,
Mas registrei-te em meus arquivos de aço,
Com chaves e até senhas…
Amantes arquivados em cartões!
Nas vitaminas e sais minerais
Devorei-te como aquele dia
Que alguém esbarrou em mim:
Num dia distante e simpático;
Silenciei-me como um silêncio sabático!
E tu simplesmente
Entregaste-me num cartão, analogias!

(Set 15, 2001)

Perfumes ao Vento (ou Rastros de Adeus) XXI

Posted in Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 10 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

XXI – CONTRATEMPO

I
O relógio na parede de sala
Marcavam duas e trinta da madrugada…
O silencio percorria nossas falas,
Gracejos e o toque das mãos
Falavam algo que o silencio
Não podia ouvir…
-“O que foi, meu Amor?”
teus lábios carnudos sussurravam
aos meus ouvidos.
-“Não. Estou apenas pensando…” Respondi.
-“Em quê?”
-“Em nós!”
o nosso tempo na parede esta contra nós…
podia sentir em cada segundo nosso.
Não tinha como desmarcar o horário do vôo…
Seriam às sete e ponto final!
As malas sentiam a nossa presença
e ficavam tristes a lembrar de tudo…
por sobre a lareira, nossa foto em preto e branco,
do nosso último encontro,
tinhas colocado junto ao meu blaser.
Me roubou um beijo, e outro, e outro…
… e fugiu para a varando.
O relógio estava avisando que o tempo
Esgotara-se entre nós!

II
Meu relógio, minha pulseira, meus óculos…
Estavam olhando para mim
Num contratempo que não consigo decifrar.
Rapidamente o táxi chegou.
Entrei, e desesperado te busquei
Com meu olhar se estavas me olhando…
A velocidade de tudo vai distanciando
O portão, as flores, as luzes frias,
A tua imagem…
Um grito estava prestes a explodir
Em meu peito, mas me contive!
Sabia eu que lá atrás a minha amada,
Sentada na varanda
Abraçava meu retrato.

III
Na janela as nuvens se aglomeravam,
E cada vez mais distante ficava…
Meus sonhos se tornaram aéreos demais
Pelo o que eu tive!
Visualizava compenetrado tua foto,
Com sorriso brando, maroto e convidativo,
E podia senti-los e beijá-lo…
-“O que foi, meu Amor?”
Os meus reflexos te traziam a minha frente
como intocável forma de mulher.
Quilômetros e quilômetros eu me pedi…
Ficando à margem de nós dois:
A intimidade e os delírios!
As brincadeiras, os travesseiros,
Os balançares na varanda,
E o podar das tosas.
São o nosso tempo real!
Com o amor veio o contratempo de nós dois,
E a tentativa de eliminarmos as distâncias
Tomou conta do nosso tempo!

(Set 01, 2001)

Perfumes ao Vento (ou Rastros de Adeus) XX

Posted in Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 10 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

XX – DIÁLOGOS

I
O que trazes em teu pensamento?
Vejo pelo visto que os meus pensamentos
Inundaram-se de sonhos…
Persigo meus intentos,
Revejo meus tormentos,
Ou lá no fundo, quem sou?

Sou eu uma indefesa criatura,
Que te invade o pensamento
Em busca de loucura?

Quem senão eu,
Archote em mãos alheias,
Rastro apagado na areia,
Ou intenção que fulgura?

Prezo pelos meus costumes,
A fé quem sabe me desfaça de ciúmes,
A morte um gosto amargo
Em fel, ou ânsia castigada
De rasgado mel?

Não faço tocaias
Em pensamentos teus,
Sou víbora presente nos teus passos,
Ou trago em peito meu
Num coração ateu
A tua forma de ser?

II
Visto retomar altos castelos,
Se desmanchando em areia,
Visão de forte rocha parecia,
Mas a fragilidade existia,
Nos corredores,
Das maldades
E dores, da sua criadagem!
Experimentei, beijos doces,
Apimentados, agridoces,
Insossos, medíocres,
Mas não, os teus,
Favos reais de mulher…
Não rufares, nem clamores,
Ouço apenas, no além vale,
Um começo breve
De falares,
De andares,
Da busca de neves em desertos baldios!
Vejo em meus caminhares,
Que tu pertences a algum nobre,
Que de brasões, lutas contínuas
E tradições, venham a te possuir
Como senhora de algum paço distante!
Não me zombem, oh estúpidos fidalgos,
Que esta mulher, de pele em pêssego,
E face em maçãs, me é por direito,
A costela, o barro perfeito
Que saiu de mim!
Meus ossos clamam
Por seus amores,
E cada pedaço de meu corpo,
Rebelam-se em lutar,
Uma revolução do eu interior
Com os eus covardes sem par!

III
Lês meus pensamentos?
Quais páginas são sobre ti?
Algo proibido?
São mesmos que os teus?
Ou tem algo que é difícil de se interpretar?
É complexo?
Vulgar?
Quantas propostas existem?
Quantas tristezas se escondem?
Quem tem o direito?
Existem problemas
Que dizem meus pensamentos
Sobre as tuas atitudes?
Sou valioso na conquista
Ou necessitas que eu te estude?
Afinal, se lês meu pensamento,
Porque então me manténs cativo
Como fosse um predicativo
Perdido em tuas perguntas?

(Ago: 19, 2001)

Perfumes ao Vento (ou Rastros de Adeus) XIX

Posted in Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 10 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

XIX – EXPRESSÕES

                                                                           I

Ao longo de minha vida,
Viajamos por vários quartos do mundo,
Expondo em cada um,
Nossos assuntos, nossas doutrinas!
Onde estão os discípulos do amor
Dos poemas, dos dias romanescos?
Os poetas mentem em demasia!
Se me coloco numa das margens do rios,
Do outro me questionas:
-“Até quando ficarás ai?
Minha vontade é cruzar meus braços,
Enquanto no penhasco, flutuo ao vento
Da existência,
Aos ventos do exercício de ser teu!
Não te descarto na eugenia,
Dirás a minha prole:
-“Do meu amado, nos fizemos um
como corpo enobrecido,
como sangue viajante,
como duas vidas únicas!
Meu amado, é meu par,
Meu guerreiro medievo!”

II

Supero todos os defeitos,
Supero todas as mazelas,
Supero toas as angustias,
Supero todas as esperas,
Supero todas as viagens,
Supero todas as rotinas,
Supero todas as visagens,
Supero todas os valores,
Supero todas as falsidades,
Supero todos os abstratos,
Supero todos os atores,
Supero todos os contratos,
Supero todas as maldades,
Supero a mim mesmo,
Só não consigo te superar!

III

Cures-me meu amor,
Já não suporto teus predicativos,
Transbordou meu coração com adjetivos
Nunca esperados!
Doce momento,
Invejosa cautela de querer…
Não se termina,
Não completa,
As sentenças
Ficam abertas,
Esperando o que está separado!
Verdades. Onde estão?
Se não consigo
Libertar-me destes inconseqüentes
Perigos…
Os meus projetos se tornam fósseis,
Para os prazeres doentes…
Meu tratamento
É para especialistas,
Curar pensamentos,
Como custar ventos de maio,
Primeiro, intento;
Depois o desmaio!
Qual colo cair?
Qual rosto afagar?
Qual solo servir,
Se não dá pra esperar?!
Se me coloco numa das margens do rios,
Do outro me questionas:
-“Até quando ficarás ai?
E eu respondo:
-“quando pudermos construir
juntos um antídoto,
que justifiquem nossos parágrafos!

(Ago: 14, 2001)

Perfumes ao Vento (ou Rastros de Adeus) XV

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XV – IMPRESSÕES

I
Outro dia, numa manhã fria,
Ao tomar meu costumeiro café,
Fui até a janela para apreciar
A chuva fria que aspergia
Em nossos jardins!
Foram momentos únicos que me davas,
Beijava-me o rosto
Dizias “bom dia, amado!”
De surpresa, sobre a mesa.
Tortinhas de maçã e erva-doce,
Torradas e geléia…
Adoçavas sempre as minhas manhãs…
Mas o que mais apreciava,
Era sentir em meu corpo todo
Que tu me revestias
Com teu corpo de tecelã!
(…)
Mas, o que eu mais apreciava
Era sentir em meu corpo todo
Quando me lapidavas
Com teus beijos de artesã!

Quando me surpreendias
Com teus banquetes de gentil cortesã!

II
Outro dia, numa tarde tropical,
Ao sair de uma ducha de água fria,
Lembrei-me das brincadeiras
Que fazias, das inúmeras carícias
Que me presenteavas…
Nossos beijos úmidos,
As espumas brancas em teu corpo moreno
Nevavam-te com o mais rico cenário artístico
Que havia visto!
Uma pérola que as águas me revelaram,
Agora em minhas mãos!
Eras tropical para mim,
Assim como continuas sendo.
A todos os meus desejos respondias:
-“Sim!”
e as fantasias?
E as surpresas?
E os muitos beijos?
-“Não temais meu amado!
Não tenhais medo,
Estarei sempre do teu lado!”

III
Outro dia, já à noitinha,recolhidos em nosso leito,
Os lençóis e os travesseiros
Como uma paixão de eternas ventanias,
Ficaram no chão!
E nós, vítimas persistentes do romance,
Nuns abraços fortes e resistentes,
Ríamos de nossas rimas,
Ouvíamos galopes vindos do coração…
E de todas as obras-primas,
Tu estavas em minha própria galeria,
Como o meu grã-tesouro: guardada!
Como a minha pérola: escondida!
Como o meu único segredo: selado!
Como minha única mulher: a amada!
De todas as amantes: a querida
Como meu sustentáculo de vida: o derradeiro!
Como um sonho real
e de verdadeiro império de impressões digitais!

(Jul: 30, 2001)