Perfumes ao Vento (ou Rastros de Adeus) XI

XI – NOTURNOS

 I
Abençoadas camas,
Abençoada amas,
Abençoadas damas,
Quem reclama?
Eu proclamo?
Digo noites ,
Dizes dias!

A arte de completa em vigília,
Transcende-se em harmonia,
Se remoça
Alimenta-se,
Fome instintiva de querer mais,
É um não saciar,
É ser nômade,
É ser sedentário!

É viver no paleolítico,
É prazer no neolítico!
Platão me descreve em cavernas,
Homem confuso,
Nas descobertas…

Eu te descrevo: moderna;
Mulher de corpo e alma,
E de belas pernas!

II
A vida lhe confia um segredo,
Eu sou aquele que te desvenda…
Com tuas garras me prendes,
Enclausurado em tuas fendas,
Me beijas,
Me cobres,
Com tendas de nobres,
Esparrama-me em teu corpo macio,
Como uma loba no cio,
Arranhas meu ser,
Arrancas poder
Eu te podo,
E pedes que eu te podes
E eu, feito presa,
Amarras-me em tuas teias
E num pulsar de veias
Ateias fogo,
Ateias chamas,
Chamas nuas,
E brindamos alcatéias
Em nossas camas!

III
Os sábios servem o povo!
Tu me serves,
E eu, teu servo!
Não seremos ser os últimos sábios,
Nem seremos os primeiros servos…
Fazemos do nosso silêncio a retórica,
Dos nossos gemidos a lei!
Temos nossas igualdades,
Criticamos os estultos,
Amamos a liberdade,
depois de aventurarmos para além do oceano,
estendemos nosso reconhecimento a humanidade:
“Sede a fraternidade!”
Ouve-se um grito,
Um temor estranho!
Uma voz labuta:
-“Vem meu amor, entrais em minha gruta,
e esquentai meus sentimentos!
Sentes o que eu sinto?”
E homem selvagem e faminto,
Na poesia lapido,
De uma maneira tão bruta,
Como um viajante, ou mendigo,
Um rei sem emprego, maldito,
Que espera o momento da luta…
Que nas caminhadas, medito…
Que de tanta fome, não resisto,
Feito guerreiro espartano,
De entrar em tua gruta
E num desesperado grito,
Dizer-te: “Te Amo!”

(Jun: 17, 2001)

2 Respostas to “Perfumes ao Vento (ou Rastros de Adeus) XI”

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