Perfumes ao Vento (ou Rastros de Adeus) XV
XV – IMPRESSÕES
I
Outro dia, numa manhã fria,
Ao tomar meu costumeiro café,
Fui até a janela para apreciar
A chuva fria que aspergia
Em nossos jardins!
Foram momentos únicos que me davas,
Beijava-me o rosto
Dizias “bom dia, amado!”
De surpresa, sobre a mesa.
Tortinhas de maçã e erva-doce,
Torradas e geléia…
Adoçavas sempre as minhas manhãs…
Mas o que mais apreciava,
Era sentir em meu corpo todo
Que tu me revestias
Com teu corpo de tecelã!
(…)
Mas, o que eu mais apreciava
Era sentir em meu corpo todo
Quando me lapidavas
Com teus beijos de artesã!
Quando me surpreendias
Com teus banquetes de gentil cortesã!
II
Outro dia, numa tarde tropical,
Ao sair de uma ducha de água fria,
Lembrei-me das brincadeiras
Que fazias, das inúmeras carícias
Que me presenteavas…
Nossos beijos úmidos,
As espumas brancas em teu corpo moreno
Nevavam-te com o mais rico cenário artístico
Que havia visto!
Uma pérola que as águas me revelaram,
Agora em minhas mãos!
Eras tropical para mim,
Assim como continuas sendo.
A todos os meus desejos respondias:
-“Sim!”
e as fantasias?
E as surpresas?
E os muitos beijos?
-“Não temais meu amado!
Não tenhais medo,
Estarei sempre do teu lado!”
III
Outro dia, já à noitinha,recolhidos em nosso leito,
Os lençóis e os travesseiros
Como uma paixão de eternas ventanias,
Ficaram no chão!
E nós, vítimas persistentes do romance,
Nuns abraços fortes e resistentes,
Ríamos de nossas rimas,
Ouvíamos galopes vindos do coração…
E de todas as obras-primas,
Tu estavas em minha própria galeria,
Como o meu grã-tesouro: guardada!
Como a minha pérola: escondida!
Como o meu único segredo: selado!
Como minha única mulher: a amada!
De todas as amantes: a querida
Como meu sustentáculo de vida: o derradeiro!
Como um sonho real
e de verdadeiro império de impressões digitais!
(Jul: 30, 2001)
10 de janeiro de 2008 às 18:39
nossa amei essa! Parabens bela poesia.