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Atrás daquela porta esconde-se um coração de pedra!

Posted in Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 11 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

O bobo – Majestade, alguém está cobiçando vosso trono!

O Rei – Imaginas quem é?

O bobo – Não sabem El-Rei! Uns dizem Tiradentes, outros, Vandré!
                O povo na praça se reúne, oh Rei!

O Rei – Quem são eles?

O bobo – São gente da UNE!!!

O Rei – O que querem?

O bobo – Querem acesso à justiça e liberdade também!

O Rei – Mandes rezar umas missas, tantas quantas puderes…

O bobo – Por que vossa majestade, se mal vos pergunte?

O Rei – Pediram comida, dei-lhes estrume
              Pediram escolas, dei-lhes esmolas…
              O que querem afinal? Mais fornos??

O bobo – não saberei responder, embora seja eu teu ministro
                do entretenimento, o que posso fazer?
               Majestade não estais com medo que em tudo isso
               Um mal aconteça?

O Rei – Ministros! Ministros!  Não tenhais medo meus nobres!
             Mandem chamar Tancredus…

O bobo – Teu nobre orador?
                 O que acontecerá então?

O Rei – Antes que haja uma revolução, Mendes construir cadeias…

O bobo – Majestade! Majestade!
                Não temos mais verbas!
                O povo reclama de tantos tributos…

O Rei – Onde está o 1º Ministro?
              Peça a ele que organize a cavalaria,
              Reúna os marechais-de-campo…
               Agendes um encontro com Napoleão!

O bobo – Majestade! O vosso ministro Ullysses, está arquitetando
                Outra ideologia…

O Rei – Quem ele pensa que é?
             Me contes, quais são as tramóias??

O bobo – Presente de grego majestade! Presente de grego!
                 Parece Cavalo de Tróia !!!
                 Ele confabulou com os seus…
                 Querem tirar deste grande império
                 O poder dos tiranos monarquistas,
                 E instituir um parlamento livres…
                 Uma tal democracia! Coisa de grego, Majestade!

O Rei – Convoques a milícia imediatamente!
              Armem os soldados com o mais grosso calibre
              Até os dentes…
              Compres mais canhões, se preciso for!
             No forte, ainda temos pólvora e dinamites!
             Não temais meus ministros!
             Tudo ficará em ordem!

O bobo – E o povo majestade? E o povo?

O Rei – Por que tanta mediocridade?
              Não vês que são meros detalhes?
              Mande-os agora para as praças!

O bobo – Quem irá celebrar as missas?
O Rei – Como? O religioso nobre néscio!
O bobo – Majestade, os religiosos, mudaram-se para as
                 fronteiras, dentro das florestas
                 foram construir missões!
                Abrigam os silvícolas,
                Amparam os desamparados,
                Ensinam os ignorantes a lutar
                Pelos seus direitos, Majestade!!!

O Rei– Torturas! Torturas! Um a um é o que merecem…
             Terão que confessar quem são!

O bobo – E o povo majestade?
O Rei – Distribua balas a todos!
             Se querem espetáculos, contratemos circos…
             Se querem comida, pães amanhecidos…
             Retires-te daqui, que repousar!
             Mas antes, enches minha taça com vinho!

O bobo – Majestade?!
O Rei – O que foi?
O bobo – O mensageiro real vos trouxe uma mensagem!
O Rei – Leias então! O que estás esperando?
O bobo – Diz assim:

“oh Majestade sem reino
teus dias estão findando…
plantastes muito veneno,
teu povo estais ‘liminando!

Pedimos licença então
Pra um pedido fazer:
Queremos tudo de bom
Pra nossa vida viver!

Se achais que tudo é difícil,
Livre-nos das trapaças…
Adulteraram o diesel,
Os nobres fazem fumaça!

Vede Senhor os teu servos,
Não são simples criaturas…
Queremos tirar os pregos…
À liberdade, abertura!

Estamos todos nas trevas
Sem liberdade ou ação!
Teus nobres queimam uma erva
Só pra sentir emoção!

São todos feitos de pedras,
São frios até no amor…
Somos de distantes épocas,
Já acabou o terror!

Enquanto pão precisamos
Comeis então strogonoffs!
Por isso estamos lutando,
Com foices e molotovs!

Vossa milícia sem soldo
Doentes querem partir!
Bebem remédios de boldo,
Mandados lá do Haiti!

Nós só queremos justiça,
E ficar em nossas terras…
Mas tudo acaba em pizza…
Seu reino produz só guerras!

É melhor que abdiqueis
Deste trono de uma vez…
Em vossa corte, os reis
Só vivem de embriaguez!

O povo sente saudades
De tanta terra querida
Plantavam até erva-mate
Tinham um motivo na vida!

O reino sujo de sangue
Que alimenta os corvos,
A nossa casa é no mangue,
Vosso palácio de porcos!

Vejo que nossos avisos
De mais nada adiantam!
Vosso reinado de guisos,
Mandam cortar as gargantas!!!

Então vendemos pamonha
Nas feras de cada dia!
Vossos herdeiros, maconha,
E nos banquetes, farinha!!

Escuteis os vossos sinos!
Que já reclamam bem tarde:
Nem mesmo os pobres suínos
São maltratados, quem sabe?

Seria este o motivo,
De nossa humilde mensagem!
É preciso estar bem vivo
Mesmo que seja bem tarde!

Nós não queremos de novo
Chegar com outra mensagem
Mesmo que seja passagem,
Quem assina é teu Povo!”

O Rei – Mas que atrevimento desse povo!
              Se comportam como donos!!!!
              É preciso fazer algo…

O bobo – O que Majestade?
O Rei – Me chame o fidalgo da Corte, Paulus Cesárius…
              Digas a ele que espalhe notícias
              Pelos jornais:

“oh povo dos subterrâneos!
  Vosso rei a partir desta data
  Criará o Silêncio Público…
  Tereis Cestas Básicas uma vez por ano!
  Saúde? Salvo engano, estão todos bem!
  Será preciso aumentar tributos
  Para aumentar nossos passos!

Que se faça, que se cumpra!
  Aceito vossas desculpas
  Pelas mensagens que enviastes!

Assinado: Vosso Amado Rei!

Assim, depois de um mês
O bom rei veio a falecer,
Julgava ser imortal!
Mas é a vida!
São as leis!

Assume outro em seu lugar!
Que irá mudar toda a situação.
Poeta?
Músico?
Artista?
Ou mandarim?
Não se sabe ao certo!
Pelo jeito o seu nome é Rasputim!!!

E o povo era feliz e não sabia!!!

(Out: 14, 1988)

Disparada, Jair Rodrigues: 

Disparada , Yamandu Costa:

Chacais Devotos VII

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7º passo – terrenos baldios, são ótimos campos santo!

Maquiavel me disse pra ser Príncipe!
Mas como se sustentar no poder?
Pão e circo para todos os bíceps?
Então, a quem podemos recorrer?

Preciso fechar tod’os sindicatos,
Para que não mais se manifestem!
Ou viram todos cidadãos pacatos,
Ou não procriem mais, antes que infestem!

É simples chegar a esse poder:
Vizinhos são vistos como inimigos!
Eu brindo a todos por exercer

Um cargo que será muito longânime!
Flores, para todos os súditos viverem!
Aos adversários, muitos crisântemos!

(Out: 16, 1998)

Chacais Devotos VI

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6º passo – aplicar os rigores da lei!

Hoje os fanáticos das inquisições,
Convivem em togas nas UTIs
São mestres forjando situações,
Nos átrios flagelam as CPIs…

Só nascem bancadas de ruralistas
Nas mãos de todos insanos algozes…
Para a imprensa são simples artistas
E para o povo eles são quebra-nozes!

Lobistas, são eles lobo mal…
Precisam mostrar que são muito fortes
Para uma nação de carnaval…

Maquiavel sempre esteve entre os nobres…
Mostrando dicas e coisas e tal…
Ricos cada vez mais ricos! E os pobres?

(Ago: 31, 1998)

Chacais Devotos V

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5º passo – o assistencialismo conta ponto!

Quando assumi, er’um sonho do povo!
Encontrei pilantras e prostitutas
Todos tentando repartir o bolo…
E tinham repugnantes condutas!

Uns falavam em construir castelos,
Outros, em desmoronar grandes bancos!
Seqüestram das terras os rastelos,
E doaram pro povo os barrancos!

Quero ministros que assumam com ética
Este país construído por muitos…
Há muita retórica e pouca estética!

Que não visem tanto mudar o mundo,
Mas pelo menos só mudem as práticas,
Sem interesses, criando absurdos!

(Ago: 011, 1998)

Chacais Devotos IV

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4º passo – administrar bem os bazares!

Estão tentando derrubar-me agora,
Como vítimas de um caso ilegal!
A mídia já provoca uma intentona,
U’espetáculo em rede nacional!

Estão dilacerando a magna carta
Como se fossem uns chacais famintos!
Não quero ser dos 300 de Esparta,
Estou precisando mudar o recinto!

Os senadores, e o seus falares,
Criticam estarem sendo atingidos
Com medo de perderem seus lugares!

Todos estão sentindo-se vencidos,
Porém cairão por terra c’os seus pares
Venderam a mãe, falta o pai ser vendido!

(Jul: 31, 1998)