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Encontrei no teu silêncio o segredo das areias perdidas!

Posted in Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 12 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

Num dia qualquer
numa praia qualquer,
encontrei nas áreias perdidas, uma pérola…
Tentei encontrar o significado no livros,
em todos os livros, mas eles ficaram em silêncio!
Meu silêncio é prematuro demais para ficar assim!
Te procurei,
conversamos então, e te dei a pérola!

E tu me dissestes: -“Como descobristes meu segredo?!”
Fiquei sem saber o que responder!

Ela retorna então com uma voz macia…

-“Tu és meu amado, tu sabes! Quero o teu silêncio, como os livros
  em silêncio ficam nas estantes!”

-“Não temais!” continuou então.

-“Encontrastes sim, um precioso tesouro! Chegues mais perto, e ouças o que meu coração te diz…”

Então, inclinei-me, e deitei meu ouvido ao seu peito e ouvi,
  o que o livros não poderiam dizer…
Era um bater cauteloso de ondas, que pulsavam…
  águas brandas eram os seus falares!

E quando tudo estava em silêncio, adormeci!

Num dia qualquer
Numa praia qualquer,
Encontrei nas áreias perdidas, uma pérola…

Com sua mão delicada, aproximou-se dos meus lábios,
e beijou-me, o oceano beija diariamente a praia!

E maliciosamente, com ares de sereia, me disse:

-“Entendestes agora, meu amado?”

(Jan: 03, 2008)

Perfumes ao Vento (ou Rastros de Adeus) XII

Posted in Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 12 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

XII – METADES

I
Preciso de um conselho:
quando todos os anos passarem
quero eu gravar um livro
 e nele, nas escritas,
esculpir todas as minhas lidas,
Todas as situações,
Teus mistérios…
As vãs sombras que acobertam meu spirito
Revelam-me que devo guardar-te…
És prefácio?
Um presságio que dedilha acordes
Substantivos de mulher em minha vida?
Ilusão? Mentiras?
Quando o sol reluz nossas sombras
Pela parede de mármore grego,
Percebo então quão belo
Teus matizes, reflexos de loba
Que aguarda o romper das emoções
E com garras e dentes
O prazer se faz afoito…
Os carrilhões do salão nobre,
Não consegue conter sua euforia!!!
E gritas, e me riscas em parágrafos
E me alinhas em redondilhas maiores…
e te faço coitos verbais,
aquilo que simples frases
não podem traduzir!
Mulher de grandeza infinita,
Lábios de mananciais desejos
Cria em mim, o teu amado,
O forçar contínuo de gemidos…
Uníssonos gritos carnais…
Por ventura, amada minha,
Os ventos conhecem tua fragrância felina?
Leva-me em emboscadas tranqüilas,
Teu corpo, arrojo atrevido,
Desconheces-me quando fechas a porta,
E mergulhas na banheira com sândalos,
Róseas pétalas hispânicas…
Tudo me hipnotiza, teus quadros,
Tuas curvas, teus ambientes,
teus suores, teu corpo esbelto e possessivo…
se atira por completo em mim!
Alieno-me à cama úmida
Aguardando tua boca úmida me umedecer!
Eu, aqui, esquartejado em desejos
Sinto em minha pele
Que me perdi nos teus momentos de outrora!
E toda a minha alma se fez tarde!
Preciso de um conselho:
quando todos os anos passarem
quero eu gravar um livro
 e nele, nas escritas,
apresentar nossas metades!

II
O Candelabro Italiano, lembras?
Percorremos nos lençóis em busca do querer,
E encontramos nós dois,
Espalhados, num estado romanesco
E de tal perplexidade
Que ríamos compulsivamente…
Bateram em nossa porta,
Silenciamo-nos por alguns segundos,
E voltamos às cenas
Ao tema musical que escolhestes…
Com excesso de gozo se fez a beleza
Do teu corpo!
Coração bateu rápido,
Assim como o tempo…
Entre noites e madrugadas
Pousastes teus lábios,
Como a abelha suga da seiva o mel,
E ao meu lado desmaiastes,
E nossos corpos,
Ficaram ali estendidos
Tocando-se, pensando-se,
Analisando-se,
E tua boca ao mel navega,
A castigar-me, como açoitando
A querer mais…
A querer sentir mais…
A querer ousar,
Sentir,
Fingir de medo,
Beijar meus dedos,
E com tua língua, navegando em meu tórax,
Faz-se feroz, felina,
Loba menina, que castiga,
E tua língua atrevida,
Obriga-me a mergulhar mar adentro,
A buscar em teus seios, o aconchego dos dias,
E pelos ambientes eu te sustento,
E tu levitas, e acreditas estar voando,
E queres aterrissar, mas as ondas
Sobem e descem,
E estais em meus braços a navegar,
A dançar eroticamente,
Realizando frenesi continuo
Por sermos assim
Metades inocentes do prazer!

III
A sede nos pegou de surpresa,
A jarra com água, no balcão da cozinha,
Nos convidou a descermos
Pelas escadas, teus olhos invadiam os meus,
Agressivos e sedentos
Que parássemos o tempo,
E te domasse ali, degrau por degrau…
Tua pele toda
Transpirava musk,
E pousei um beijo em teu seio,
E outro, e outro,
Ajoelhavas ante meu corpo
E num aroma delirante em cio aberto,
Nos descobrimos, como namorados,
Em nossa palidez lasciva
Que as ramas da paixão nos entregaram!
Oh musa encantadora,
Senhora dos meus sonhos,
Bebas o néctar que guardei pra ti!
Levante destes teus anseios
Como humilde abelha
E hasteies tua bandeira
Em meu mastro,
e a tremular aos ventos,
irás, em tuas graças e curvas
aprisionar
para sempre esta tua outra metade
que te pertence agora!
Eu ainda preciso de um conselho,
Lembras?

(Jun: 26, 2001)

Perfumes ao Vento (ou Rastros de Adeus) X

Posted in Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 12 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

X – ONTEM

I
Febril!
Não sei se por ausência, ou por vazio!
Quando andavas pelos corredores
E me chamavas bem baixinho,
Sussurrando, me confortavas, sabias?
Tuas mãos em meu corpo se perdiam,
O teu respirar, era canção de ninar…
E me perdia!
Revelastes o que eu mais queria ouvir:
“Me amado, meu amor! Tu és minha semente,
nasce em mim um desejo forte
um desejo que é o de sempre te amar!
Ignoro os que outros pensam…
Fazem tropeços em nossos sorrisos,
Gastam seus tempos em coisas vãs!
Haverá um dia só nosso, meu amado?
Tenho tanto me preservado só pra ti,
Que meu coração espanca-me de ansiedades,
desejos, de te querer bem pertinho,
fazer nas noites em meus braços,
cantigas, e contos!
Tu és lindo, meu amado!
Foges qualquer dia dos teus afazeres,
Granjeies teus instintos,
traga-me dos teus sonhos
o desejo de me possuir por inteira!
Os ventos abrandam as copas das árvores…
Jejuo meu corpo,
banho-me em águas cristalinas,
as espumas e o perfume na minha pele,
estão te avisando
que não tem quando e nem por quê!
É de ti que precisam,
Teu cheiro selvático de ser,
Teu corpo roceiro,
Hálito campestre de homem!
A minha loucura, quando possuir
teu corpo, será morder teu abdômen,
e as tuas orelhas pousar minha língua,
umedecer teu sexo, como fonte que jorra
meu ardente desejo por ti…
Não me esqueças, amado!
Sou tua promessa!

II
Sílabas soltas de carinho,
O mar se agita,
Fecho as porta, as janelas,
As cortinas…
Procuro neste frio,
Neste só,
No armário escondido, meu enrustido
Conhaque!
Puxo a gaveta da escrivaninha,
E fico a folhear teu álbum!
Cenas incomuns de nós dois,
Abraços, beijos,
Correndo numa praia sem nome,
Vestida com minha regata,
Meu blazer então, quem diria…
Um beijinho em minha face,
Um chapéu florido,
Um acordar de surpresa,
Um preparar de bóbó de camarão! MMMMM
Um jantar do nosso primeiro encontro!
As flores na janela!
Cosendo nossa cortina de girassóis!
Guerra de travesseiros!!! Inesquecível!
Uma careta!
Um mostrar de língua!
Um andar de bicicleta!
Uma saída da piscina! Uau!
Uma lareira, um vinho…
Imagens!!1
Lembra-se daquela vez quando fomos ao cinema?
Era uma chuva fraca, depois ficou forte.
Esquecemos o guarda-chuva no carro,
Umas duas quadras dali…
Deu bobeira, e quando lá dentro do cinema,
Me veio uma sensação de perda…
Havia esquecido as chaves dentro do carro!!!!
Fiquei nervoso, é natural,
Mas me aliviastes com um beijinho,
Dizendo-me:
-“Esqueça me amor! O importante é que estamos aqui!”
pipoca, chocolate, um suco de frutas….
ah! Eu ia me esquecendo: amendoim japonês!
Agitamos aquela noite!
Agitamos tanto, que o lanterninha
Nos convidou diplomaticamente
Que nos retirássemos dali!
Não sei o nome do filme!
E fomos a pé para casa,
Com aquela garoa fina e fria
Aspergindo sobre nós,
Enquanto as chaves do carro dormiam!
Até hoje não sei, se foi causa
Do amendoim japonês
Ou então do dropes que te dei!!

III
Oh amada que te quero tanto
Ainda ouço os teus dizeres,
Tua malicias,
Tua boca úmida procurando
Me conhecer por inteiro:
“-Haverá um dia só nosso?
Tenho tanto me preservado só pra ti,
Que meu coração espanca-me de ansiedades,
Desejos, de te querer bem pertinho,
Fazer nas noites em meus braços,
Cantigas, e contos!
Tu és lindo, meu amado!
Foges qualquer dia dos teus afazeres,
Granjeies teus instintos,
Traga-me dos teus sonhos
O desejo de me possuir por inteira!”
Não precipiteis o tempo,
Nem magoes as horas,
Também me preservo
Para que tu sejas feliz!
Nossas bicicletas estão se enferrujando na garagem!
Há um álbum que suspira nós dois!
Que depende de mais cenas
De mais abraços, beijos,
As praias ficaram desertas
Não sei onde foi para minha regata,
Meu blazer encontraram num brechó!
Sinto a falta daqueles beijinhos em minha face,
teu chapéu florido murchou, precisando de ti!
Um acordar sozinho,
E aquele bóbó de camarão? Tentei fazê-los e virou carvão!
Sem jantares!
 Sem encontros!
As flores mudaram de estação!
Nossa cortina de girassóis! Não giram mais!
os travesseiros ficaram em paz!!!
Sem caretas!
Cadê a piscina?
Uma lareira apagada,
um vinho, que se transformou em vinagre!
E teus dizeres ficaram gravados na memória:
“Não me esqueças, amado!
Sou tua promessa!”
Mas isso tudo, foi ontem!

(Jun: 13, 2001)