Arquivo para 14 de janeiro de 2008

O Livreiro e a Calçada Estreita

Posted in Acróstico Clássico, Pensamentos, Poemas, Poesia on 14 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

I – Tremores

Frio! Muito frio! E estou andando pelas calçadas estreitas…
Árvores se agitam com o vento que provoca arrepios!
Tudo parece distante! Os cafés não têm o mesmo gosto de antes!
Irresistivelmente, entro num sebo, como se ali fosse um esconderijo,
Manejo alguns livros amarelados pelo tempo,
Argumento em particular, o que estou procurando…

Transporto-me num tempo distante.
As páginas retiram-me por alguns segundos do chão,
“-Reservo-me o direito de sonhar!”
Disse eu ao livreiro.
“Então continues ai…!” – retruca o livreiro.
Livros livres!
Liberta-me também, e transcreve-me num lugar,
Impossível de se encontrar!!

Entre outras coisas, um vento rápido sacode as galerias…

As páginas alvoroçadas
Sentem medo! Acredito eu!

II – As Impressões

Página por página,
Amareladas ou não,
Livro por livro
Antigos ou não
Valiam peso de ouro!
Ricos tesouros,
Ali nas estantes em silêncio…
Silenciosamente, em silêncio!

“SILÊNCIO!” – diz a placa na sala principal.
Unanimemente todos, sem exceção,
São pensamentos vivos disciplinados…
São pensamentos ativos, rebeldes…
Um a um, foram cuidadosamente tecidos!
Rasgam-se páginas, mutilam-se motivos…
Rasgam-se os escritos, mas não a essência!
A essência começa nos átrio do nascer:
Dádivas dos primeiros aprenderes!
Augusta forma do crescer e aprender!
Sofismático modo de ser sábio!

Ontem, tive a nítida impressão,
Uma impressão que retratava o presente…

III – A Lição

Presente em minhas mãos,
Ainda trêmulas,
Lentas, pelas corridas que o tempo marcou!
Audaciosas, pois sobremaneira tateiam a vida,
Vida que se expuseram em lápis, crayons, em tinteiras…
-“Reservo o direito de ficar aqui!”
Atrevi-me a retrucar ao livreiro, que aparentava beirar um século.
-“Silêncio moço nos teus pensamentos!”

Salpicou o velho livreiro olhando-me por sobre os óculos!
E pude então entender dos porquês dos silêncios!
Minha ignorância fez-me calar a boca, sem precedentes!

Senti que alguns livros,
Entendiam a situação.
Não tive outra reação senão me dirigir até o livreiro.
-“Tens sentimentos, pobre homem?”
Impressionado replica com voz farfalhada:
“-Dos meus anos de vida, todos eles sempre foram meus companheiros!”
O velho então me deu um cartão de sua loja que dizia:

… “Mantenha-se em silêncio por um dia, e falarás com sabedoria para sempre. (pensamento hindu)” . Recolhi-me, e percebi que a minha vida era   uma calçada estreita!

(Jan: 11, 2008)

Evocações nº 4 – Falácias

Posted in Pensamentos, Poemas, Poesia on 14 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

Disseram que as dores são fases
E que elas hão de partir,
É hora de fazermos as pazes,
E novo caminho a seguir!

Sem lutas o homem se entrega,
Sem chances o homem se trai!
Nas guerras buscam-se tréguas,
Na vida busca-se amar!

Como amar na angustia
Se o meu coração faleceu…
As dores são de Medusa?

E agora, o que aconteceu?
Moinhos, quebrastes minhas lanças?
Ou me tornei um Perseu?

(Abr: 07, 1997)

Chocolates Também Derretem se o Calor for Intenso (ou Embalagem pra Dois)

Posted in Acróstico Clássico, Pensamentos, Poemas, Poesia on 14 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

Muitos dizem pra esquecer
Acontece que, eu não sei esquecer…
Rascunho palavras ao telefone,
Insisto em querer esquecer
Ainda assim, o que fazer?
Emprestei meus ideais,
Lavrei nos cartórios do esquecimento
Imensas atas…
Sensivelmente coloquei-me na fila de espera…
Aguardando ser chamado…

Gotejavam lágrimas de chuvas,
Umedecendo meus pensamentos,
Impossível! Gritei pro meu silêncio…
Muitos dizem para esquecer
Acontece que, eu não sei esquecer…
Rascunhei muitas palavras ao telefone…
Ainda que pudesses, retornarias as ligações???
Enviei-te sonhos de valsa numa embalagem de coração,
Sonhando que, pudesse eu te esquecer!

(Jan: 01, 2008)