Arquivo para 15 de janeiro de 2008

Apelos Melancólicos de um Andarilho Ateu VI

Posted in Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 15 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

Atos Romanescos

De tantas figuras que encontrei
Fiquei fora do prumo,
Preciso me reabilitar das incensatezes
Que nós dois tecemos!
Incensavas maneiras de me possuir,
E esquecia que as nossas roupas
Estavam no chão,
E nossos cabelos em desalinho,
Viramos juntos copos de vinho,
Nos embriagamos de verdades,
E mentiras…
Fizemos juras de ofensas,
Que nunca nos deixaríamos ir,
E que isso acontecesse
Todos as nossas maneiras,
E que todas as dores iríamos espantar
Um dia!

Quero voltar,
Quero voltar para nunca mais sair!
Quero abandonar os enganos,
Abandonar nossas incertezas,
Mas não tínhamos a certeza
Da plenitude do não querer ir….

Sabemos que existimos
E insistimos em querer saber
Se existiremos ainda!

O que aconteceu comigo
São tolices vindas de um aprendiz,
E na astúcia,
Enfrentei os perigos das esquinas…
Abraçando indigentes apaixonados,
Mulheres programáticas,
Vendedores ambulantes,
Bueiros romanescos,
Famílias sem famílias,
Ocultas criaturas
Dos sentimentos esquineiros!

(Jan: 06, 2008)

Apelos Melancólicos de um Andarilho Ateu VII

Posted in Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 15 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

Cortes

O mundo inteiro está perdido em mim,
Andei pelas Europas,
Rasguei tuas fotos em Pequim,
Cai nas mãos dos médicos,
Pra curar as minhas dores,
Me perdestes nas ruas do México…

Minha vida se tornou pesada
Nas andanças pelo Egito,
Areias, areias, minhas calçadas,
Minha efígie, meu mito!

Vasculhei nas bibliotecas inteiras
Dos mundos soviéticos,
Rasguei poemas de bobeira
E me perdi nos épicos!

Cheirei tuas danças de Andaluzia,
Cansei nas bordas de uma sacada,
E quem diria?
De novo na calçada!

Dei-te a outra face,
Beijaste na faca o gume,
Jornais, e a multidão estrangeira
Percebe em mim um ciúme!

As fonte jorravam Roses
Em nossa volta,
Agora tão árido e tão mesquinho,
Me ponho aqui no chão!

As paredes todas ruíram,
E o esquecimento e a solidão
Brotam, e sufocam os desejos,
Desertos! Desertos então?
Voltar?
Será que ainda sei amar!
Esqueci dos mus atos,
Perdi meus sapatos
Numa calçada qualquer…

Voltar?
Depois que o mundo se desfez?
Não sinto calor,
Me sinto febril!

Voltar?
A vida se encheu de clamores,
Se encheu de calçadas,
Se encheu de enchentes,
Bueiros romanescos é o que restou!

Voltar?
Pelas imperfeições,
Pelo resto de sorte,
Não tenho mais afeições,
Eu sinto o gosto da morte!

Voltar?
Quando se as chaves perdi,
Não há mais endereço,
E não tem o que faça
Desmanchar o nó no peito

(Jan: 07, 2008)

Apelos Melancólicos de um Andarilho Ateu VIII

Posted in Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 15 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

Reconstituição

O caramelo chegou ao fim,
Bocas vermelhas,
Bordados em lençóis,
E não vejo motivo
Neste tango inútil
Dançar aqui
Por um pão,
Latas amassadas,
Papéis e papelões,
E não consegui voltar…
Pra ajeitas toda essa papelada,
Crítico,
Impávido,
Cínico estábulo dos apaixonados!

Retiro desta jornada,
Como se estivesse em Istambul,
Na beira do Ganges,
No Adriático perdido,
Na frigidez do Himalaya,
Restos de uma agenda esfarelada,
Num bolso rasgado,
Lembranças de academia,
Passeios pelos shoppings,

Hoje os amantes do nenhum,
Sem camisinhas se torturam
Anos depois,
Ficam um,
E agora? Amar feito alma úmida?

Vou te amar pela última vez
Se me abrires a porta,
Se não da frente,
Pelo menos, as porta do fundo,
E se não fosse pelo mau amor
Que te causei um dia,
Quero morrer no Andes,
Nos vales do Machu Picchu!
Num quanto de pensão,
Se peregrino eu for,
E se continuar sendo,
Beberei do amor todo veneno,
Se teu desejo for a dor…
Reconsideres meus deslises!

(Jan: 08, 2008)

Ficção de Amores

Posted in Pensamentos, Poemas, Poesia on 15 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

ao visitar http://palavrassemsentido.wordpress.com/2008/01/14/alguem-em-desespero-abra-a-porta

…pelas fendas de uma parede,
te observei!

e como preso numa rede,
me entreguei!

busquei a tua sede,
e me embriaguei!

vê se me entende:
te cobicei!

não quero que tentes,
o que tentei!

assim me prendes,
como teu bem!

não quero mais que inventes,
o que nunca encontrei…

és meu futuro presente,
e eu também…

(Jan: 15, 2008)