Madrigais Hispânicos de um Devorar Libertino
Disseram que você vive pensando em mim,
Assim como que flutuando, sem disfarces, o que importa?!
Inventando-me como num euréka subliminar…
Sou tuas incertezas, quando é assim, eu digo:
Yo te recito GARCIA LORCA
Me disseram ainda, que andas chorando baixinho,
Arquitetando travessuras,
Riscando meu nome em tuas paredes!
Atrevida menina, que queres que eu dia?
Cuando me volver
A Noite na Ilha, de Neruda
Reticências irei pintar em teu cuarto
Vadiar na sala,
Alimentar-te com as minhas falas
Labiar-te com mordidas e desdéns,
Humedecían las falanges
Ousando tocar-te como arte tocando-me!
Sentimentos úmidos
Ilibados seios, retratados anseios…
Lira dos meus prazeres, acordes atos,
Volva-me num perplexo euréka sheik inspiriano!
Acorda-me! Acorda-me! asi, asi…
(Jan: 16, 2008)
16 de janeiro de 2008 às 22:00
Meu querido Gasparetto,
Quem sou eu para criticar seus trabalhos que de amadorescos nada têm. Sua sensibilidade ultrapassa as barreiras do compreensível ou crticável. O que posso dizer com toda certeza é que vc escreve com encanto e magia, já que quando o leio, sinto-me renovada e despertada para uma vida mais poética e transcendental. Sinto-me lisonjeada por tê-lo como amigo e o mais importante: sou feliz por um poeta e professor (nesta ordem?) dar-me atenção e ler o que escrevo, eu sim, amadorescamente.
Excelente. O espanhol escrito com penas de um poeta é sempre música para eu ouvir e me emocionar.
Beijo, querido 🙂
17 de janeiro de 2008 às 04:56
O que se faz quando um poeta sopra a vida
Pelas narinas de um ser cansado e triste?
O que poderia o andarilho desistente pensar
Ao tropeçar esgotado em tão belas palavras…
Eu guardo-as em meu alforje de caçador
Eu me alimento e durmo a tarde inteira?
Mas o que fazer quando o dia amanhecer
E o poeta se for libertino e risonho…
Fico com fome mais… ou devoro as letras
Que restaram entre as mãos dele sem as minhas?
Então, faço o quê? Durmo outra vez e sonho?
Será que ele volta e me traz mais alimento?
E agora minha barriga dói de emoção
O coração pula no recanto dos famintos.
Mas e se o poeta voltasse e eu o comesse
Com gastronômica liberdade de amar e morrer?
Poeta, não dê-me tanto alimento ou eu deixo
De ser magra e minha estranha compleição etérea
Pesará teus dias e serás meu alimentador eterno!…
Mas e depois, depois que eu pesar em ti?
Melhor seria morrer de fome, dormir pra sempre
A ter que perder o sabor de tuas palavras em minha boca…
(sabe aquela piada do cara que sai com outro cara e depois diz: agora é minha vez? hehe – agora é minha vez de dizer coisas para uma celebridade poética. Hum. Te adoro de forma além dos mortais, porém aquém de tua permissão)
Beijos!!!