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Segredos e Recordações

Posted in Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 18 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

Não devo tratá-los descordialmente!
Não tenho ouro, nem prata, nem diamantes…
O sol vai debruçando fielmente
Num aureolo tatuado de amantes!
Pousa na minha janela um olhar distante…
Em teu retrato, não me vejo mais!
As memórias trazem riquezas e postais…
Um mistério que fica do outro lado do oceano !

Bondade é uma das chaves!
Como consegui-la?
Como resgatá-la?

Em meu baú de recordações
Encontrei um cartão teu
Que me enviastes quando estavas na Europa!
Que me diz:

“Para teres meu coração,
Tu necessitas abri-lo!
Que esperas então,
Se tens o meu brilho?

Generosidade… que nos torna francos em humildade!
Franqueza…que nos entusiasma à felicidade!
Entusiasmo…que nos dá direitos de vencer a luta!
Direitos iguais…que nos compromete em mantermos a conduta!
Compromisso… que nos torna bondosos para com a fidelidade!
Bondade… que nos presenteia com amores plenos!
Amor… que nos faz amantes enquanto eternos!

Cabe à porta, o segredo… e mais nada!
À vontade de descobri-la tens!

De quem te espera. Tua Amada!”

Tuas mãos em minhas mãos,
Ajoelho-me beijando-te a tua foto!

Saúdo-te pela tua humildade!
Lamentando apenas, que meu orgulho interfira…
Minha ordem não se humilha,
Por ser humano, talvez?
Corremos riscos,
Enfrentamos nossos perigos!

Peço socorro!

Que chave me falta?
Deram-me tantas falsas…
A do desprezo?
A do isolamento?
A do querer simplesmente querer?

O que me respondes então?

Sento-me em minha poltrona,
Abro um livro, com tua dedicatória…
Os meus olhos se voltam para a janela!
Olham para o passado!
Ficam assim distantes!

Filmes que em segundos
Passam em minhas telas de vidro!
Suspiro silenciosamente, suspiro!
A noite se aproxima,
Os filmes não terminam!
O cansaço sobrevém,
A janela fica fria…
Anoitece, definitivamente anoitece!
Desprezos, isolamentos, retornos,
Saudades, quereres…
E eu não li teu livro!

Não devo tratá-los descordialmente?
E se tivesse ouro?
Prata?
Diamantes?
O sol estaria ainda se debruçando fielmente
Num aureolo tatuado de amantes?

Sempre, sempre
Pousa na minha janela o meu olhar distante…
Em teu retrato, remoças cada vez mais!
As minhas memórias…
Memórias, eu disse?

Como consegui-las?
Como resgatá-las?

(Jan: 17, 2008)

Palco das Ilusões

Posted in Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 18 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

                                                                            I
                                   Insistes em querer ter meu sobrenome,
                                        E somes, no palco feita uma artista!

Tu riscas meu corpo com os teus óleos,
Teus olhos são de uma baronesa!

Riqueza plantada no meu jardim…
Quindim que como até lambuzar…

Usar teu corpo lá no meu bazar
Azar! Que rondas a minha culpa?

Desculpas! Sabes que posso te dar!
Vagar, faz parte dos meus anseios!

Teus seios são pra mim duas amoras…
E moras em palácios de aluguéis!

Bordéis fizeram a minha cabeça…
Esqueças! Não sou o único com problemas!

Que pena! Roubaram meu rádio de pilhas!
Empilhas meus livros pelos corredores!

As dores que eu sinto em minhas costas…
Não gostas quando eu faço um cafuné!

Café, torradas vem de manhã!
Sou fã do teu jeitinho malandro…

II
Me zango por que tu não adivinhas?
Um dia me levastes até um sebo!

Se bebo foi uma pura distração!
Canção nativista é o que eu mais gosto!

Aposto que não estás mais nem aí!
Perdi meu salário no snooker!

Joe Cooker tem blues a dar com o pé
A fé que eu tinha foi-se embora…

Agora aguardo mais um emprego!
Segredo eu tenho um desde criança?

A dança já não te faz compromisso!
Preciso te ver só mais um instante…

Tratante! Cadê todos os meus discos?
Beliscos foi o que me deixaste!

Um traste tu dissestes que eu era!
Tapera é o meu quarto de pensão…

Que exploda de uma vez o ciúme!
Perfumes comprei lá no Paraguai!

Teu pai é o único que disputa!
Insulta por eu não ser o teu rico…

III
Fiz bicos pra te comprar um presente
Pingentes são todos prata 500!

Direitos? Quanto vale o meu amor?
Rancor, to sentindo dor de dente!

‘repente vem correndo e me beijas…
Cerveja? É bem melhor que remédio!

Meu tédio está chegando ao fim!
Teu “sim” é o que mais me interessa…

Na pressa esqueci minha razão:
Um ‘não’ que o coração não compara…

Travaram meu cartão do MasterCard
Covarde é o homem daquele banco!!!

Foi quando ia te fazer surpresas…
Belezas que eu encontrei na Internet!!!!

Raquetes pra jogarmos travesseiros?
Vencemos juntinhos tantos problemas!

Dilemas foram todas as nossas contas…
Apontas-me ser o único culpado?

Parado parece estar nosso tempo!
Nos ventos espalhamos nossos quandos!

IV
Meu canto parece conter venenos…
John Lennon te criou, cantando Imagine!

Empreste-me todos aqueles sorrisos,
Precisos que constroem o meu castelo…

Tão belos são as tuas curvaturas!!!!
Me empurras direto pra tua cama!!!!

Me enganas e vai fazendo beicinho…
Docinhos? São teus gemidos singelos!

Eu quero abusar dos teus orifícios…
Em ofícios escrever-te que me pertences!

Não penses que minha vida é banal!
Carnal é nosso jeito de amar!

Sonhar rolando em nossos colchões…
Paixões que sejam pra nós eternas!!!

Tuas pernas roçando no meu abdômen…
Sou homem que partilho suas manhas!

Me apanhas sempre que estou indo embora…
Na hora me pedes que eu te apanhes…

Champagnes espumam teu belo corpo!
Tô morto, desmaiado nos teus meios!

Teus seios umedecem minha boca!
Tão rouca, compartilhas meu licor!

V
Amor que no amor não separes.
Camparis, delírios que são vermelhos…

Espelhos já retratam nossas rugas…
As rusgas ficaram só no chinelo!

Otello são vícios de amor por ti…
Parti teu coração com Sinatra!

Alcatra te transformaram em carvão!
Cartão de crédito? Nunca! Jamais!

Teus ais já tão virando novela!
Aquela se transformou em estranha!

Entranhas! Perdi meus preservativos!
Cativo vou ficar em nove meses!

Manteves o teu papel social!
Fui mal, acreditando em nós dois!

Depois, vem pedindo mil desculpas!
Me culpas, me beijando com gracejo!

Te vejo, complicando nosso mundo
Pois tudo foi só um mal entendido!

Perdido, eu me encontro neste palco…
Sem talco nossas almas ficam tristes!

Insistes em querer ter meu sobrenome,
E somes, no palco feita uma artista!

(Jan: 11, 2008)

Inquietudes

Posted in Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 17 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

Estavas aqui,
Quando te vi…

Não era tarde
E nem era uma noite!

Parecias preocupada,
Olhares vagos!

Tendenciosa
Em silêncios!

Tão depressa,
Corri…

Um ramalhete,
E cartões!

Esguias rosas
E cartões!

A preocupação
Queria ser o presente!

Nem os outdoors sabiam!
Nem os telegramas suspeitavam…

Continuavas linda,
Mesmo assim!

Os transeuntes esbarravam
Curiosidades por nós…

Uns desatentos, paravam!
Outros, seguiam…

Estávamos ali, lendo livros,
Quando nos vimos!

Não eram apenas manhãs,
Eram dizeres!

Nem mentiras, nem ilusões,
Alguns entendiam sermos apenas sofismas!

Acreditam?
Não temo por isso!

O que não acho preciso,
São teus olhares vagos…!

“As rosas não falam…”
pois as palavras são tuas!

Estamos aqui parados…
Tu me olhas, e eu te aprecio!

Um silêncio de repente!
Cabisbaixo ficamos!

Olhamos nossos pés…
A calçada…

Nenhum dizer!
Nenhuma palavra!

Um monumento à dois,
No meio da praça!!!

Espetáculo?
Para alguns…

Suspense?
Para outros!

Levemente minha mão
Tocou o teu queixo…

Olhaste-me…
Um suspense!

Eu perguntei:
-“O que te preocupas?”

E algumas lágrimas disseram:
-“Em te perder, meu amor! Em te perder!!!”

(Jan: 09, 2008)

Dor, o Lado Oculto do Amor

Posted in Crônicas, Pensamentos, Poesia on 17 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

                                                 Não há dor que não se cure,
                                           Não há dor que nunca se alcance…

Não há dor que sempre persista,
Não há dor que se preocupe…

Não há dor que não se depure,
Não há dor que a gente não sinta…

Não há dor que não se reflita,
Não há dor que nos tornem ausentes…

Não há dor que desfaça feridas…
Há dor somente,
quando não se tem uma chance na vida!

(Jan: 17, 2008)

Banquete das Letras

Posted in Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 17 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

by Daysi – (dai.lendo.org) in Madrigais Hispânicos de um Devorar Libertino

O que se faz quando um poeta sopra a vida
Pelas narinas de um ser cansado e triste?
O que poderia o andarilho desistente pensar
Ao tropeçar esgotado em tão belas palavras…
Eu guardo-as em meu alforje de caçador
Eu me alimento e durmo a tarde inteira?
Mas o que fazer quando o dia amanhecer
E o poeta se for libertino e risonho…

Fico com fome mais… ou devoro as letras
Que restaram entre as mãos dele sem as minhas?

Então, faço o quê? Durmo outra vez e sonho?
Será que ele volta e me traz mais alimento?

E agora minha barriga dói de emoção
O coração pula no recanto dos famintos.

Mas e se o poeta voltasse e eu o comesse
Com gastronômica liberdade de amar e morrer?

Poeta, não dê-me tanto alimento ou eu deixo
De ser magra e minha estranha compleição etérea

Pesará teus dias e serás meu alimentador eterno!…
Mas e depois, depois que eu pesar em ti?

Melhor seria morrer de fome, dormir pra sempre
A ter que perder o sabor de tuas palavras em minha boca…

(Jan: 17, 2008)