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Apelos Melancólicos de um Andarilho Ateu VII

Posted in Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 15 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

Cortes

O mundo inteiro está perdido em mim,
Andei pelas Europas,
Rasguei tuas fotos em Pequim,
Cai nas mãos dos médicos,
Pra curar as minhas dores,
Me perdestes nas ruas do México…

Minha vida se tornou pesada
Nas andanças pelo Egito,
Areias, areias, minhas calçadas,
Minha efígie, meu mito!

Vasculhei nas bibliotecas inteiras
Dos mundos soviéticos,
Rasguei poemas de bobeira
E me perdi nos épicos!

Cheirei tuas danças de Andaluzia,
Cansei nas bordas de uma sacada,
E quem diria?
De novo na calçada!

Dei-te a outra face,
Beijaste na faca o gume,
Jornais, e a multidão estrangeira
Percebe em mim um ciúme!

As fonte jorravam Roses
Em nossa volta,
Agora tão árido e tão mesquinho,
Me ponho aqui no chão!

As paredes todas ruíram,
E o esquecimento e a solidão
Brotam, e sufocam os desejos,
Desertos! Desertos então?
Voltar?
Será que ainda sei amar!
Esqueci dos mus atos,
Perdi meus sapatos
Numa calçada qualquer…

Voltar?
Depois que o mundo se desfez?
Não sinto calor,
Me sinto febril!

Voltar?
A vida se encheu de clamores,
Se encheu de calçadas,
Se encheu de enchentes,
Bueiros romanescos é o que restou!

Voltar?
Pelas imperfeições,
Pelo resto de sorte,
Não tenho mais afeições,
Eu sinto o gosto da morte!

Voltar?
Quando se as chaves perdi,
Não há mais endereço,
E não tem o que faça
Desmanchar o nó no peito

(Jan: 07, 2008)

Apelos Melancólicos de um Andarilho Ateu VIII

Posted in Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 15 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

Reconstituição

O caramelo chegou ao fim,
Bocas vermelhas,
Bordados em lençóis,
E não vejo motivo
Neste tango inútil
Dançar aqui
Por um pão,
Latas amassadas,
Papéis e papelões,
E não consegui voltar…
Pra ajeitas toda essa papelada,
Crítico,
Impávido,
Cínico estábulo dos apaixonados!

Retiro desta jornada,
Como se estivesse em Istambul,
Na beira do Ganges,
No Adriático perdido,
Na frigidez do Himalaya,
Restos de uma agenda esfarelada,
Num bolso rasgado,
Lembranças de academia,
Passeios pelos shoppings,

Hoje os amantes do nenhum,
Sem camisinhas se torturam
Anos depois,
Ficam um,
E agora? Amar feito alma úmida?

Vou te amar pela última vez
Se me abrires a porta,
Se não da frente,
Pelo menos, as porta do fundo,
E se não fosse pelo mau amor
Que te causei um dia,
Quero morrer no Andes,
Nos vales do Machu Picchu!
Num quanto de pensão,
Se peregrino eu for,
E se continuar sendo,
Beberei do amor todo veneno,
Se teu desejo for a dor…
Reconsideres meus deslises!

(Jan: 08, 2008)

Ficção de Amores

Posted in Pensamentos, Poemas, Poesia on 15 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

ao visitar http://palavrassemsentido.wordpress.com/2008/01/14/alguem-em-desespero-abra-a-porta

…pelas fendas de uma parede,
te observei!

e como preso numa rede,
me entreguei!

busquei a tua sede,
e me embriaguei!

vê se me entende:
te cobicei!

não quero que tentes,
o que tentei!

assim me prendes,
como teu bem!

não quero mais que inventes,
o que nunca encontrei…

és meu futuro presente,
e eu também…

(Jan: 15, 2008)

Doces Promessas

Posted in Pensamentos, Poemas, Poesia on 14 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

By Fátima Tardelli – in AZ 3 MARIAZ

Preciosas mãos e de beijinhos tão doces!
Preciosas seriam as daquele,
Que as deitassem em mim para afagar-me
Isso seria ensino de amar….
Cabelos de anjo!
Seriam daquele, que me permitissem tocar,
(cafuné)
Isso seria ensino de amar….
Beijei-te em pleno céu de brigadeiro…
Não o fizeste,
(irás fazê-lo?)
Se tivesses feito….
Isso seria ensino de amar….
Fiz parte do teu mundo suave
Não, isso também não fizestes,
Se tivesses entrado em meu mundo,
Farias parte de mim,
(E não permitiria sua saída)
Isso seria ensino de amar….
E encantador e de encantador quindim!
Doces,
Quero um vendedor de doces,
Um certo livreiro/doceiro que conheci,
Se eu o tivesse,
Ele teria me ensinado a amar….
Ofereceste-me os melhores ingredientes da vida!
Ofereci?
Tu aceitastes?
Tu recusastes?
Não me lembro….
Esta parte perdi…..
Isso seria amar….?

(Jan 02,2008)

Palavras Úmidas

Posted in Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 14 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

By Fátima Tardelli – in Oceanos Vitrais I

I
Cascalho de rio eu me sinto,
Ante tua presença, gigante de pedra!
De minha pequenez, por vezes, me ressinto,
És tu a grande muralha di petra
(Muralha de Adriano)

II
Se brilho, não é brilho próprio,
Meu caro!
Somente reluzo por ti,
Sou qual Lua (mero satélite)
Enquanto tu é o Astro-Sol
(meu rei)

III
Se dedicas a mim pensamentos,
À ti dedico meus sonhos,
Se me deixas sós, simplesmente choro,
Sou dama sensível, querido
(por favor…)
É preciso que regues a flor

IV
Meu brilho não é natural,
Brilho qual farol para te indicar o caminho
Mas creio que antes disso será preciso
Que te presenteei astrolábios, bússolas e mapas,
E fico a pensar: chegará ele?
(Qual!!!)


                                                                           
V
                                               Solidão em Macondo é regra,
                                                     Nem preciso é questionar,
                                                     Se teus caminhos são meus
                                                           (e os meus são teus)
                                                                 Desconheço…
                                                              Vagamos pela vida
                                                           Ó anônimo rapaz!

VI
Te observo, te busco, te caço,
Invado recantos, invado lugares
Se te busco, não critiques,
Antes me buscastes
Ou esquecestes da Ilha,
Homem mordaz ?!

VII
Tua perplexidade não compartilho,
Se queres respostas,
Basta que perguntes,
Responderei à todas, baixinho
Conversa boa,
Pequenos sussurros!
Quem sabe te convença…

(Jan: 10, 2008)